sábado, junho 11, 2011

Shopenhauer e amor

Mas como um filósofo de vida amorosa tão desastrosa poderia ter algo a nos dizer sobre o amor? Pra começar ele dizia que o amor não é um assunto banal, que não devemos vê-lo como distração de assuntos mais sérios ou adultos (o amor é importante, PORRA hahaha). Não é por acaso que se trata de um sentimento tão avassalador , capaz e tomar conta da nossa vida e de todos os momentos do nosso dia. Shopenhauer diz que não devemos nos culpar tanto pelo estado de desespero e obsessão em que entramos se o amor fracassa. Ficar surpreso com a dor da rejeição é ignorar o quanto de entrega a aceitação exigiria (Essa parte eu escrevi e grifei). "Nada na vida é mais importante que o amor porque o que está em jogo é a sobrevivência da espécie"

quinta-feira, junho 09, 2011

Life is art.

I think everything in life is art.

What you do. How you dress.
The way you love someone. The way you talk.
Your smile and your personality.
What you believe i and all your dreams.
The way you drink. Your tea.
How you decorate your home. Or party.
Your grocery list. The food you make.
How your writting looks. And the way you feel.

Life is art!

domingo, junho 05, 2011

VISCA BARCELONA


E ela chegou assim, de repente, sem avisar. Ou se tentou avisar em algum inverno bem rígido enquanto eu vivia em Paris, não dei ouvidos.
Talvez de longe eu ouvisse a voz dela, no fundo: Se vieres para cá, teu inverno pode se tornar primavera. Não fui, não fui.  Não fui por pura tolice porque sempre tive o péssimo costume de contrariar as pessoas.
Mas também sei ceder e depois de tamanha insistência, fui. E não é que fui chegando, sentindo, vendo e ela tinha razão! Vivi o inverno mais primaveril de minha vida. Barcelona é assim: chega, te seduz como se não quisesse seduzir, te encanta. Te mostra arte, cultura. Moderno, novo. Contemporânea, medieval. Nesse querendo-não-querendo, te mostra no caminho tendências dentre as galerias de arte a meio fio. Mostra moda.
Ela chega e te surpreende com sua arquitetura. Ela, tão cosmopolita, te surpreende com o que te faz sentir. E, no meio de tudo isso, ainda tem a praia e o mar mediterrâneo.
Essa abstração total que chamamos de Barcelona, para mim, é uma figura quase humana e eu estabeleci com ela uma ligação de cumplicidade enorme; Barcelona conheceu meus segredos mais profundos, Barcelona me viu chorar de pura tristeza, me acolheu dentro das noites de solidão única, escutou minhas mais altas gargalhadas em cada uma de suas esquinas, Barcelona me despertou uma felicidade clandestina que eu nunca havia experimentado na vida. Barcelona simplesmente me apresentou à mim mesma.
No embasbacador universo modernista, onde Gaudí está por toda parte com alguns outros artistas catalães como Lluís Domènech i Montaner, quem conhece outras cidades da Europa se comove com Barcelona pela modernidade da “coisa”. Ou modernidade da “cor”. Barcelona te transforma. Barcelona te pulsa. E o pulso…
Encontramos também outros ícones igualmente atraentes e culturalmente fantásticos: Dalí, Miró e Picasso.
Dois mil anos de história. Aberta a inovações. Acolhedora, caliente,plural. Diversa! Em Barcelona os idiomas oficiais são o catalão e o castellano. As duas línguas coexistem num bilinguismo parecido à outras regiões do mundo.

Eu compreendo que nenhuma cidade pode ser comparada à outra, Barcelona encabeça a regra. Capital da Catalunha – uma comunidade autônoma – Barna é a que menos se sente e, logo, se expressa espanhola. Não só pelo idioma, mas por serem altamente “nacionalistas”, separatistas.
E também pela economia e turismo que Barcelona possui. É notória a rivalidade entre Barcelona e Madrid – a capital do país – e assim compreendemos que em tudo e POR TUDO, as diferenças vão muito além de simples rixa. Para mim, em termos de riqueza cultural, a Espanha é um dos países mais interessantes e, Barcelona, na minha opinião, está entre as 5 cidades mais absurdas (no sentindo maravilhoso da palavra) de todo o mundo.
Em Barcelona não se encontram aquelas “espanholices” mais típicas como mulheres vestidas com trajes tradicionais andaluzes e todos os adereços correspondentes (castanholas e leques, etc), nem os chapéus de toureiro e os belíssimos “cavalos andaluzes”, assim como também não encontrarás os touros de Miúra, mas encontram-se  os saborosos azeites extra virgens e a estupenda culinária espanhola, encontram-se as cores espanholas como num filme de Almodóvar.
Na minha opinião, aqui existem dois pontos mais altos. Um seria a riquíssima arquitetura que vai do gótico ao modernismo – tão proximamente quanto duas calçadas da mesma rua – e especialmente este que tem toda a sua personalidade admirada em BCN e ainda mais forte nas mãos de Gaudí e sua arquitetura completamente orgânica que, sinceramente, acho difícil ser encontrada em qualquer outro lugar do planeta. E o segundo é a beleza natural da cidade e o mediterrâneo para completar, fazendo casal com o céu mais azul que já vi em vida e que, eu mesma denominei (nada orginal) azul-barcelonès.
Barcelona te encanta de uma ponta a outra. Barcelona cheia de tapas, sangrias, festas. Pode também ser uma Barcelona pacata, calma e azul.
Barcelona é camaleão. Barcelona é adaptável. Barcelona não pode permitir definição.

quinta-feira, maio 26, 2011

Mistifório: A Carta da Saudade Escolhida

Mistifório: A Carta da Saudade Escolhida: "Meus caros amigos, Passada a dor do reencontro – é, porque reencontrá-los, mas ter que deixá-los tão rapidamente dói de verdade –, estou pr..."

quarta-feira, março 16, 2011

Existe alguma coisa entre nós: uma vontade mútua de não sermos cinzas. Van Gogh nos borrou de verde-água, e agora nos reconhecemos, apesar da multidão.

Rita Apoena e Eu.



"— E você, por que desvia o olhar?


(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)


— Ah. Porque eu sou tímida"

segunda-feira, março 07, 2011

Passou o aniversário. Chegaram as sugestões pros presentes não ganhados




Amor.  Girassóis. Céu azul. Cheiro de chuva. Declarações pela madrugada silenciosa. Sinceridade. Gargalhos de bebê. Um barquinho de papel. Um papagaio entre o céu e as nuvens. O sabor do mar. A música por trás dos ruídos. Bolinhas de sabão. O som das gotas no chão. Um sorriso tímido. Os olhos com cores de esperança. Confiança a olhos vendados. Um coração encostado no outro. Um ou dois "pra sempres". Um livro de poesia. Dormir agarradinho. Viagem de fim de semana. Ler na rede da varanda. Uma sopinha bem quentinha. Um par de meias de bolinhas. Um ou dois cata-ventos. Felicidade clandestina. Uma palavra inventada.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Sinceridades.



- Tu és bonita, mas tua irmã é mais.

- Não obrigada, não é nem pelo fato de estar satisfeita. É que a torta de batata não está com um gosto muito bom.

- Não quero alguém do teu tipo namorando a minha filha.

- Se quiseres ficar, pode ficar, mas saiba que ninguém aqui vai com a tua cara.

- Ahhh, sim! Eu li o teu livro. Mas não gostei muito e nunca me daria ao trabalho de reler.

- Dá pra falares um pouco mais de longe. É que o teu hálito não está nada bom. 

- Tu sabes que não te amo, não te quero, portanto pare de me torrar a paciência e saia do meu pé!

- Tu estás gorda, tu sabes. Admita!

- Eu adoraria que tu não viesses mais aqui. 

- Tu sabes que esta não foi a primeira vez e nem será a última. Teu filho usa esse tipo de coisa desde o colégio.

- Se quiser esquecer o número do meu telefone, eu agradeço.


- Dá pra parar de falar? Só sai bobagem, é impressionante.

- Não quero inventar desculpas, mas é que não estou a fim de você.

-  Seria mais fácil me falar o que queres e não chegar aqui com essas desculpas pra chamar a atenção.


- Será que não consegues entender que este teu discurso está ultrapassado?


- Cala essa boca e me beija!

(…)


terça-feira, fevereiro 15, 2011

Be yourself. Everyone else is already taken.

Atenção: existem duas solidões absolutamente diferentes...

Existe aquela que é intrínseca ao "ser" e que, enquanto não descoberta e aceita, provoca muita confusão e vazio; gera inclusive a outra, a má solidão.
Esta segunda é justamente o medo de estar sozinho, o medo de se encarar, enfrentar, descobrir. É o estar se preenchendo de qualquer coisa só para não sentir-se a si próprio.

A primeira é fortaleza e maturidade; a segunda é abandono.

sábado, fevereiro 12, 2011

L'amour???

O beijo é a assinatura de um homem. (Mae West)
Nada nelhor para a saúde do que um amor correspondido. (Vinicius de Moraes)
Falais baixo se falais de amor. (Shakespeare)
Amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu. (Michelangelo Buonarroti)
Ninguém vale nada enquanto não foi amado. (Tennessee Williams)
Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia. (William Shakespeare)
No fundo de cada alma há tesouros escondidos que somente o amor permite descobrir. (E. Rod)
A expectativa me faz sentir vertingens. (Shakespeare)
Fica-se muito louco quando apaixonado. (Sigmund Freud)
Amor é privilégio dos Maduros. (Drummond de Andrade)
O verdadeiro amor nunca divide:uma lealdade. Dois corações num leito, sem maldade (Shakespeare)
O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para todo o sempre e aumenta cada vez mais. (Balzac)
Pelo olhar entender é o segredo do amor. (Shakespeare)
O amor é a força mais sutil do mundo. (Mahatma Gandhi)
Amar é mudar a alma de casa (Mario Quintana)
Porque onde tu te encontras, o universo todo está. (Shakespeare)
Diante da vastidão do tempo e da imensidão do espaço é uma alegria para mim compartilhar uma época e um planeta com você. (Carl Sagan)
O amor é fumaça formada pelos vapores dos suspiros. (Shakespeare)
É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim. (Zezé di Camargo - hahaha piada, claro :))

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Vejo beleza em tudo o que é lugar



"A novidade é o único critério de toda a obra. Se não se acredita ter visto qualquer coisa nova, ou ter qualquer coisa nova a dizer, porque se escreveria, pintaria, teria uma câmera na mão? O novo é sempre o inesperado, mas também se torna eterno e necessário."
Gilles Deleuze

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

É quase delicado. E também absolutamente sutil.

Numa interpretação de fragmentos de um discurso amoroso:

Eu escrevo pra mim e pro mundo, mas, na verdade, essas palavras têm direção e destino.

Porque no final das contas, todas as conversações, todas as palavras e todos os fragmentos - no discurso amoroso - consistem em dizer alguma coisa para alguém.

Atenas e a solidão escolhida.

Como andar pela primeira vez em ruas de cidades desconhecidas, perder-se é encontrar-se. Ao mesmo tempo que te perdes pelo desconhecido, te encontras na tua melhor essência.

Viajar sozinha é isso pra mim, um vício. Além de partir para o desconhecido, como Sabina tinha tanto amor como eu, é uma busca incessante de ti mesma.

Andar em pleno outono e no meio de uma chuva tórrida por jardins nacionais em Atenas. Um deserto humano e um mundo de natureza. Ao mesmo tempo solidão escolhida, ainda bem, e a melhor companhia de todas. Tu mesma!

O delicioso encontro comigo mesma veio com toda a força num inverno rígido, cinza e chuvoso. E, depois de se trancar na toca de si mesma, veio a primavera que me ensinou a renascer como suas flores. Nunca ninguém disse que seria fácil, mas eu percebi o que valeria a pena.

Mas o necessário cultivo de tomar uma xícara de chá de si mesmo por dia faz bem à saúde e te faz enxergar um pouquinho mais do mundo que carregas dentro de ti.
Não te deixa esquecer, te reconheces em cada partezinha degustada.

Sair da rotina louca, da roda viva e deixar entrar no mais camuflado em ti. Seja em pensamentos ou até vozes, quando, sem querer, exteriorizas alguma ideia. Falas sozinho de tão acompanhado que te sentes contigo.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

De resto, recorro a Gide: "Ser me ocupa bastante."


O amor te faz mais preciso:
vulnerável, porém radioso.

domingo, fevereiro 06, 2011

Que cara é essa, amor?

Cara de quem tenta acertar sempre e mesmo assim erra,
Cara de grega, etrusca, asteca, bizantina,
Cara de quem já viveu tanta coisa e aprendeu quase nada,
Cara de apaixonada, assustada, desafinada, emaranhada, despenteada,
Cara de quem mergulha todo dia no desejo, no sentimento, na felicidade,
Cara de quem encara a rotina e tira prazer dela,
Cara de quem olha pra cima e se desprende ao vento,
fiel à queda, rápida e branda.
Cara de quem está longe, na eternidade da água,
sobrevivendo teu movimento…

Cúmplices.



Cúmplices.


Eu amo essa palavra.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Cortázar

"Es increíble que hace doce años
cumplí cincuenta, nada menos.
¿Cómo podía ser tan viejo
hace doce años?
...

 
Ya pronto serán trece desde el día
en que cumplí cincuenta. No parece
posible. El cielo es más y más azul,
y vos más y más linda.
¿No son acaso pruebas
de que algo anda estropeado en los
relojes?"

domingo, janeiro 30, 2011

Meu Hai Kai.

Sabe aqueles professores que te fazem viajar pelo mundo, encantar-se com cada classe, com cada descoberta? Daqueles que sobem na mesa pra declamar uma poesia e te entorpecem com a melodia da voz? Cada aula era tão prazerosa que todas as as outras do dia se ofuscavam.

Eu tive um professor assim, o Rodrigo.

Há alguns dias, retomei o contato com ele graças às redes sociais e um elogio citando um poeta é mais elogio. A poesia vive em minha vida e o lirismo me protege. Protège-moi.

"Pablo Neruda deve ter escrito algum poema para a tua imensurável beleza, Mayra".

Dormi feliz. E hoje, aniversário do Rodrigo, quem ganhou o presente fui eu. Ele me escreveu um Hai kai:


"És a mais formosa, posso e vou te escrever um poema! Deixo-te um haicai de presente:

Hai Kai de Mayra

Fuga entorpecida,
... com beleza incalculável
de pureza e sal
(Rodrigo B.)"

Posso sorrir todo o dia.

Jantando em companhia. Própria.

Eu viajo só. Completamente natural. E, quando viaja-se só, tudo o que fazes é, o que? Só! Inclusive sair pra jantar sozinha.

Quando fui à Atenas, tive a sorte de ficar no melhor hotel da cidade por trabalhar na mesma cadeia e pagar quase nada por uma suite absurda. E com isso, tive o serviço de mordomo. Logo, ele me indicou um restaurante super funky, trendy, cool da cidade.

Chegando ao local, me vi com duas opções: Me fazer de cool e esquecer toda a vergonha de chegar sozinha, ou então, assumir logo todo o embaraço que chegar sozinha num lugar lotado traz e falar: antes de mais nada, me traz um drink pra apaziguar essa vermelhidão nessas bochechas enormes que tenho? 

Mas preciso informar que o rosado no rosto é fruto de algum tempo sem viajar sozinha ou então de marinheiros de primeira viagem.  Depois da quarta saída pra jantar sozinha tudo vira festa. Já chegas rindo e premeditando situações. Funny, at least.

Antes de sair do hotel, perguntei ao Buttler sobre um tal bairro e ele me disse: You won't like this place. It's heavy, old and a lot of greek dancing. Only Greek music. Eu disse. Mas é a inserção na cultura que quero! No momento não sei se ele teve algum "pré-conceito" contra mim, tipo: essa índia cheia de pena nas orelha não vai curtir o clima local.

Fui direto ao restaurante que ele me indicou, em Gazi. "For sure you'll like it. It's trendy!". Tsc tsc. 

Chegando ao Mamaca's; senta fora; dentro? Onde é melhor? Tás sozinha? Sim, estou. Ahhh! Uma pessoa só?!?

Silencio. 

As pessoas ainda sentem um desconforto muito grande quando eu falo que viajo sozinha. Só elas, porque eu, sinceramente, adoro. Depois da primeira vez, vira vício. Um encontro com si mesmo e com tua própria essência.
Sempre digo a mim mesma que tenho que ter algum aliado quando saio pra jantar só e não me sentir desconfortável com tantos olhares de pena ou até de curiosidade alheia. O jantar pode te inibir. Não a comida em si, mas o ambiente em que estás. Ainda mais se for numa cidade que acabas de chegar e que nem falas o idioma deles. 

Há pessoas que já possuem um aliado intrínseco: a observação. Os observadores não precisam de mais nada. É tão natural observar que o olhar vira a tua melhor companhia. Minha melhor companhia é outra; ou melhor, são outras: o papel e a caneta. Escrever e, assim, descrever, me comove. E me sinto totalmente à vontade com a caneta na mão. 

Eu admito que para os outros deve ser um tanto estranho ver uma mulher chegando a um restaurante com sua caderneta na mão. E bem vestida, arrumada - e digo isso do fundo do coração porque capricho em cada detalhe antes de sair, afinal, estou indo para um encontro com a pessoa mais importante da minha vida: eu!

E alternando, claro, entre a observadora e a iniciante a escritora. Escrevo: Observo. Escrevo mais. Deixo a caneta de lado. Observo as gentes passearem, olharem. Serem. 

E nesse observa-escreve, converso comigo mesma com palavras escritas à meia-luz; aproveito cada segundo do jantar e aprecio as horas que dediquei à mim. 








sexta-feira, janeiro 28, 2011

E num 1º de novembro de 2010.

E quem diria que 2010 ia dar nisso?

Mesmice e falta de mudanças foram coisas de que não pude reclamar nesse ano. Cambios. Changements. Saindo lá. Chegando pra cá!

E muda. Muda de cidade, de país. De status. Muda de casa. Muda de emprego. É um casa, separa. Muda de casa pela última vez. Mas muito, o que muda muito, é dentro.

1º de novembro e acabei de pisar na casa nova. Nunca imaginei um ano assim. Aliás, imaginei tudo, menos isso. Sem reclamações, por favor. Ao revés, estou adorando.

É novo, é nova fase. Busca. Entendimento. Conhecimento. Autoconhecimento.

Eu cresci? Com o mesmo jeito de moleca e cara de sapeca, eu cresci.

Cada vez mais me reconheço em mim. Mais Mayra, cada vez mais Mayra. Sinto a energia voltar, sinto o sangue correr. Sinto aquela felicidade clandestina me inundar de novo. Clandestina? Sim! Só eu sei o sentimento que ela me traz. Uma gargalhada rosa interna; muito amor em me ser.

sábado, dezembro 18, 2010

Como viver num mundo de parcerias frouxas e eminentemente revogáveis

Zygmunt Bauman é considerado hoje um dos sociólogos mais influentes do mundo. Professor emérito de sociologia na Universidade de Leeds e na Universidade de Varsóvia, seu livro mais recente é "Amor Líquido - Sobre a Fragilidade das Relações Humanas".

A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é amor líquido. A tirania do mercado explica em parte esta característica rarefeita de tudo. Estamos na era do homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz deve também estar preparado para suportar malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.

É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas.


Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso os leva ao tédio e à frustração. Ser bem sucedido é conviver com novidades, variedades, e rotatividade.

Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e por isso mesmo mais barato). Nesta sociedade líquida, você não compra, aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar implica rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.

Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos "relacionamentos puros", onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginem que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é "por causa de" e não "a fim de". Enquanto há razões a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.

Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal "até que a morte nos separe". Bauman chama isso de "relacionamentos de bolso", que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por esta razão, a "sociedade líquida" prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os "especialistas".

Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS - casais semi separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que "quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade".

Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor, tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento impede a entrega total, e porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, ou deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz a respeito que estão "numa viagem nunca termina, o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido".

segunda-feira, novembro 15, 2010

As pessoas discutem futebol como se fosse vida. Discutem sambinha e bola como se fosse política. E é nessa hora que eu sinto "dissabor", mas também conforto.

Quem fala assim de futebol como de política nunca deve ser levado a sério.

E aí? Vamos sambar?

quinta-feira, novembro 11, 2010

Tá falando grego? Parte I



Tá falando GREGO?

A história de vir logo pra Grécia, antes do verão do ano que vem, junto com as ilhas gregas foi mais pelo preço da passagem da vueling que por outra coisa. Eu estava mais para o lado de Budapeste, Marrakech ou Istambul.

Mas é óbvio que desde o início tudo já me seduziu. Tudo bem! Atenas significa o início de uma civilização, as cidades-estado estudadas no colégio, a mitologia grega, os filósofos adorados, as esculturas exaltando a beleza em todos os pontos, os deuses, o legado, a arte, os mais de 3000 anos A.C quando se tem evidencia dos primeiros assentamentos perto da Acrópolis, entre muitas outras coisas e, claro, o que sempre me vem à cabeça: onde nasceu a democracia quando Sólon promulga sua primeira constituição e estabelece o conselho dos 400.

Como não amar a ideia de chegar aqui? Na hora!

É isso: uma confusão de informação e conhecimento! Atenas é, ao mesmo tempo, uma remetedura ao passado antes de Cristo até os escândalos políticos ou ainda a avassaladora crise depois de Cristo que foi mesmo 2009/2010.

Confissão antes de começar a escrever: Trabalho para os hotéis Starwood e tenho o direito a uma tarifa MAIS QUE ESPECIAL em todos os hotéis da rede, upon availability. O melhor hotel de Atenas faz parte da nossa rede, um hotel 5 estrelas super bem localizado, com os melhores serviços e toda uma chiqueza que não estou acostumada! Tratamento totalmente VIP. OH, God! E eu vim sozinha! hahaha!

Cheguei no hotel e logo sair pra ver a cidade se mexer. Levei um mapa que não me serviu pra muita coisa. Me perdi inúmeras vezes (menos que em Veneza), mas não vi nenhum problema nisso. Já estava escuro, de noite e de vários pontos da cidade se vê a Acrópolis iluminada. Andei por várias ruas e fiquei impressionada com a quantidade de restaurantes. Um do lado do outro, cheios de gente. E não em uma rua só, em várias. Lindo! Mas eu buscava algo menos turístico, queria alguma "taberna" grega bem particular e com atenienses, e não turistas.

Essas perdidas valeram a pena e aviso: em quase todos esses restaurantes que passei na frente, nas ruas lotadas, te abordam absurdamente pra que sentes e comas ali, mas odeio isso e, ainda bem, passei adiante. A taberna que encontrei ficava no alto de uma coleirinha, tocando música grega e com mesas dentro e fora. Muito charmosa e com um garçom muito simpático que falava um pouco de cada língua, como ele mesmo disse, e depois ainda afirmou : Posso falar um pouco de cada uma dessas, mas a melhor língua de todas é a do olhar.

Encontrei franceses que vem várias vezes por ano há 35 anos e me disseram que encontrei um óptimo lugar, de boa qualidade e não turístico. Do jeito que eu queria! E eu ainda disse: "Je me suis perdue plusieurs fios aujourd'hui… ça a été genial, mais, j'étais déjà fatigue!" e a senhora: "C'est comme ça qu'on découvre la ville". Oui, je sais bien ;) (Eu me perdi diversas vezes hoje! Foi genial, mais eu ja estava cansada" - Mas é dessa maneira que descobrimos a cidade!

E é isso mesmo. Perdendo nos encontramos. E isso eu aprendi em Veneza e nas maravilhas que encontrei em cada esquina no meio das minhas perdidas!

A realidade é que essas minhas primeiras horas na Grécia me fizeram pensar absurdamente em filosofia, historia e mitologia, mas num dos deuses em especial nessa taberna: Dionisio! Traz o vinho!!!









terça-feira, outubro 26, 2010

Resposta a um e-mail sujo

Com quase nenhuma alteração, esta foi minha resposta a um e-mail infame que me foi remetido. A mensagem, sob o título “O que pode acontecer se Dilma ganhar”, era sórdida, esculachava nossa candidata e utilizava a mesma tática de terror e preconceito que o reacionarismo tacanho utilizou às vésperas do primeiro turno. Sabendo que a besta vai sair da jaula novamente, sugiro a todos que não deixem passar. Vamos responder com argumentos a todas as infâmias e, de cabeça erguida, ganhar a eleição e continuar mudando o Brasil!

"Gostaria apenas de responder ao sujeito que enviou este e-mail difamatório, preconceituoso e mentiroso em relação à candidata Dilma Roussef.

As pessoas como você, meu caro, obscurantistas e oportunistas, que agem nas sombras por meio da calúnia e da pregação do medo, felizmente não têm vez no Brasil que está se construindo com a força de centenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras. É um Brasil que você e as elites fingem não ver, porque sentem falta do país atrasado, atrelado e subalterno a interesses das grandes potências estrangeiras, no qual mandaram por séculos.

Sentem falta do Brasil de oito, dez anos atrás: faminto, desempregado, de joelhos e alquebrado, sem auto-estima.

Mas o povo brasileiro não quer de volta essa realidade triste. O povo que lutou e hoje se sente representado no poder não quer devolvê-lo às mãos de uns poucos endinheirados – aqueles que passeiam no Ibirapuera invejando o Central Park, que vivem nos condomínios de luxo sonhando com Beverly Hills. Não! O povo pensa, meu chapa. E o povo quer Lula e o povo quer DILMA!

O que pode acontecer se DILMA ganhar?

- Pode acontecer a continuidade do crescimento econômico a taxas chinesas, a geração de mais de 2 milhões de empregos com carteira assinada por ano, o aumento do salário mínimo acima da inflação.

- Pode acontecer de mais alguns milhões de brasileiros se somarem aos 30 milhões que chegaram à classe média. Pode acontecer de conseguirmos erradicar a pobreza, levando as famílias que ainda estão nessa situação ao patamar das mais de 20 milhões que saíram da miséria no governo Lula.

- Pode acontecer de o Brasil continuar sendo aplaudido internacionalmente como o país das oportunidades, da mobilidade social.

- Pode acontecer de o pré-sal ser utilizado para os interesses do Brasil e do nosso povo e não das empresas estrangeiras, que estão "babando" no canto das bocas engorduradas com as "oportunidades" que terão se o privatista e entreguista José Serra ganhar.

- Enfim, pode acontecer de continuarmos construindo um Brasil para todos os brasileiros e brasileiras. Um Brasil cada vez melhor. Um Brasil que orgulhe a cada um e a todos nós. E isso há de acontecer, porque DILMA há de ganhar!

Obrigado. E NUNCA mais dirija esse e-mail sujo para mim.

domingo, outubro 24, 2010

O laço e o abraço

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando….
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nenhum pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso…
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

Que possamos, sempre, cultivarmos laços.
Que todos os nós se transformem em eu, tu, nós.
beijos no coração.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Reencontro em Veneza

Veneza é de mentira.
Foi o que pensei quando estava chegando ao hostel, andando pelas pequeníssimas ruas. Não era possível ser verdade. Pensava: Sera que existem pessoas que vivem aqui mesmo ou essa cidade foi feita cinematograficamente para despertar magia dentro de ti? Inacreditável!
Ainda mais: andar por ruas onde mapas não servem para nada, enlevando-se (de encantar) em cada esquina. surpreendendo-se todos os segundos com tanto charme e ainda ouvir a língua que foi feita e escolhida como o mais bonito dialeto do mundo (Dantemente falando!).
Descobri que o mágico de Veneza é perder-se. Perdendo-se e apaixonando-se a cada segundo. Pela cidade e, no meu caso e contexto, por mim.
Quando anunciei aos amigos que iria sozinha, metade (ou mais da metade) disse em coro: Sozinha em Veneza??? Um mês e meio depois de te separares? Tás louca ou arrumaste um namorado novo?
- Nenhum dois dois. Ou um pouco dos dois. Loucamente livre e enamorada por mim. Viajar sozinha se torna um vício e não é o destino que vai mudar algo. Poderia ser Veneza, Istambul, Havana ou Las Vegas. O momento que estou vivendo é de completa redescoberta, reencontro e paixão. Preciso de um momento sozinha e comigo mesma longe de Barcelona e Paris neste momento. E poderia ter sido Budapeste, mas Veneza apareceu de uma forma que vai afirmar minha paixão pela Itália e idealmente escolhida para haver um reapaixonamento por simplicidades esquecidas nos últimos 4 meses.
Sendo fãzoca de Nietzsche admirando a filosofia e sua própria "dependência" com a música, como muitos de nós, seres humanos normais (Tudo bem que em sua época música só significaria Wagner); sabendo que sem música a vida seria um erro, imaginem o quão alto fui ao imaginar o que ele quis dizer com: Se eu tivesse que substituir a palavra música, começaria por Veneza.


quarta-feira, outubro 20, 2010

Um natural desabafo


O que me angustia é o conformismo e a falta de capacidade de argumentação que os jovens tem nos dias de hoje.
Em meio a tanta asneira que lemos e ouvimos todos os dias, nas épocas das eleições, nos damos conta que o preconceito anda tão forte quanto a comodidade dos brasileiros em absorver só as informações que lhes convém ou então de aceitar passivamente as mesmas que chegam da maneira mais fácil.

Numa troca de e-mails com a minha avó, outro dia, fiz questão de posicionar o meu descontentamento com jovens brasileiros e em especial um (que me angustia profundamente saber que não existe mais afinidade entre nós).  Me acalmei com a explicação dela sobre minha reação de indignação ser natural pela nossa luta e de ver pessoas cheias de qualidades serem politicamente equivocadas porque não procuraram evoluir.


Não sei se acontece com todo mundo ou se foi meu meio social de quando morava em Belém que me faz ser "obrigada" a ler nas timeline a quantidade de absurdo que leio. Na minha condição de inquieta, é impossível não reagir. Logo eu, que sempre discuti e lutei pelos meus direitos. Confesso que, muitas vezes, até demais.

Eu acho que uma das coisas mais válidas é a discussão sem querer impor e sem ofender. Discutir com pessoas educadas e sábias, ainda que completamente contra ti, é fantástico e um aprendizado tremendo. Onde te faz enxergar melhor o outro lado e pode até te fazer concordar com algumas coisas. Discutir com pessoas inteligentes deveria acontecer sempre.

A minha questão aqui está longe de ser somente política. A minha questão aqui não é pra querer convencer ninguém de ideologia e nem de voto nenhum. Não quero ninguém igual a ninguém! A diferença entre os seres, na minha opinião, é uma das coisas mais belas da vida. 

A minha grande vontade é instigar os jovens a ir atrás de fontes verdadeiras de informação,  argumentar, questionar, refletir antes de escrever qualquer frase cheia de boatos ou então, como tenho visto demasiadamente, cheias de preconceitos. Preconceitos contra tudo! Outro dia li até frases querendo atingir a maneira de piscar de um candidato. Tudo, pra eles, é pra agredir, pra jogar sujo, pra ferir. Usam palavrotas torpes pra designar pessoas como se xingando atingissem mais forte. Mais certeiros! 

Dia desses, fui obrigada a ler isto: "Ganhar é fácil. Receber comida na mesa sem precisar fazer muito por isso. Mas não é assim que se muda os rumos de uma nação...". É sério que os jovens de hoje perderam completamente a noção do que é um ser miserável sem ter o que comer, onde trabalhar, onde estudar e até onde morrer e acham que é fácil receber necessidade básica de um ser humano? 35 milhões de miseráveis agora tem o que comer e essa é a reflexão de um jovem de classe média alta brasileira? Por favor, alguém me diz que eu estou equivocada! Que este comentário foi pertinente sobre a miséria no país.

O que penso que precisamos, todos nós, é tomar muito cuidado pra não tomar posições baseadas em emoções (apenas), inclusive sentimentos de simpatia ou antipatia pessoal, quem sabe social. A fonte de informação precisa ser segura sempre, não somente em período de eleições conturbados por tanta calúnia. Ou, se não for segura, que sejam informações adquiridas de várias fontes diferentes porque sabemos que a mídia brasileira é controlada por empresários pouco interessados na inteligência do povo.

Não é mais fácil controlar a opinião de um povo que é totalmente desacostumado a refletir? Não podemos discutir como quem discute o melhor time de futebol ou escola de samba! Tem que ser sem raiva, mané! É o nosso país e estamos juntos nisso.






quinta-feira, outubro 14, 2010

Rápidos diálogos

Tia: Dilma é alvo de grupos de extrema-direita e neonazistas - O jornalista Tony Chastinet fez um levantamento minucioso sobre a origem de e-mails caluniosos que circulam contra a candidata Dilma Rousseff.

Sobrinha: Tia, e pra mim, ainda pior, é ver meus amigos, pessoas que tem todo o acervo pra informação em mãos, preferirem acreditar nas calunias. Se ainda fossem só os outros... Mas não, o veneno está mais impestado do que imaginamos!

Tia:  Geralmente são pessoas que ou apenas repetem o que ouvem em cas, sem dar-se ao trabalho de pensar por si, ou então querem manter seus privilégios e preferem fazer de conta que acreditam no "mal" que quer equiparar os direitos.
Triste assisti...r e mais triste é ver a hipocrisia estampada.
Pero... no pasarán!


 
 

sábado, outubro 02, 2010

Batimentos.

E meu coração anda tão acelerado com sede de viver que não me deixa dormir com seus batimentos.

quarta-feira, setembro 29, 2010

O meu maio de 68 de 2010.

Minha família é/foi comunista. Sinto o maior orgulho do mundo do meu avô, presidente do Partidão no Pará antigamente. A pessoa mais integra que conheci, no sentido literal da palavra. Integral, completo. Uma das pessoas mais bondosas que já pude ver.

Eu sei bem o que é comunismo, eu vivi a ideologia em casa. Então, se alguém contestar, que seja com inteligencia e embasamento porque o amadurecimento nos deixa flexível inclusive pra aceitar novas ideias. Mas que sejam ideias de verdade.

E, inclinada a militância na adolescência, perdi a prática na juventude. Acabei me mudando de país e nao consegui mais me dedicar. Mas sempre tendo a vontade no coração e o sangue político, que esperneia pelos seus direitos, que não quer admitir injustiça.

Morei na França, o país das manifestações. Não militei, só participei das "manifs" que pude. Me mudei pra Barcelona, onde pensava ficar mais longe dessa gana sanguínea. Me enganei.

Cheguei na Catalunya e não na Espanha. Os catalães são separatistas, lutadores e não são acomodados. Percebi uma semelhança com os militantes franceses desde o início.

Quando, no trabalho, me falaram - Mayra, tens como vir trabalhar no dia da greve geral ou queres dormir aqui no hotel?  - Eu percebi que não tinha escolha. Começando num emprego novo, num país em crise e eu ganhando meu espaço sozinha. Com meu esforço. Em meu período de "prova" iria dizer: Não contem comigo, eu vou fazer greve pelo povo espanhol. Muito lírico e utópico. Eu poderia manifestar depois!

Depois das mais longas 9 horas no trabalho, consegui sair, onde eles, medrosos, fecharam as cortinas com medo dos manifestantes e eu, dentro, querendo estar fora. De um lado, obligée, queria estar do outro. Lutando, gritando, enfrentando a polícia e o governo do meu "mais novo país" como se fosse meu desde que nasci. A luta pela injustiça, a guerra social não pode existir só de onde vim, mas onde estou. Porque quem tem no sangue, tem em qualquer lugar. E sente a dor pelo mundo aqui, ali ou acolá.

Meio sem graça, desajeitada. Enferrujada no "ramo" das manifestações. Troquei de roupa e por "pura" coincidência, estava com uma blusa vermelhinha. Maquina na mão e fogo na pista. Meu coração acelerou! Naquele momento, vendo o primeiro fogo nas grandes latas de lixo, percebi que era aquilo que estava faltando pra mim. Me senti viva. Se acreditasse em Deus, juraria por ele que senti o sangue todo escorrendo e correndo, latejante, em minhas veias. Era ela... A Revolução.

Essa greve geral na Espanha me fez emocionar a alma de arrepios lindos de nostalgia do que nem vivi. Me senti na revolução cubana, em maio de 68, na ditadura militar brasileira. A polícia me empurrou forte, jogou bomba contra nós, atirou com armas de fogo ilusório e de grande ruído pra assustar (era tao nítido o som de bala que eu me senti morta durante uns segundos. Mas era adrenalina!). Correria, gritaria, pedras atiradas, fogo. Muito fogo! Fogo da nossa parte também! Carros queimados, latas de lixo e o que mais fosse possível pra manifestar toda a dor que sentimos no peito contra as injustiças sociais e contra os efeitos do capital. Mas essas policinhas nao sao de nada! São músculos covardes sem ter capacidade de lutar pelos seus direitos. Aliás, eles nem falam nada. Só usam um tipo de apresentação que vai da "trilha sonora" das sirenes até descida dos furgões e em seguida, subir de novo. Parecia um espetáculo de dança. E não os Mossos de Esquadra defendendo algo que nem sabem o que.

Pensei muito em maio de 68, inclusive por ter morado em Paris antes e que foi mais próximo da minha juventude. Só então eu percebi que estou vivendo a Espanha 2010 e não o maio de 68 de 2010. Estou testemunhando e fazendo parte de uma outra época, de uma outra história. Estou horando uma outra luta, com mais maturidade, no século XXI e com outro tema, mas o mesmo sentimento de amor de um revolucionário em qualquer outra época. 

To arrepiada até agora. A Revolução corre nas minhas veias. E é disso que eu gosto! Me senti viva a cada palpitação acelerada do meu coração em meio as sirenes, as ameaças policias. Me senti amiga dos catalães que queimavam o lixos, jogam pedras nos carros de polícia e foram perseguidos. Me senti amiga dos manifestantes todos, de todos os militantes. Senti, cada vez mais forte, o sangue correndo pelas veias.

Esse texto tem edição e continuação. Esse sim!

Vejam o vídeo

http://www.ondacero.es/OndaCero/Mossos-activistas-enfrentan-centro-Barcelona/NWS_10092971

O circulo repetido.

Num Brasil evoluído economicamente, percebo jovens de classe média alta repetindo preconceitos e ignorância opcional.

O preocupante destes jovens é todo o acervo, toda a oportunidade de informação que eles podem ter pra ter embasamento em qualquer ataque, em qualquer defesa de opinião. O acervo desperdiçado, abandonado.

Vejo, todos os dias, críticas de jovens que fizeram parte do meu círculo social no Brasil. Jovens que tiveram as mesmas oportunidades que eu. E nao digo oportunidades de ter a mesma escolha que eu, mas as mesmas oportunidades de conseguir defender uma opinião, de lutar pelos seus direitos, de enxergarem além. Eu sinto dor pelo mundo por existirem pessoas que escolhem ser ignorantes e medíocres. Pessoas egoístas que só conseguem olhar pra elas e nao querem ver um mundo melhor de verdade, dizendo defender algo que nem sabem o que é. (aliás, será que defendem mesmo? Será que dizer que é contra ou a favor de algo sem nem saber os reais motivos é defesa?).


Vejo uma cegueira, um ensaio sobre a cegueira de 2010. Vejo uma cegueira azul em jovens hipócritas e que demonstram cada vez mais não ver o valor do ser humano. Jovens que não votam em Dilma de maneira nenhuma e não percebem o crescimento do Brasil.

Um Brasil que cresce lindamente, que quebra muros, caras e obstáculos. Um Brasil que está melhor que a maioria dos países europeus. O que é isso da parte deles? Ignorância, cegueira, preconceito reacionário, burguês de assumir que um operário, que veio debaixo, foi muito mais capaz do que qualquer um deles? 


Mas como perceber se eles so olham pra ele e tentam escrever algo sobre politica de 4 em 4 anos? Acho triste ver o preconceito barato dessa gente. E acho triste ver que, ainda tentando se defender, essas pessoas nao conseguem nem pontuar uma frase ou concordar um verbo.

O Lula tem mais de 95% de aceitaçao entre os eleitores brasileiros. Sendo dele ou nao. 95% é tão otimista que chega a ser até assutador. Imaginem só, até quem não vota no Lula, o admira.

Eu sinto uma dor enorme no meu peito. Eu sinto.

A Dilma é o retrato do Lula. É a cara do Lula. E a multidão é massa, massa pode ser burra, mas vota em quem faz o bem. Dilma ganha no primeiro turno. E por que será? Antes era competitivo, já hoje... Agora me digam, depois disso, quem é ignorante? A burguesia ou a classe baixa?

Lula fez voltar a classe média, quase extinta.

E hoje, 29 de setembro, acabo de voltar de uma manifestação sabe onde??? No primeiro mundo, o tao sonhado deda burguesia, da classe média e alta. E sabem o que eles manifestam?




terça-feira, setembro 28, 2010

Greve geral na Espanha

Dia 29 de setembro a Espanha vai parar. Literalmente.

Uma greve geral de trabalhadores, consumidores e estudantes está prevista como uma das maiores ultimamente vistas por aqui. Um direito cidadão, um poder que nem todos sabem que tem.

Os espanhóis estão lutando pelos seus direitos, pelas medidas tomadas pelo trono e ministros para amenizar a crise. E não só medidas modificaram os direitos dos cidadão, mas também, contra um governo que não proporcionou o bem-estar social que outros países da Europa conseguiram. ( Mas nada se compara ao bem-estar social francês, que foi cosneguido com muita luta, pelos comunistas, diga-se de passagem).

E eu, que queria estar manifestando junto com esse povo porque agora moro nesse país e, se fosse pelo meu Brasil, estaria nas ruas esperneando pelos meus direitos.

Mas não posso. Tenho que trabalhar, de bicicleta, 6 da manha porque os transportes não vão existir. Tudo isso porque ainda estou começando no trabalho novo, estou fazendo com que eles confiem em mim e preciso mostrar força de vontade pra trabalhar nesse país que sofre uma grande crise e não tem oferecido emprego nem pros próprios espanhóis, quem dirá pros estrangeiros. E eu, brasileira, tenho um emprego lindo que não quero e nem posso perder agora.

Vou trabalhar sem uniforme porque existem os "piquets" que impedem as pessoas de trabalhar no meio da rua. Ficam a paisano por aí, como se tivessem o direito de impedir a vontade própria de cada um. Vou trabalhar tomando cuidado, todos em alerta porque eles podem atacar o hotel, os piquets, querendo fazer com que seja um dia de manifestação geral e onde nao pode haver trabalho.

O que fazer?

http://www.huelgageneral.net/

segunda-feira, setembro 27, 2010

Já da raiva de aforismos toda hora, imagina de quem "copia" o unico que te descreve e a massa ainda nao descobriu?

domingo, setembro 26, 2010

De que adianta presentear os girassóis mais lindos e ficar num vai-e-vem de sentimentos por respostas não esperadas, de falar o que não deve ser dito e de arrependimento pelo impulso?

quarta-feira, setembro 22, 2010

Prática

Praticar para melhorar.

Essa é a frase seobre os textos, os escritos. Escrever. Treinar.

Chegou uma nova fase pra esse blog abandonado.

Chuva pós verão

Finalmente o verão chegou.

Antes dele, dias de praia sem sol forte, desejando só mais uns "5 grausinhos" pra esquentar toda aquela frieza que, ainda vindo do inverno, inundava a primavera.

Paris me trouxe muita coisa boa, mas... Me deixou um trauma. Trauma dos invernos de 14 graus negativos, insistentes. Cinza, chuva, frio. Invernos onde entendi o quanto frio dói no osso, na cara. Invernos em que tive medo dos meus cabelos congelarem por ter saído com eles molhados pelas ruas. Invernos preguicentos, melancólicos.

Mudei de cidade, de país, de vida. Barcelona chegou e, com isso, além do cosmopolitismo, das cores; chegou também a praia e o lindo mediterrâneo. Chegou o céu azul-barcelona (cor inventada pra descrever esse céu incriticável que só quem veio aqui, conhece).

Os dias de verão foram intensos, longos e lindos. Mas o trauma do final do verão permaneceu em mim... E os ultimos dias de verão foram aproveitados como se fossem ultimos dias de vida. Bastava um solzinho aparecer que era rua, praia, bicicleta, patins, corrida. Ar livre! Os raios solares ainda fortes me faziam esquecer de mim, esquecer de algumas obrigações pra correr pra aproveitar os ultimos "calores" do ano.

E os dias foram continuamente lindos que um dia de chuva nao era pesar. Virou alivio por poder ficar na cama até mais tarde. Alívio de poder resolver as coisas pendentes sem ficar angustiada pensando: Mas o dia está tão bonito lá fora e eu aqui... 

quinta-feira, agosto 19, 2010

Saudosa Belém

“Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu”.




Oh, minha amada cidade, são versos da canção “Pedaço de Mim” de Chico Buarque de Hollanda: uma triste música que reflete com precisão cirúrgica a desventura de milhares de mães – que são tuas filhas. Quantos quartos teus precisarão ser arrumados, Belém?

No sombrio ranking das capitais mais perigosas do Brasil, figuras como a quarta mais ameaçadora. Mas se considerarmos a totalidade de municípios brasileiros, tu, uma capital, estás no trigésimo quarto lugar. Um detalhe: existem aproximadamente cinco mil e quinhentos municípios no nosso país!

Minha querida Belém, o que fizeram contigo? Transmudaram-te. Vejo-te ainda um dia como costumavas a ser? Sinto uma saudade enorme de andar tranquilamente por tuas ruas. Saudade de poder andar por ti pensando em mim. Por que te abandonaram? Por que me abandonaram?

Precisamos resgatar-te, assim como o orgulho que sentimos por sermos teus. Chegamos a um nível crítico e insustentável de insegurança e de desgraça social. Confesso que já senti pavor por morar em ti. Mas o descaso com que foste e tens sido tratada fez nossa passividade ser substituída pelo ativismo. É, Belém, vamos nos unir para te dar de volta aos nossos filhos. Tu és bela e nossa!

Nós, o povo que te habita e que te ama, nos organizaremos e cobraremos com efetividade aqueles que te “governam” (nem governam a si mesmos, não é, cidade querida?). Nós precisamos fazer isso – por ti, por nós e pelos nossos. Não nos calaremos outra vez. Na verdade, reivindicaremos, sem medir nossos esforços, o direito de ir e vir com segurança por baixo de tuas mangueiras. Deixaremos de ser reféns, reconquistando a nossa e a tua liberdade.

Recuperaremos o prazer de viver em ti. Prometo que ainda poderemos sentar à frente de tuas casas e saborear teu açaí, teu tacacá e ótimas conversas. Iremos aos próximos Círios de Nazaré e não nos preocuparemos com roubos e furtos em tuas avenidas, em plena comemoração religiosa.

Foste desprezada. É muito triste te dizer isso. Mas podes ficar esperançosa. Com nossa ajuda, também farás a tua parte e formarás cidadãos dignos e conscientes de teu valor. Essas pessoas sempre lutarão pelo direito de te ver linda e segura, como um dia foste, minha querida Belém.  


Yuri Jinkings

sábado, julho 03, 2010

Um outro Marx. Falando de amor. Lindamente.

"A separação momentânea é boa porque o contato constante faz com que as coisas se tornem muito monótonas, semelhantes e difíceis de serem distinguidas. Até as torres não parecem tão altas quando vistas de perto, ao passo que as coisas pequenas e cotidianas da vida crescem sobremaneira. Assim acontece com as paixões. Os hábitos tradicionais, que mediante a proximidade se apoderam do homem por inteiro e adquirem forma passional, desaparecem assim que seu objeto imediato perde-se de vista. As grandes paixões, que em virtude da proximidade de seu objeto se convertem em hábitos tradicionais, crescem e recuperam seu vigor sob a influência mágica da distância. Assim é com meu amor. Tal como o sol e a chuva quando agem nas plantas, o tempo só faz com que ele cresça. Meu amor por você, quando você está longe, surge tal como é na realidade: um gigante, que absorve toda a energia do meu espírito e todo o ardor do meu coração. Por sentir uma grande paixão, sinto-me de novo um homem.A diversidade de temas em que o estudo e a cultura moderna nos enredam, tanto quanto o ceticismo com que necessariamente viciamos todas as impressões subjetivas e objetivas, têm o dom de nos tornar pequenos, fracos, ranzinzas e indecisos. Mas o amor – não o amor pelo homem feuerbachiano, não pelo metabolismo de Woleschott, não pelo proletariado, mas o amor pelo amorzinho, ou seja, por você – transforma novamente o homem em homem".

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Apreciaçao

Talvez apreciaçao seja a palavra certa para Paris. Apreciar a arte, a vida, degustar, sentir cheiros, cores e sabores.

A apreciaçao precisa ser compartilhada. Talvez como a felicidade que parece ser mais felicidade quando dividida, "cumplicitada".

E' necessario encontrar pessoas com o mesmo intuito, com a mesma visao de mundo. E' importante ter prazer e ver prazer nas coisas. Inclusive neste domingo cinza e chuvoso lindo depois de uma boa dose de arte.

Imaginem: Depois de um museu magnifico, chuva e cinza num petit restaurante em Saint-Germain-de-Près charmoso. Vinho rosé geladinho, gastronomia magnanima e a companhia da amiga, grande amiga, de mesmo nome.

sábado, julho 11, 2009

Sincronicidade e amor

"É errado, portanto, censurar um romance que é fascinante por suas misteriosas coincidências (...) mas é certo censurar o homem que é cego a essas coincidências em sua vida diária. Pois sendo assim, ele priva sua vida de uma nova dimensão de beleza"

(A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera)

segunda-feira, maio 11, 2009


E passou o inverno... Os primordiais pequenos calores da primavera chegando uivando, cheios de furia ainda fraca, querendo tomar conta dos dias. Esses calores tao antigos quanto um primeiro suspiro. Calores estes que me fazem nao poder deixar de sorrir. Mesmo sem me olhar ao espelho, sei que é um sorriso que tem a imbecilidade dos cupidos, dos anjos.

Muito antes de nascer esta "nova" estação ja havia algo anunciado...

E' impossivel!!! Impossivel que a doçura da primavera, dos ares, das cores nao traga outras! E digo com o coraçao nas maos.
Impossivel... Impossivel que esse novo ar nao traga mais amor ao mundo -- Meu coraçao repete partido todo em secura, pedaçoes de sangue duro e podre. E ele nem consegue reconhecer que isso, essa vontade, ja é um pouco de amor nascendo.

Isso TUDO, esse tudo, parece muito pra um coraçao enfraquecido que andava suportando o menos, o frio, o cinza.

quinta-feira, abril 16, 2009

Texto da dupla Mayuri.

Palpitam em mim todos os cantos, partes, pedaços (e sempre foi assim). A anatomia é maluca. Sinto, e muito, em tudo. Dentro e fora. Nas extremidades, no mais fundo. No mais Escondido e obscuro de mim.

Meus reencontros comigo mesma sao ao mesmo tempo, dolorosos e exuberantes. No inicio, é essa dor comparada a aprender alguma coisa nova, uma sensaçao de incapacidade de cumprir o objetivo. Mas depois de um tempo, sinto muito forte a felicidade clandestina de me reencontrar. Depois de processar e digerir acontecimentos, perdas, sensaçoes e situaçoes, o que me resta e quase o colapso de reflexao pra tentar evoluir.

E somente um euforico reencontro (de dentro) é comparavel à dor da saudade. Saudade é sentida fisicamente, nao é mesmo ? Eu, acho que como todos, sinto no peito (literalmente) quando alguém me faz falta. A verdadeira falta. Sinto todos os dias a dor maior no peito da saudade dos meus.

Pra mim, é muito maior do que uma dor fisica de queda, de quebrar a perna, de torcer o tornozelo jogando bola. E’ maior do que me queimar cozinhando, é maior do que ter que me depilar sozinha. E’ muito maior do que muita dor genuinamente fisica. Sentir saudade de um amor que acabou ou de uma pessoa querida que se foi é demasiado doloroso, mas tristeza mesmo é sentir falta de si mesmo.

Sentir saudade de si mesmo é nao se reconhecer. E’ estar longe de sua propria essencia. Olhar pra dentro e nao reconhecer suas proprias atitudes. E’ nao saber onde anda aquela velha e gostosa sensaçao de bem-estar consigo. De encontrar os pequenos prazeres da vida na sua propria solidao (a solidao boa, e nao a ruim. A solidao intrinseca do ser humano, que é de verdade e muito boa). E’ de ter que fugir pra fingir que se achou. Sentir saudade de si mesmo é mentir pra dentro, que é a pior mentira de todas. E la dentro, continuar se perguntando como voltar a ser feliz.

Por isso que tomar uma xicara de cha de si mesmo todos os dias é lindo e cheio de dor. E’ moderado e necessario…

Ter a percepçao de que te perdeste de ti é sofrido, mas quando te das realmente conta de que te perdeste e te angustias, é também o maior impulso para ter a consciencia de que é preciso reencontrar-se.

No’s somos os nossos maiores parceiros… E é pra toda vida.

E é por isso que vibra dentro de mim a satisfaçao de ver que posso sempre tentar, posso sempre melhorar, posso sempre me ser. Posso, pra sempre, me ter e contar comigo mesma. A cada dia de autoconhecimento, sigo mais confiante, mesmo assustada com obstaculos que vao sempre passar pelo meu caminho.

Um viva a nos mesmos !

sábado, janeiro 10, 2009

As vacas desesperadas.

E chegamos às discussões piegas, aos lugares comuns e aos clichês da sociedade moderna. Mulheres que se dizem independentes e modernas discutem sobre amor, sobre sentir, viver, liberdade, felicidade e vazio. (às vezes elas só falam disso: homens, relações, homens, homens, sexo, homens – Só falam disso! Urgh!).

Muitas delas bem confusas contradizem-se em cada colocação seguida de uma afirmação medíocre. Tentam mostrar a atitude "sou solteira e sou feliz" e, na verdade, se pegam solitárias no meio da multidão porque tudo o que mais queriam era conseguir encontrar alguém bacana pra ficar ao seu lado. Querendo mostrar ao mundo que são felizes e satisfeitas, ocultando sua carência emocional e afetiva, só conseguem nos fazer remarcar que elas estão vivendo um caminho completamente ao avesso disso. Estão sendo felizes e satisfeitas às avessas tentando ocultar a carência e o desespero sem nenhum sucesso. Elas não possuem nenhuma harmonia enquanto mulheres; nem interna e muito menos externa. Entende? Patético!

Parece que vemos hoje em dia uma disseminação de "sex and the city 2008", onde as caboquinhas insistem em querer mostrar ao mundo a independência, modernidade e liberdade que vivem, acabando por serem ridicularizadas pelos outros porque a idéia inicial poderia até ser magnânima, mas as seguidoras não conseguem dar um passo com firmeza pra lutar de acordo com a filosofia que elas fazem tanta questão de gritar ao mundo. Repugnante, no mínimo.

Na verdade, é repulsivo porque achando que estão saindo de Eu-não-to-nem-ai, as bichinhas estão pagando o papel mais ridículo da historia da mulher contemporânea. Sabe o que parece? Parece que elas não têm amigas pra dizer: Ei, para ai! Olha que papelão! Pode ir parando com isso porque tu tas sendo contraditória, desesperada e ridícula.

Ser mulher moderna e livre hoje em dia não significa ser só. Alias, o feminismo nunca foi mostrar ao mundo com quantos caras tu podes ir pra cama ou então como podes lutar contra as tuas inseguranças histéricas. Não! O feminismo e o “segundo sexo” sempre tiveram assuntos muito mais importantes a tratar. Não é sendo puta que vais provar pra alguém que és mulher. Ser mulher é muito maior que isso.

O ser humano possui uma característica que o diferencia dos outros seres que se manifesta pelo saber e pela consciência. E ser humano é saber e assumir que sentimos. Diferenciamos-nos porque sabemos que sentimos. Não adianta negar, a busca do ser humano é o amor e quando nos frustramos diante de uma relação costumamos ter reações estranhas. Fuga! O mais difícil disso tudo é aceitar reações de maternal vinda de mulheres, eu disse: mulheres (porque estamos vendo uma mulher feita ali). Olhamos o arquétipo de uma mulher e um interior pré-adolescente.

Não adianta negar, eu mesma quando eu tinha 15 anos, eu jurava que minha vida profissional ia ser suficiente e satisfatória. Bastaria-me, inclusive. Talvez eu até entenda algumas atitudes porque já fui adolescente. Mas depois de viver vinte e cinco anos, já somos adultos e maduros o suficiente pra poder afirmar, a partir de conhecimento empírico e até cognição metafísica que não existe nada que nos torne mais humanamente felizes do que o amor. Amor em suas mais variadas formas. Isso: Família, amigos, amores, vida, cores, sensações, paisagens, musica, livros, filmes e principalmente, amor-próprio.

A mulher histerica. Ou o ser humano.

A questão do desejo, que para a histérica está além de suas demandas, pois nada pode lhe ser dado com a finalidade de aplacar sua constante e insaciável rede de queixas. Trazendo consigo como características o ideal de perfeição, o discurso idealista, a marca da insuficiência, a histérica nos mostra que frente à sexualidade não há saber, e que ela vive inevitavelmente num estado latente de insatisfação que não se restringe unicamente ao registro sexual, mas que se estende para totalidade da vida. Quando mais insatisfeita ela é, mais protegida das ameaças de um gozo que para ela pode ser um risco de desintegração e loucura.

Enquanto continuam à procura desse ideal de perfeição, tanto corporal quanto intelectual e emotivo - sua marca patente é a insatisfação, pois a histérica não corre atrás de seu desejo, mas visa um ideal, e por isso está sempre se queixando, tecendo justificativas para continuar naquele lugar de manter o outro idealizado - seu gozo continua como sempre em busca de reconhecimento, e na sua procura excessiva e contraditória, na sua tristeza mal compreendida, ela é criticada por uns e medicada por outros (...).

A histérica precisa ocultar sua falha, para isso ressalta todo o resto, constituindo assim um jogo de ocultamento/superexposição. É nessa superexposição que ela não deixa lugar para que ocorra um encontro com a tão temida e angustiante falta e essa estratégia nos diz de um terror ao desamparo, forma máxima do nada. Faz-se necessária, por uma questão de sobrevivência psíquica, a crença de que alguém pode ter o falo, completude, forma máxima do tudo: essa é a busca da histérica, o tudo por terror ao nada.