quarta-feira, junho 13, 2007

Primavera EM Praga - Parte II






Tudo começou com a Perestroika e a Glasnost do Gorbachov (alguém se lembra?). Logo depois da Primeira Guerra Mundial, as nações tcheca e eslovaca uniram-se em decorrência da fragmentação do Império Austro-Húngaro. Algo semelhante ao que aconteceu com a União Soviética muitos anos depois. Mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, a Tchecoslováquia tornou-se um país comunista ao ter sido libertada do domínio nazista pelas tropas soviéticas. Nos anos 60 foi se tornando, discretamente, um país comunista mais liberal, moderado e de conotações democráticas. Conhecido movimento de conotaçoes suaves, "A Primavera de Praga" foi marcante. No final dos anos 80 , as reformas desencadeadas por Gorbatchev na União Soviética motivaram e favoreceram o movimento denominado "Revolução do Veludo", que sem qualquer violência e sem tiros promoveu profundas mudanças políticas e econômicas no país. Mais ou menos como a distensão ocorrida na Ditadura militar no Brasil na década de 70, com os movimentos “Diretas Já”, “Distensão” e “Anistia”. Em 1990 o país se tornou finalmente democrático ao eleger Václav Havel seu primeiro presidente e conduzindo o país às reformas econômicas e políticas que acabaram por separar, em 1993, a Tchecoslováquia em dois Estados: a República Tcheca e a República da Eslováquia.










Praga pode até parecer, à primeira vista, mais uma linda capital européia entre tantas outras.



Definitivamente, não é. Praga é muito mais. Não se trata de uma cidade apenas atraente, é uma belíssima cidade, entre as três mais bonitas cidades européias. Antes era quase inexistente o turismo, era muito difícil entrar no país, quase impossível. E essa é a razão porque o mundo descobriu Praga e todos resolveram vir conhecê-la de uma vez.
Em 96 a cidade ainda tinha um forte “ranço” comunista. Mas dez anos depois vejo que o mundo que descrobriu Praga enviou uma horda de turistas, de mochileiros a abastados, de bermuda colorida e câmera no pescoço a japoneses e sul-americanos. Em comum a todos, o encantamento.



A República Tcheca é um país bem pequeno, dividido em duas regiões: a Boêmia e Morávia. Além da capital é um país com pequenas e lindas cidades e inúmeros castelos medievais daqueles mais autênticos.










Jornalistas, articulistas e escritores costumam apelidar Praga como “Jóia rara”, um entre os jargões meio bregas que eu até compreendo o entusiasmo de quem os criou (até porque sou mais uma encantada com essa cidade), mas que detesto. Mas, se assim for, se eu tiver que inventar um, acho que Praga é muito mais que uma jóia rara, é uma caixa cheia delas! Os outros apelidos inventados pra promover a cidade são “Pérola do Oriente” (argh!) e “Paris do Leste” (que, sinceramente, a diminui). Para Goethe, era a "jóia de pedra". Eu gosto é do que disse Franz Kafka, o escritor tcheco mais famoso: "Praga não deixa a gente ir embora, esta velha tem garras". E que velha sedutora essa!


Enquanto escrevo essas mal traçadas linhas me recordei de um texto logo de quem?, Franz Kafka!, a respeito justamente de viajar. Fui nos meus alfarrábios eletrônicos (Meus Documentos no notebook) e “pesquei” algo que eu tinha guardado:
"Estar sentado num vagão de trem, esquecer disso e viver como se estivesse em casa. Mas de repente lembrar de onde se está, sentir a força do trem que nos transporta, transformar-se em viajante, tirar da mala um boné, tratar o companheiro de viagem com mais liberdade, deixar-se levar até a nossa meta sem esforço, sentir isso tudo como uma criança, tornar-se o favorito das mulheres, sentir-se incessantemente atraído pela janela, colocar ao menos uma das mãos no peitoril. A mesma situação, mais precisamente delineada: esquecer que se esqueceu, transformar-se num instante em uma criança que viaja sozinha num trem expresso, e em redor de quem o vagão, fremente de impaciência, se materializa em pormenores fascinantes, como se surgisse das mãos de um mágico." ( FRANZ KAFKA Diários de Viagem, 31/07/1917 ).
































quarta-feira, junho 06, 2007

Primavera EM Praga - Parte I


Vá a Praga, ao menos uma vez na vida. Você merece!


Eu acho que ninguém deveria deixar de ir a Praga ao menos uma vez na vida. O único problema é que se vc fizer isso antes de conhecer outras capitais européias poderá achá-las, essas sim, apenas mais umas entre tantas outras bonitas.

Quem conhece Praga certamente não se surpreenderá tanto com outra capital européia. Ah, é claro que Paris é "hour-concours", mas, mesmo assim...


Alguém já escreveu que Praga é uma "Disneylândia pra adultos". Eu não concordo com a afirmação (já pra definir Las Vegas, acho perfeito!), a não ser pelo o encantamento que proporciona, não pelo quesito "diversão".

Praga é verdadeiramente encantada, exótica, mística, misteriosa, meio lúgubre. Com igrejas fabulosas , torres góticas monumentais, templos barrocos belíssimos, pontes românticas, cúpulas douradas ou esverdeadas, torres medievais, quase tudo bem perto de um rio bonito, o Moldávia (ou Vlatav, na língua esquisita deles).
Cidade dos mais variados estilos arquitetônicos – do românico ao gótico , do renascentista ao barroco , do classicista ao Art-deco , do rococó ao renacimento , do moderno ao Art-nouveau . Ao mesmo tempo, verde. Colinas, praças, jardins, ruas largas, edifícios hiper-modernosos, caramanchões, torreões, pérgolas, pavilhões, estátuas de todos os tipos, palácios, palacetes, casarões, teatros, salas de concertos, museus, galerias.... enfim, uma cidade extremamente equipada pro interesse turístico e cultural, bastante fotogênica. Aliás, um paraíso para os fotógrafos amadores e profissionais.
Se Praga for a tal " Disneylândia pra adultos", é especial para arquitetos e fotógrafos. Acho mesmo que todos os arquitetos do mundo passaram por aqui, ou exibindo suas obras ou admirando as dos outros. É de fato impressionante a qualidade e bom-gosto da arte aplicada na arquitetura e na ornamentação.
Sem exagero, essa " velha sedutora" está ainda mais enxuta, mais atraente do que há dez anos, impecável. De botox a lifting, de silicone e malhação, ela fez de tudo pra não deixar tão evidentes as marcas do tempo. Em termos de manutenção, conservação e renovação, seguramente Praga se equipara a Paris e fica há anos-luz de Roma e Veneza.
Quase todos os seus monumentos e construções estão restaurados, bem cuidados, renovados, desde a pintura aos rococós e firulas. Tenho a impressão de que está ainda mais luxuosamente adornada por decoração arquitetônica desde as mas discretas àquelas mais evidentemente atraentes.
Das monumentais igrejas góticas e barrocas até as volutas, os rendilhados, rococós e penduricalhos art-nouveau, tudo encanta, tanto pela qualidade quanto pela beleza e elegância. São incontáveis firulas decorativas e ornamentais dignas de deixar um arquiteto ou esperto em ornamentação, de queixo caído. Lindo, tudo lindo...
O tcheco é uma lingua muito esquisita. Mais do que isso, é incompreensível. Extremamente rica em consoantes e pobre em vogais.
Dizem que é uma das linguas mais difíceis de se aprender, do Velho Mundo. Acho que nao perde pro Hungaro, que dizem ser a unica lingua que o diabo respeita.
Dá pra pensar em compreender algo escrito e falado assim?:
Veselým tanečkem a pásmem říkanek oslavily děti se svými učitelkami otevření nové mateřské školy v Bělohorské ulici v šesté městské části
A republica Tcheca é dividida em duas regioes: Moravia e Boêmia. Praga é a capital da Boêmia. da pra imaginas as cervejas que saem de la, né? E barata. Uma delcilia. Foi na Republica Tcheca que surgiu o Absinto. Nao quero nem me lembrar do meu estado sabado!
Apaixonante. Volto, com certeza!!!
(continua)