sábado, dezembro 18, 2010

Como viver num mundo de parcerias frouxas e eminentemente revogáveis

Zygmunt Bauman é considerado hoje um dos sociólogos mais influentes do mundo. Professor emérito de sociologia na Universidade de Leeds e na Universidade de Varsóvia, seu livro mais recente é "Amor Líquido - Sobre a Fragilidade das Relações Humanas".

A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é amor líquido. A tirania do mercado explica em parte esta característica rarefeita de tudo. Estamos na era do homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz deve também estar preparado para suportar malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.

É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas.


Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso os leva ao tédio e à frustração. Ser bem sucedido é conviver com novidades, variedades, e rotatividade.

Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e por isso mesmo mais barato). Nesta sociedade líquida, você não compra, aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar implica rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.

Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos "relacionamentos puros", onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginem que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é "por causa de" e não "a fim de". Enquanto há razões a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.

Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal "até que a morte nos separe". Bauman chama isso de "relacionamentos de bolso", que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por esta razão, a "sociedade líquida" prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os "especialistas".

Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS - casais semi separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que "quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade".

Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor, tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento impede a entrega total, e porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, ou deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz a respeito que estão "numa viagem nunca termina, o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido".

segunda-feira, novembro 15, 2010

As pessoas discutem futebol como se fosse vida. Discutem sambinha e bola como se fosse política. E é nessa hora que eu sinto "dissabor", mas também conforto.

Quem fala assim de futebol como de política nunca deve ser levado a sério.

E aí? Vamos sambar?

quinta-feira, novembro 11, 2010

Tá falando grego? Parte I



Tá falando GREGO?

A história de vir logo pra Grécia, antes do verão do ano que vem, junto com as ilhas gregas foi mais pelo preço da passagem da vueling que por outra coisa. Eu estava mais para o lado de Budapeste, Marrakech ou Istambul.

Mas é óbvio que desde o início tudo já me seduziu. Tudo bem! Atenas significa o início de uma civilização, as cidades-estado estudadas no colégio, a mitologia grega, os filósofos adorados, as esculturas exaltando a beleza em todos os pontos, os deuses, o legado, a arte, os mais de 3000 anos A.C quando se tem evidencia dos primeiros assentamentos perto da Acrópolis, entre muitas outras coisas e, claro, o que sempre me vem à cabeça: onde nasceu a democracia quando Sólon promulga sua primeira constituição e estabelece o conselho dos 400.

Como não amar a ideia de chegar aqui? Na hora!

É isso: uma confusão de informação e conhecimento! Atenas é, ao mesmo tempo, uma remetedura ao passado antes de Cristo até os escândalos políticos ou ainda a avassaladora crise depois de Cristo que foi mesmo 2009/2010.

Confissão antes de começar a escrever: Trabalho para os hotéis Starwood e tenho o direito a uma tarifa MAIS QUE ESPECIAL em todos os hotéis da rede, upon availability. O melhor hotel de Atenas faz parte da nossa rede, um hotel 5 estrelas super bem localizado, com os melhores serviços e toda uma chiqueza que não estou acostumada! Tratamento totalmente VIP. OH, God! E eu vim sozinha! hahaha!

Cheguei no hotel e logo sair pra ver a cidade se mexer. Levei um mapa que não me serviu pra muita coisa. Me perdi inúmeras vezes (menos que em Veneza), mas não vi nenhum problema nisso. Já estava escuro, de noite e de vários pontos da cidade se vê a Acrópolis iluminada. Andei por várias ruas e fiquei impressionada com a quantidade de restaurantes. Um do lado do outro, cheios de gente. E não em uma rua só, em várias. Lindo! Mas eu buscava algo menos turístico, queria alguma "taberna" grega bem particular e com atenienses, e não turistas.

Essas perdidas valeram a pena e aviso: em quase todos esses restaurantes que passei na frente, nas ruas lotadas, te abordam absurdamente pra que sentes e comas ali, mas odeio isso e, ainda bem, passei adiante. A taberna que encontrei ficava no alto de uma coleirinha, tocando música grega e com mesas dentro e fora. Muito charmosa e com um garçom muito simpático que falava um pouco de cada língua, como ele mesmo disse, e depois ainda afirmou : Posso falar um pouco de cada uma dessas, mas a melhor língua de todas é a do olhar.

Encontrei franceses que vem várias vezes por ano há 35 anos e me disseram que encontrei um óptimo lugar, de boa qualidade e não turístico. Do jeito que eu queria! E eu ainda disse: "Je me suis perdue plusieurs fios aujourd'hui… ça a été genial, mais, j'étais déjà fatigue!" e a senhora: "C'est comme ça qu'on découvre la ville". Oui, je sais bien ;) (Eu me perdi diversas vezes hoje! Foi genial, mais eu ja estava cansada" - Mas é dessa maneira que descobrimos a cidade!

E é isso mesmo. Perdendo nos encontramos. E isso eu aprendi em Veneza e nas maravilhas que encontrei em cada esquina no meio das minhas perdidas!

A realidade é que essas minhas primeiras horas na Grécia me fizeram pensar absurdamente em filosofia, historia e mitologia, mas num dos deuses em especial nessa taberna: Dionisio! Traz o vinho!!!









terça-feira, outubro 26, 2010

Resposta a um e-mail sujo

Com quase nenhuma alteração, esta foi minha resposta a um e-mail infame que me foi remetido. A mensagem, sob o título “O que pode acontecer se Dilma ganhar”, era sórdida, esculachava nossa candidata e utilizava a mesma tática de terror e preconceito que o reacionarismo tacanho utilizou às vésperas do primeiro turno. Sabendo que a besta vai sair da jaula novamente, sugiro a todos que não deixem passar. Vamos responder com argumentos a todas as infâmias e, de cabeça erguida, ganhar a eleição e continuar mudando o Brasil!

"Gostaria apenas de responder ao sujeito que enviou este e-mail difamatório, preconceituoso e mentiroso em relação à candidata Dilma Roussef.

As pessoas como você, meu caro, obscurantistas e oportunistas, que agem nas sombras por meio da calúnia e da pregação do medo, felizmente não têm vez no Brasil que está se construindo com a força de centenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras. É um Brasil que você e as elites fingem não ver, porque sentem falta do país atrasado, atrelado e subalterno a interesses das grandes potências estrangeiras, no qual mandaram por séculos.

Sentem falta do Brasil de oito, dez anos atrás: faminto, desempregado, de joelhos e alquebrado, sem auto-estima.

Mas o povo brasileiro não quer de volta essa realidade triste. O povo que lutou e hoje se sente representado no poder não quer devolvê-lo às mãos de uns poucos endinheirados – aqueles que passeiam no Ibirapuera invejando o Central Park, que vivem nos condomínios de luxo sonhando com Beverly Hills. Não! O povo pensa, meu chapa. E o povo quer Lula e o povo quer DILMA!

O que pode acontecer se DILMA ganhar?

- Pode acontecer a continuidade do crescimento econômico a taxas chinesas, a geração de mais de 2 milhões de empregos com carteira assinada por ano, o aumento do salário mínimo acima da inflação.

- Pode acontecer de mais alguns milhões de brasileiros se somarem aos 30 milhões que chegaram à classe média. Pode acontecer de conseguirmos erradicar a pobreza, levando as famílias que ainda estão nessa situação ao patamar das mais de 20 milhões que saíram da miséria no governo Lula.

- Pode acontecer de o Brasil continuar sendo aplaudido internacionalmente como o país das oportunidades, da mobilidade social.

- Pode acontecer de o pré-sal ser utilizado para os interesses do Brasil e do nosso povo e não das empresas estrangeiras, que estão "babando" no canto das bocas engorduradas com as "oportunidades" que terão se o privatista e entreguista José Serra ganhar.

- Enfim, pode acontecer de continuarmos construindo um Brasil para todos os brasileiros e brasileiras. Um Brasil cada vez melhor. Um Brasil que orgulhe a cada um e a todos nós. E isso há de acontecer, porque DILMA há de ganhar!

Obrigado. E NUNCA mais dirija esse e-mail sujo para mim.

domingo, outubro 24, 2010

O laço e o abraço

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando….
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nenhum pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso…
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

Que possamos, sempre, cultivarmos laços.
Que todos os nós se transformem em eu, tu, nós.
beijos no coração.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Reencontro em Veneza

Veneza é de mentira.
Foi o que pensei quando estava chegando ao hostel, andando pelas pequeníssimas ruas. Não era possível ser verdade. Pensava: Sera que existem pessoas que vivem aqui mesmo ou essa cidade foi feita cinematograficamente para despertar magia dentro de ti? Inacreditável!
Ainda mais: andar por ruas onde mapas não servem para nada, enlevando-se (de encantar) em cada esquina. surpreendendo-se todos os segundos com tanto charme e ainda ouvir a língua que foi feita e escolhida como o mais bonito dialeto do mundo (Dantemente falando!).
Descobri que o mágico de Veneza é perder-se. Perdendo-se e apaixonando-se a cada segundo. Pela cidade e, no meu caso e contexto, por mim.
Quando anunciei aos amigos que iria sozinha, metade (ou mais da metade) disse em coro: Sozinha em Veneza??? Um mês e meio depois de te separares? Tás louca ou arrumaste um namorado novo?
- Nenhum dois dois. Ou um pouco dos dois. Loucamente livre e enamorada por mim. Viajar sozinha se torna um vício e não é o destino que vai mudar algo. Poderia ser Veneza, Istambul, Havana ou Las Vegas. O momento que estou vivendo é de completa redescoberta, reencontro e paixão. Preciso de um momento sozinha e comigo mesma longe de Barcelona e Paris neste momento. E poderia ter sido Budapeste, mas Veneza apareceu de uma forma que vai afirmar minha paixão pela Itália e idealmente escolhida para haver um reapaixonamento por simplicidades esquecidas nos últimos 4 meses.
Sendo fãzoca de Nietzsche admirando a filosofia e sua própria "dependência" com a música, como muitos de nós, seres humanos normais (Tudo bem que em sua época música só significaria Wagner); sabendo que sem música a vida seria um erro, imaginem o quão alto fui ao imaginar o que ele quis dizer com: Se eu tivesse que substituir a palavra música, começaria por Veneza.


quarta-feira, outubro 20, 2010

Um natural desabafo


O que me angustia é o conformismo e a falta de capacidade de argumentação que os jovens tem nos dias de hoje.
Em meio a tanta asneira que lemos e ouvimos todos os dias, nas épocas das eleições, nos damos conta que o preconceito anda tão forte quanto a comodidade dos brasileiros em absorver só as informações que lhes convém ou então de aceitar passivamente as mesmas que chegam da maneira mais fácil.

Numa troca de e-mails com a minha avó, outro dia, fiz questão de posicionar o meu descontentamento com jovens brasileiros e em especial um (que me angustia profundamente saber que não existe mais afinidade entre nós).  Me acalmei com a explicação dela sobre minha reação de indignação ser natural pela nossa luta e de ver pessoas cheias de qualidades serem politicamente equivocadas porque não procuraram evoluir.


Não sei se acontece com todo mundo ou se foi meu meio social de quando morava em Belém que me faz ser "obrigada" a ler nas timeline a quantidade de absurdo que leio. Na minha condição de inquieta, é impossível não reagir. Logo eu, que sempre discuti e lutei pelos meus direitos. Confesso que, muitas vezes, até demais.

Eu acho que uma das coisas mais válidas é a discussão sem querer impor e sem ofender. Discutir com pessoas educadas e sábias, ainda que completamente contra ti, é fantástico e um aprendizado tremendo. Onde te faz enxergar melhor o outro lado e pode até te fazer concordar com algumas coisas. Discutir com pessoas inteligentes deveria acontecer sempre.

A minha questão aqui está longe de ser somente política. A minha questão aqui não é pra querer convencer ninguém de ideologia e nem de voto nenhum. Não quero ninguém igual a ninguém! A diferença entre os seres, na minha opinião, é uma das coisas mais belas da vida. 

A minha grande vontade é instigar os jovens a ir atrás de fontes verdadeiras de informação,  argumentar, questionar, refletir antes de escrever qualquer frase cheia de boatos ou então, como tenho visto demasiadamente, cheias de preconceitos. Preconceitos contra tudo! Outro dia li até frases querendo atingir a maneira de piscar de um candidato. Tudo, pra eles, é pra agredir, pra jogar sujo, pra ferir. Usam palavrotas torpes pra designar pessoas como se xingando atingissem mais forte. Mais certeiros! 

Dia desses, fui obrigada a ler isto: "Ganhar é fácil. Receber comida na mesa sem precisar fazer muito por isso. Mas não é assim que se muda os rumos de uma nação...". É sério que os jovens de hoje perderam completamente a noção do que é um ser miserável sem ter o que comer, onde trabalhar, onde estudar e até onde morrer e acham que é fácil receber necessidade básica de um ser humano? 35 milhões de miseráveis agora tem o que comer e essa é a reflexão de um jovem de classe média alta brasileira? Por favor, alguém me diz que eu estou equivocada! Que este comentário foi pertinente sobre a miséria no país.

O que penso que precisamos, todos nós, é tomar muito cuidado pra não tomar posições baseadas em emoções (apenas), inclusive sentimentos de simpatia ou antipatia pessoal, quem sabe social. A fonte de informação precisa ser segura sempre, não somente em período de eleições conturbados por tanta calúnia. Ou, se não for segura, que sejam informações adquiridas de várias fontes diferentes porque sabemos que a mídia brasileira é controlada por empresários pouco interessados na inteligência do povo.

Não é mais fácil controlar a opinião de um povo que é totalmente desacostumado a refletir? Não podemos discutir como quem discute o melhor time de futebol ou escola de samba! Tem que ser sem raiva, mané! É o nosso país e estamos juntos nisso.






quinta-feira, outubro 14, 2010

Rápidos diálogos

Tia: Dilma é alvo de grupos de extrema-direita e neonazistas - O jornalista Tony Chastinet fez um levantamento minucioso sobre a origem de e-mails caluniosos que circulam contra a candidata Dilma Rousseff.

Sobrinha: Tia, e pra mim, ainda pior, é ver meus amigos, pessoas que tem todo o acervo pra informação em mãos, preferirem acreditar nas calunias. Se ainda fossem só os outros... Mas não, o veneno está mais impestado do que imaginamos!

Tia:  Geralmente são pessoas que ou apenas repetem o que ouvem em cas, sem dar-se ao trabalho de pensar por si, ou então querem manter seus privilégios e preferem fazer de conta que acreditam no "mal" que quer equiparar os direitos.
Triste assisti...r e mais triste é ver a hipocrisia estampada.
Pero... no pasarán!


 
 

sábado, outubro 02, 2010

Batimentos.

E meu coração anda tão acelerado com sede de viver que não me deixa dormir com seus batimentos.

quarta-feira, setembro 29, 2010

O meu maio de 68 de 2010.

Minha família é/foi comunista. Sinto o maior orgulho do mundo do meu avô, presidente do Partidão no Pará antigamente. A pessoa mais integra que conheci, no sentido literal da palavra. Integral, completo. Uma das pessoas mais bondosas que já pude ver.

Eu sei bem o que é comunismo, eu vivi a ideologia em casa. Então, se alguém contestar, que seja com inteligencia e embasamento porque o amadurecimento nos deixa flexível inclusive pra aceitar novas ideias. Mas que sejam ideias de verdade.

E, inclinada a militância na adolescência, perdi a prática na juventude. Acabei me mudando de país e nao consegui mais me dedicar. Mas sempre tendo a vontade no coração e o sangue político, que esperneia pelos seus direitos, que não quer admitir injustiça.

Morei na França, o país das manifestações. Não militei, só participei das "manifs" que pude. Me mudei pra Barcelona, onde pensava ficar mais longe dessa gana sanguínea. Me enganei.

Cheguei na Catalunya e não na Espanha. Os catalães são separatistas, lutadores e não são acomodados. Percebi uma semelhança com os militantes franceses desde o início.

Quando, no trabalho, me falaram - Mayra, tens como vir trabalhar no dia da greve geral ou queres dormir aqui no hotel?  - Eu percebi que não tinha escolha. Começando num emprego novo, num país em crise e eu ganhando meu espaço sozinha. Com meu esforço. Em meu período de "prova" iria dizer: Não contem comigo, eu vou fazer greve pelo povo espanhol. Muito lírico e utópico. Eu poderia manifestar depois!

Depois das mais longas 9 horas no trabalho, consegui sair, onde eles, medrosos, fecharam as cortinas com medo dos manifestantes e eu, dentro, querendo estar fora. De um lado, obligée, queria estar do outro. Lutando, gritando, enfrentando a polícia e o governo do meu "mais novo país" como se fosse meu desde que nasci. A luta pela injustiça, a guerra social não pode existir só de onde vim, mas onde estou. Porque quem tem no sangue, tem em qualquer lugar. E sente a dor pelo mundo aqui, ali ou acolá.

Meio sem graça, desajeitada. Enferrujada no "ramo" das manifestações. Troquei de roupa e por "pura" coincidência, estava com uma blusa vermelhinha. Maquina na mão e fogo na pista. Meu coração acelerou! Naquele momento, vendo o primeiro fogo nas grandes latas de lixo, percebi que era aquilo que estava faltando pra mim. Me senti viva. Se acreditasse em Deus, juraria por ele que senti o sangue todo escorrendo e correndo, latejante, em minhas veias. Era ela... A Revolução.

Essa greve geral na Espanha me fez emocionar a alma de arrepios lindos de nostalgia do que nem vivi. Me senti na revolução cubana, em maio de 68, na ditadura militar brasileira. A polícia me empurrou forte, jogou bomba contra nós, atirou com armas de fogo ilusório e de grande ruído pra assustar (era tao nítido o som de bala que eu me senti morta durante uns segundos. Mas era adrenalina!). Correria, gritaria, pedras atiradas, fogo. Muito fogo! Fogo da nossa parte também! Carros queimados, latas de lixo e o que mais fosse possível pra manifestar toda a dor que sentimos no peito contra as injustiças sociais e contra os efeitos do capital. Mas essas policinhas nao sao de nada! São músculos covardes sem ter capacidade de lutar pelos seus direitos. Aliás, eles nem falam nada. Só usam um tipo de apresentação que vai da "trilha sonora" das sirenes até descida dos furgões e em seguida, subir de novo. Parecia um espetáculo de dança. E não os Mossos de Esquadra defendendo algo que nem sabem o que.

Pensei muito em maio de 68, inclusive por ter morado em Paris antes e que foi mais próximo da minha juventude. Só então eu percebi que estou vivendo a Espanha 2010 e não o maio de 68 de 2010. Estou testemunhando e fazendo parte de uma outra época, de uma outra história. Estou horando uma outra luta, com mais maturidade, no século XXI e com outro tema, mas o mesmo sentimento de amor de um revolucionário em qualquer outra época. 

To arrepiada até agora. A Revolução corre nas minhas veias. E é disso que eu gosto! Me senti viva a cada palpitação acelerada do meu coração em meio as sirenes, as ameaças policias. Me senti amiga dos catalães que queimavam o lixos, jogam pedras nos carros de polícia e foram perseguidos. Me senti amiga dos manifestantes todos, de todos os militantes. Senti, cada vez mais forte, o sangue correndo pelas veias.

Esse texto tem edição e continuação. Esse sim!

Vejam o vídeo

http://www.ondacero.es/OndaCero/Mossos-activistas-enfrentan-centro-Barcelona/NWS_10092971

O circulo repetido.

Num Brasil evoluído economicamente, percebo jovens de classe média alta repetindo preconceitos e ignorância opcional.

O preocupante destes jovens é todo o acervo, toda a oportunidade de informação que eles podem ter pra ter embasamento em qualquer ataque, em qualquer defesa de opinião. O acervo desperdiçado, abandonado.

Vejo, todos os dias, críticas de jovens que fizeram parte do meu círculo social no Brasil. Jovens que tiveram as mesmas oportunidades que eu. E nao digo oportunidades de ter a mesma escolha que eu, mas as mesmas oportunidades de conseguir defender uma opinião, de lutar pelos seus direitos, de enxergarem além. Eu sinto dor pelo mundo por existirem pessoas que escolhem ser ignorantes e medíocres. Pessoas egoístas que só conseguem olhar pra elas e nao querem ver um mundo melhor de verdade, dizendo defender algo que nem sabem o que é. (aliás, será que defendem mesmo? Será que dizer que é contra ou a favor de algo sem nem saber os reais motivos é defesa?).


Vejo uma cegueira, um ensaio sobre a cegueira de 2010. Vejo uma cegueira azul em jovens hipócritas e que demonstram cada vez mais não ver o valor do ser humano. Jovens que não votam em Dilma de maneira nenhuma e não percebem o crescimento do Brasil.

Um Brasil que cresce lindamente, que quebra muros, caras e obstáculos. Um Brasil que está melhor que a maioria dos países europeus. O que é isso da parte deles? Ignorância, cegueira, preconceito reacionário, burguês de assumir que um operário, que veio debaixo, foi muito mais capaz do que qualquer um deles? 


Mas como perceber se eles so olham pra ele e tentam escrever algo sobre politica de 4 em 4 anos? Acho triste ver o preconceito barato dessa gente. E acho triste ver que, ainda tentando se defender, essas pessoas nao conseguem nem pontuar uma frase ou concordar um verbo.

O Lula tem mais de 95% de aceitaçao entre os eleitores brasileiros. Sendo dele ou nao. 95% é tão otimista que chega a ser até assutador. Imaginem só, até quem não vota no Lula, o admira.

Eu sinto uma dor enorme no meu peito. Eu sinto.

A Dilma é o retrato do Lula. É a cara do Lula. E a multidão é massa, massa pode ser burra, mas vota em quem faz o bem. Dilma ganha no primeiro turno. E por que será? Antes era competitivo, já hoje... Agora me digam, depois disso, quem é ignorante? A burguesia ou a classe baixa?

Lula fez voltar a classe média, quase extinta.

E hoje, 29 de setembro, acabo de voltar de uma manifestação sabe onde??? No primeiro mundo, o tao sonhado deda burguesia, da classe média e alta. E sabem o que eles manifestam?




terça-feira, setembro 28, 2010

Greve geral na Espanha

Dia 29 de setembro a Espanha vai parar. Literalmente.

Uma greve geral de trabalhadores, consumidores e estudantes está prevista como uma das maiores ultimamente vistas por aqui. Um direito cidadão, um poder que nem todos sabem que tem.

Os espanhóis estão lutando pelos seus direitos, pelas medidas tomadas pelo trono e ministros para amenizar a crise. E não só medidas modificaram os direitos dos cidadão, mas também, contra um governo que não proporcionou o bem-estar social que outros países da Europa conseguiram. ( Mas nada se compara ao bem-estar social francês, que foi cosneguido com muita luta, pelos comunistas, diga-se de passagem).

E eu, que queria estar manifestando junto com esse povo porque agora moro nesse país e, se fosse pelo meu Brasil, estaria nas ruas esperneando pelos meus direitos.

Mas não posso. Tenho que trabalhar, de bicicleta, 6 da manha porque os transportes não vão existir. Tudo isso porque ainda estou começando no trabalho novo, estou fazendo com que eles confiem em mim e preciso mostrar força de vontade pra trabalhar nesse país que sofre uma grande crise e não tem oferecido emprego nem pros próprios espanhóis, quem dirá pros estrangeiros. E eu, brasileira, tenho um emprego lindo que não quero e nem posso perder agora.

Vou trabalhar sem uniforme porque existem os "piquets" que impedem as pessoas de trabalhar no meio da rua. Ficam a paisano por aí, como se tivessem o direito de impedir a vontade própria de cada um. Vou trabalhar tomando cuidado, todos em alerta porque eles podem atacar o hotel, os piquets, querendo fazer com que seja um dia de manifestação geral e onde nao pode haver trabalho.

O que fazer?

http://www.huelgageneral.net/

segunda-feira, setembro 27, 2010

Já da raiva de aforismos toda hora, imagina de quem "copia" o unico que te descreve e a massa ainda nao descobriu?

domingo, setembro 26, 2010

De que adianta presentear os girassóis mais lindos e ficar num vai-e-vem de sentimentos por respostas não esperadas, de falar o que não deve ser dito e de arrependimento pelo impulso?

quarta-feira, setembro 22, 2010

Prática

Praticar para melhorar.

Essa é a frase seobre os textos, os escritos. Escrever. Treinar.

Chegou uma nova fase pra esse blog abandonado.

Chuva pós verão

Finalmente o verão chegou.

Antes dele, dias de praia sem sol forte, desejando só mais uns "5 grausinhos" pra esquentar toda aquela frieza que, ainda vindo do inverno, inundava a primavera.

Paris me trouxe muita coisa boa, mas... Me deixou um trauma. Trauma dos invernos de 14 graus negativos, insistentes. Cinza, chuva, frio. Invernos onde entendi o quanto frio dói no osso, na cara. Invernos em que tive medo dos meus cabelos congelarem por ter saído com eles molhados pelas ruas. Invernos preguicentos, melancólicos.

Mudei de cidade, de país, de vida. Barcelona chegou e, com isso, além do cosmopolitismo, das cores; chegou também a praia e o lindo mediterrâneo. Chegou o céu azul-barcelona (cor inventada pra descrever esse céu incriticável que só quem veio aqui, conhece).

Os dias de verão foram intensos, longos e lindos. Mas o trauma do final do verão permaneceu em mim... E os ultimos dias de verão foram aproveitados como se fossem ultimos dias de vida. Bastava um solzinho aparecer que era rua, praia, bicicleta, patins, corrida. Ar livre! Os raios solares ainda fortes me faziam esquecer de mim, esquecer de algumas obrigações pra correr pra aproveitar os ultimos "calores" do ano.

E os dias foram continuamente lindos que um dia de chuva nao era pesar. Virou alivio por poder ficar na cama até mais tarde. Alívio de poder resolver as coisas pendentes sem ficar angustiada pensando: Mas o dia está tão bonito lá fora e eu aqui... 

quinta-feira, agosto 19, 2010

Saudosa Belém

“Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu”.




Oh, minha amada cidade, são versos da canção “Pedaço de Mim” de Chico Buarque de Hollanda: uma triste música que reflete com precisão cirúrgica a desventura de milhares de mães – que são tuas filhas. Quantos quartos teus precisarão ser arrumados, Belém?

No sombrio ranking das capitais mais perigosas do Brasil, figuras como a quarta mais ameaçadora. Mas se considerarmos a totalidade de municípios brasileiros, tu, uma capital, estás no trigésimo quarto lugar. Um detalhe: existem aproximadamente cinco mil e quinhentos municípios no nosso país!

Minha querida Belém, o que fizeram contigo? Transmudaram-te. Vejo-te ainda um dia como costumavas a ser? Sinto uma saudade enorme de andar tranquilamente por tuas ruas. Saudade de poder andar por ti pensando em mim. Por que te abandonaram? Por que me abandonaram?

Precisamos resgatar-te, assim como o orgulho que sentimos por sermos teus. Chegamos a um nível crítico e insustentável de insegurança e de desgraça social. Confesso que já senti pavor por morar em ti. Mas o descaso com que foste e tens sido tratada fez nossa passividade ser substituída pelo ativismo. É, Belém, vamos nos unir para te dar de volta aos nossos filhos. Tu és bela e nossa!

Nós, o povo que te habita e que te ama, nos organizaremos e cobraremos com efetividade aqueles que te “governam” (nem governam a si mesmos, não é, cidade querida?). Nós precisamos fazer isso – por ti, por nós e pelos nossos. Não nos calaremos outra vez. Na verdade, reivindicaremos, sem medir nossos esforços, o direito de ir e vir com segurança por baixo de tuas mangueiras. Deixaremos de ser reféns, reconquistando a nossa e a tua liberdade.

Recuperaremos o prazer de viver em ti. Prometo que ainda poderemos sentar à frente de tuas casas e saborear teu açaí, teu tacacá e ótimas conversas. Iremos aos próximos Círios de Nazaré e não nos preocuparemos com roubos e furtos em tuas avenidas, em plena comemoração religiosa.

Foste desprezada. É muito triste te dizer isso. Mas podes ficar esperançosa. Com nossa ajuda, também farás a tua parte e formarás cidadãos dignos e conscientes de teu valor. Essas pessoas sempre lutarão pelo direito de te ver linda e segura, como um dia foste, minha querida Belém.  


Yuri Jinkings

sábado, julho 03, 2010

Um outro Marx. Falando de amor. Lindamente.

"A separação momentânea é boa porque o contato constante faz com que as coisas se tornem muito monótonas, semelhantes e difíceis de serem distinguidas. Até as torres não parecem tão altas quando vistas de perto, ao passo que as coisas pequenas e cotidianas da vida crescem sobremaneira. Assim acontece com as paixões. Os hábitos tradicionais, que mediante a proximidade se apoderam do homem por inteiro e adquirem forma passional, desaparecem assim que seu objeto imediato perde-se de vista. As grandes paixões, que em virtude da proximidade de seu objeto se convertem em hábitos tradicionais, crescem e recuperam seu vigor sob a influência mágica da distância. Assim é com meu amor. Tal como o sol e a chuva quando agem nas plantas, o tempo só faz com que ele cresça. Meu amor por você, quando você está longe, surge tal como é na realidade: um gigante, que absorve toda a energia do meu espírito e todo o ardor do meu coração. Por sentir uma grande paixão, sinto-me de novo um homem.A diversidade de temas em que o estudo e a cultura moderna nos enredam, tanto quanto o ceticismo com que necessariamente viciamos todas as impressões subjetivas e objetivas, têm o dom de nos tornar pequenos, fracos, ranzinzas e indecisos. Mas o amor – não o amor pelo homem feuerbachiano, não pelo metabolismo de Woleschott, não pelo proletariado, mas o amor pelo amorzinho, ou seja, por você – transforma novamente o homem em homem".