quarta-feira, junho 28, 2006

Desabafo de uma moradora doquense.

Ainda bem que falta pouco tempo pra eu me mudar dessa merda. Cuidado que vem palavrão nesse texto! Ainda mais porque a trilha sonora que existe nesse exato momento é pra tirar qualquer ser humano do sério.
Na minha singela opinião, vir “passar o tempo” na doca é caboquice. Cafona!!! Breeeeeeeeeeega!!! O que leva pessoas a virem cheirar vala? Encostam-se ao valão da mangueirosa a mercê de serem atacados por baratas (já mencionei meu ódio em relação às baratas, não é?), ratos ou qualquer inseto/animal que viva na sujeira e no fedor. Não sei como não existem porcos saltitantes aqui na grande vala.
Não consigo assimilar tamanho absurdo. Assim como não consigo entender o gosto musical destes mesmos freqüentadores assíduos doquenses. Entendo muito menos a necessidade de tantas caixas de som num único veículo automotor. Sempre afirmei que a qualidade musical é inversamente proporcional a quantidade de caixas de som de um carro. Com o passar dos anos só consigo ratificar o que havia dito.
A minha indignação aumenta ainda mais pelo SIMPLES fato deu morar no primeiro andar do primeiro “bloco” doquês! Pra piorar tudo o meu quarto é o da frente, isto é, a janela do meu quarto tem como paisagem essa belezura sonora (Isto mesmo. A porra da "paisagem" é a música escrota!!!). Minha cama treme! Não existem tampões de ouvido capazes de me confortar. Não há possibilidade de ler nenhum livro, muito menos de ouvir nenhum filme.
Agora ando tendo que suportar esses maldiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitos em todos os jogos da seleção. Haja paciência! “E o nosso amor se transformoooo--- oooo--- uô” é pouco, rapaz! “Um dererê ê ê, undá raá ráaaa”. Se o Brasil ainda estivesse dando um show de bola eu me conformaria um pouco. Mas só um pouco. Mas esse Parreira não faz nem esse favor. Imbecilzão e teimoso!
Por que essa galera esperta não se muda, pelo menos pro último bloco doquense? Lá não existem tantas residências!!! Doido, uma trégua! Se locomovam. Sumam daqui. Não é possível que em plena terça-feira, meio-dia exista tanta alegria pra comemorar em pleno sol quente e breante desta cidade próxima à linha do equador. (reduntante e repetitiva)
Ai, chega! Não consigo me concentrar nem pra escrever! Ó irritação. Banho gelado pra esfriar a cabeça. Tchau, tchau, tchau. ;)


P.S.: Até melhorei depois deste desabafo. Acho que foi a esperança do tempo passar mais rápido pra eu me mudar daqui. Mas coitados dos outros moradores. Antes eles do que eu. Passa tempo. Passa.

segunda-feira, junho 19, 2006

.: vou nascendo do meu vazio .ou. só narro meus nascimentos :.
A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos.. Sua beleza é triste e nostalgica porque, sendo moradores da nossa alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, uma maneira de olhar, ou um jeito da mão) que sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuidos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que no quadro está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não existe coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais. Neruda dizia que ele seria capaz de devorar o universo inteiro. Nas palavras da Adélia Prado, "para o desejo do meu coração o mar é uma gota". E o amor se revela então como a coisa mais triste. Cedo ou tarde, descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma.
E só restará a ela se alimentar da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...
"Os livros na estante já não têm mais tanta importância.
Do muito que eu li, do pouco que sei, Nada me resta.
A não ser ..."

Copa do Leão. O mais querido!

sábado, junho 17, 2006

A felicidade mora num mundo pequeno seu e não naquele grande que faz você se perder demais.

A felicidade é simples, e quando você descobre isso ela deixa de ser uma espera e passa a ser um minuto, um segundo. E é de minutos e segundos que se faz a vida. E aí você perde menos tempo esperando e mais tempo vivendo.

Entre o piegas e o chavão, é assim que ando por aí vivendo a vida intensamente sem esperar momentos intensos. Você já tentou? Já tentou não imaginar a sua felicidade na outra festa que você estaria se não estivesse nessa e encontrar a sua felicidade onde você está? Tente, pode ser numa música boba, pode ser num amigo que você não via há muito tempo. Pode ser morrendo de rir de uma noite que tá dando tudo errado, por que não?

quinta-feira, junho 08, 2006

Muito música

Eu sou muito música. Não do tipo "minha música". Mas sou aquele tipo de gente que acha que a vida deveria ter melodia o tempo todo.
Acordo ouvindo música. E o gênero? Depende muito do meu humor. Pode ir do heavy metal até bossa nova. Mas nada do tipo "eclética", por favor. Isso pra mim é falta de opinião.
Música passa uma energia muito louca. Desperta sensações que não são descritíveis. Eu, pelo menos, não consigo narrar. E se alguém nunca sentiu isso, eu desejo que sinta. Com todas as forças do meu ser. Com toda essa energia que eu tô sentindo agora escrevendo esse texto com uma dessas músicas no repeat.
Fico me perguntando em alguns minutos como será que elas se tornam viciantes a ponto de não conseguirmos enjoar mesmo ouvindo muitas vezes seguidas.
Há algum tempo eu não sentia isso e de uns tempos pra cá comecei a ouvir jazz com muito mais frequência, apesar de não ser conhecedoooooora. Eu gosto mesmo. Sempre me passa paz, além dessa felicidade que me faz parar quase todo o resto do que estou fazendo pra apreciar a tal boa música.
Mas é óbvio que em alguns casos, alguns acontecimentos vividos com a trilha de fundo ajudam a desencadear o vício. Não sei se foi isso também que me despertou mais ainda a vontade de não parar de ouvir essa música. Essa de hoje. Essa da semana, desde segunda. Essa que na verdade eu queria que ficasse pra vida toda. Não quero enjoar............................................ Eu já estava viciada nela. Mas não deste jeito. Inclusive quem saiu comigo no domingo percebeu que eu voltei 234589275839026465482092 milhões de vezes a coisinha e pra completar segunda ainda.... opa opa opa!
Ouvir música dirigindo faz muito bem também, né? Sempre quando eu tô na rua vejo alguém rindo de mim. Eu coloco alto mesmo, canto, grito, coloco tudo pra fora. E rio. Sozinha. Felicidade nao se esconde assim. E quando vejo alguém rindo, eu sei que não é me tirando. É quase um compartilhamento daquele meu momento. Contagia. Esse tipo de felicidade contagia e eu queria contagiar o mundo com o que eu tô sentindo agora!
E, por coincidência, olha o que diz a música.
If there's music in the night, and it's really, really right, I's the only thing I need.
it intoxicates your mind. All your troubles left behind. So come on and take my lead.
It's not just me who feels it. Music plays a mind trick. Watch me forget about missing you
Vou apertar no pause. Não quero realmente que passe.
Depois clico no play de novo.
Tim tim.



"Não acabarão com o amor - nem as rusgas - nem a distância - Está provado - verificado -
Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento - Amo firme, fiel e verdadeiramente".
(Maiakovski)


_________


Foto tirada na exposição sobre Futurismo de Vanguarda da Fundação Joan Miró, autor: Aleksandr Rodxenko.
Barcelona, 2006.
Brilhar para sempre
Brilhar como um farol
Brilhar com brilho eterno
Gente é pra brilhar
Que tudo mais vá pro inferno
Este é o meu slogan
E o do sol.



(Maiakovski)

segunda-feira, junho 05, 2006

Edukators

Assistam “Edukators”. Não posso afirmar que é o melhor filme que vi neste ano que passou, mas posso indicá-lo como surpreendente. Adorei o drama que, não por acaso, foi a única produção alemã a ser selecionada para o Festival de Cannes em uma década, o que diz muito sobre o cinema alemão ou sobre Cannes, você que sabe. Bom, “Edukators” é um prato cheio pra mim, um animal político. Recomendo que você veja a película com amigos de várias vertentes ideológicas e depois bata um longo papo. Recomendo.

A história do filme gira em torno de três jovens revolucionários que invadem mansões enquanto os seus proprietários estão fora. Sem roubar nada, mudam os móveis de lugar e deixam mensagens do tipo “Vocês têm dinheiro demais”, com o intuito de assustar os porcos capitalistas. Mas desde o princípio podemos observar a ingenuidade dos jovens que possuem valores amorosos pequeno-burgueses até. E a gente gosta deles!!!

Até que aparece um tal desses ricaços que estava intrinsecamente ligado à história. Vários acontecimentos inesperados surgem e este tal ricaço tem que ser seqüestrado por eles, pra piorar tudo, eles descobrem que o sujeito já foi um idealista como eles na época em que era normal sonhar com revoluções. E agora?

O filme poderia ser ultramanipulador e fazer do milionário um vilão detestável e dos jovens nossos heróis românticos sem contradições. Mas não é o que acontece. Claro, a visão do ricaço me pareceu indefensável. Pra quê trabalhar tanto e acumular coisas que nem se tem tempo pra usufruir? Ele diz que é da natureza humana competir e querer juntar mais e mais. O mais legal é que um dia antes ouvi esse mesmo argumento de um amigo rico meu. Tal justificativa é das mais furadas, já que nada é natural, tudo é construído. Somos adestrados pra acreditar que o que martelam na nossa cabeça nasceu conosco. E o que é natural não pode ser combatido, uma grande falácia.

Eu realmente fiquei pensando em várias partes do filme como seria o final. Utópico ou piegas demais?O fim é um dos trunfos do roteiro por amarrar muitíssimo bem todos os temas.
“Edukators” usa a inteligência pra nos provocar enquanto brinca com nossos preconceitos, inclusive os cinematográficos. Por exemplo, tem uma hora que o ricaço some, e um dos jovens entra num quarto pra procurá-lo. Nossa imaginação nada fértil após tanta doutrinação hollywoodiana nos diz: pronto, agora o milionário nocauteia o revolucionário e foge. Nada disso. As provocações ideológicas vão mais longe ainda. Uma garota trabalha como garçonete num restaurante de luxo, onde é maltratada por uma elite asquerosa que acha que certo tipo de bebida só pode ser servida em certo tipo de taça. O filme nos surpreende, nos angustia em alguns trechos. Mas é muito diferente de qualquer filme que chegue num lugar-comum americano.

“Edukators” não se acanha em falar de dinheiro, mesmo sendo subentendido de esquerda. Assim: uma personagem bateu sem querer numa Mercedez. Ela calcula quanto vai precisar trabalhar pra saldar o prejuízo de cem mil euros. Dá oito anos. Imagina quanto tempo isso seria no Brasil, um país onde a distribuição de renda é muito mais desigual que na Alemanha. E por aí vai. “Edukators” é, no fundo, cinema de entretenimento. Mas também altamente educativo. Afinal, não é todo dia que um filme nos lembra que o coração é um órgão revolucionário.

Tim Tim.

quinta-feira, junho 01, 2006

Histórias de uma torcedora fanática (e azarenta)

Eu disse que contaria sobre minhas peripércias quando vou pro campo. Quando eu afirmo que tem coisas que só acontecem comigo...
Há uns dois anos, eu fui (ao) pro campo assistir um Re x Pa. Mas era domingo e a ressaca tava braba! Normalmente quando eu vou domingo pro campo é assim. Ainda mais do lado do Remo... Torcida no sol. Suando mais, lógicamente! Mangueirão Lotaaaaaaaaado! Final de campeonato! Chegamos tarde, eu e mais duas amigas! Só tinha ligar na rampinha subindo, uma cagada de homem (velhos, cabocos, novos) mexendo com a gente! Todas enjoadas! Argh! Mas é isso aí! Fenômeno azul na parada! Até a morte =O
Pra que??? Terminou primeiro tempo e nós nos afastamos pro lado direito! E pensamos "Pegaaaa, conseguimos espaço". Termina o intervalo e eu me dei conta: Lú, Fê!!! Tamos no meio da Remoçada!"... Hahhaha no início tudo bem! Mas a torcida pira o jogo todo pulando! E eu sabia os gritos de guerra!
Gol do Remo!!! cagaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaada!!! Louco! Perfeito!
Aí começa: "Terrorista filha da puta, chupa pica e dá o cu, ei terror vai tomar no cu!!!!! sou euuuu, sou euuuuuuuuuu, sou eu da remoçada sou eu" ------ Desculpem os palavrões, mas nós nos empolgamos. Na hora do grito... torcedos apontando pra Terror! E nós lá! Mas, como eu nunca tinha ficado no meio da Remoçada, eu realmente não sabia que quando começa o "sou eu, sou eu" as filas se alternavam... uma pro lado esquerdo, torcedores abraçados e pulando se deslocando e a seguinto pro lado oposto!
Olha o azar....
Isso porque 5 minutos antes a Fernanda tinha comentado "Cara, Mayra, as pessoas hoje tão muito mais fedorentas que o normal"... Eu ainda disse: "É, isso porque não é do teu lado que tem esse cara com a camisa na mão girando e o suvacão perto de mim"
Voltando à hora do "sou eu". Quando percebo o Suvacão daí de cima me abraça com o suvado no meu ombro pra eu pular pro lado cantando... Puts!!!!!!!!! Eu só conseguia pensar "cc passa, caraaaaa!!!! cc passaaaaaaa"... tava morrendo de medo do fedor do cara me passar! Enquanto pensava isso... tropecei e caí ainda por cima! Caíram uns 5 marmanjos em cima de mim, mas já tinha acontecido tanta merda que eu só conseguia rir! Tive um ataque de riso no chão e a Luciana levantando os caras a pontapés...
**********
Outro jogo fui assistir e não tinha quase ninguém! Era feriadão prolongado e próximo de eleição. Eu era petista doente! Aquelas que não dá nem pra discutir.
Quando percebo... começam a chegar uns "agrados". Água, picolé de cupaçu, biscoito de polvilho, etc! Eu nem aceitava, mas o cara insitia tanto que aiiii, tá! Aceiei o picolé, mas era pra ver se ele parava de mandar! Fingi que derrubei sem querer o picolezinho no chão!
Antes de um lance quase decisivo no jogo, me chega um velho, com óculos de fundo de garrafa, com uma blusa do Duciomar (partido contrário ao meu) e metade do buchão aparecendo!!!
"Não creio!!!". Foi a única coisa que pensei na hora! O que mais pode acontecer, doido?
Ele: Gostou do sorvete?
Eu: Caiu, mas brigada!
Ele: Dá um sorrisinho!!!
Eu: O que??? Eu não!
Ele: Eiiii - apontando pros amigos velhos em cima - Olha, ela vai sorrir! Olhem o "fundinho" dela!
Eu: Ei, moço!! Que isso??? Que fundinho, tá louco???
Ele: Olhaaaaa, dá um sorriso pra aparecer o fundinho!
Porra... eu não consegui ficar séria! Aí o velho se empolgou e eu fiquei ROXA de vergonha!!!!!
Pior... Isso tudo acontecendo e um ex-namorado meu vendo tudo na fila anterior à minha.... tsc tsc. E a gente tinha terminado na véspera...
Que fundinho o que.......
São covinhas, velho!!!! Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
****************************************
Só mais uma!!!
Fui secar o Pay@#$%& uma vez. Fui mesmo! Na verdade eu só queria ver o Mangueirão novo. Estádio Olímpico!!!
Fui com um amigo meu que é doente por esse outro time. Ele não me levou pro meio da Terror???
Tá... fui!!!
Figueirense começou ganhando! E eu sem poder comemorar!
Paysandu empatou! Todo mundo comemorando e eu na minha... Puta da vida! Quando eu vejo, vem um cara lá de cima da torcida me abraçar! Posso com isso? E ainda dizia: Obrigado!!!! Você que tá dando sorte!!!
A minha vontade era de matar o cara. O meu amigo que me levou ria tanto! tanto!!!!! aiiiiiiiiiiiiiiiiii que raiva!
No final! O paysandu ganhou de 4 x 2! E vocês acreditam que em todos os gols o torcedor vinha me abraçar e agradecer minha ido ao estádio??? Pooooooooooooooooooooooo!!!!! Todos os gols! Quando eu olhava pra cima ops amigos do cara me davam tchau ainda por cima!!!
Nunca mais me atrevo.......