sexta-feira, outubro 12, 2007

Ne me quitte pas




Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De uma quasar pulsando loa
Interestelar canoa

Leitos perfeitos
Seus peitos direitos me olham assim
Fino menino me inclino pro lado do sim

Rapte-me, adapte-me, capte-me
It's up to me
Coração
Sem querer ser merecer ser um camaleão

Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas



E se de repente te faltar o ar, o chao, os sentidos?
O que tu vais fazer?Correr e te esconder?
Ou vai me olhar e me dar a mão?


Eu o desejava como se desejavam as coisas perdidas para sempre.













Sensaçao deliciosa e muito estranha. Eu me sentia fascinada, encantada e melancolica ao mesmo tempo.Esses elementos, associados em proporçoes diferentes em cada cançao, sempre me faziam sonhar, viajar e fantasiar algo romantico e triste, patetico e misterioso. E me reportavam tambem para o estrangeiro, para longe, para experiencias desconhecidas ou ainda irrelevadas. Porem originadas, ligadas e destinadas ao amor, à relaçao homem e mulher. Pareciam coisas lembradas ou desejadas com paixao e muita dor. Sempre me excitavam pela intensa sensualidade e, sobretudo, pela beleza, mas uma beleza que so pude pressentir em minha adolescência.


Ontem eu recebi um e-mail fodastico. No melhor dos sentidos.
Uma amiga que se expressou tao bem, mas tao bem que conseguiu até colocar umas coisas na minha cabeça.Tava tudo na minha frente, mas eu nao conseguia entender. Eu sabia que havia alguma coisa por ali, outras pessoas me alertavam, mas eu nunca tinha conseguido entender do jeito que ela me explicou.
Ela abriu a minha mente, meus pensamentos que estavam se bitolando ali me fazendo pensar so nos meus complexos e nao na quantidade de coisa boa que podia estar por tras daquilo. Nao era complexo. E' a realidade. E' a vida.
Ninguem sabe o que se passa dentro de mim, nem ele, nem ninguem. E quem vê de fora, ve diferente. Ultimamente, eu posso confessar que nao tenho tido muita coisa a reclamar.
Minha vida ta linda, cheia de cores e sensaçoes.To satisfazendo meu lado profissional estudando o que eu quero, o que eu escolhi e vou poder logo, logo trabalhar com isso no pais que é a primeira destinaçao turistica do mundo!!!
Tenho tudo pra absorver aqui.Tenho estado tao feliz que sinto exalar. Inunda-me tanto sentir essa felicidade que tenho até medo que transborde e se perca.
Tenho me sentido muito mais bonita e o mundo todo também. Consigo enxergar além dessa beleza completamente evidente e acho que é por isso que tudo ta belo. Pessoas, o mundo e eu. A energia embeleza. A felicidade percorre ate as ondas sonoras. Tudo tem gosto de alegria. Mas existem pendencias, logico. Nem eu quero que minha vida seja perfeita. Imagina a monotonia de acordar sabendo que tudo seria perfeito ali?
Mas, no fundo, eu continuo querendo enxergar errado o que ela me disse. As vezes, se eu pensar do jeito que ela quer, pode parecer pretensao demais da minha parte. Dentro de mim é tao diferente.Eu nuna racionalizo sentimento. Eu so sinto. E eu sinto tanto!
Eu tenho algumas manias meio estranhas. Mas nao sao aquelas que conseguem te irritar, pelo contrario. Divirto-me com elas. Sabe quando gostas muito de uma comida e tenta aproveitar degustando até a ultima garfada porque nao vai mais ter?
Economizas a comida saboreando tudo o que é possivel, usando quase todos os sentidos humanos. Eu faço isso com livro e musica. Sempre tive uma relaçao forte com livros. Talvez pela historia da minha familia, talvez nem por isso. Mas se for pra falar do que os livros representam pra mim, posso passar horas escrevendo e nunca vou ficar satisfeita com o final. Sempre vou achar que nao consigo verbalizar as sensaçoes que me despertam em relaçao à eles. Da mesma maneira quando quero escrever algo pra alguem que eu gosto muito. Sempre vai parecer incompleto por o sentir, muitas vezes, é indizivel.
Dentro de mim é tao grande que nao existem palavras no vocabulario normal (é, porque eu tenho mania de inventar palavras so minhas pro meu proprio acervo) pra descrever o que eu sinto. Desde o cheiro das paginas até a ultima frase e o ponto final.
Kafka dizia que um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nos. Ja o Quintana foi o autor de uma das minhas frases preferidas: "Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas . Os livros só mudam as pessoas."
Falando em musica, de tao forte e magnanimo, chega a ser estranho o que chega a despertar. As ondas sonoras entram na tua veia e correm pelo teu sangue palpitando junto ao coraçao. Contagiam e entusiasmam de maneira impar e te provocam uma felicdade clandestina inexplicavel. E te da medo de perder aquilo por enjoar da musica de tanto "repeat". Medo de acabar aquilo e nunca mais inventarem uma musiquinha que te provoque a mesma coisa.
Tu chegas a subestimar a capacidade humana de criaçao. Ou ate a tua de buscar no passado algo parecido. E' ai que aparece a minha economia de musica. Economizo mesmo. Evito escutar. Finjo que nao sei que ela esta completamente ao meu alcance, no mp3, som ou computador prontinha pra ser apreciada e me transmitir todo aquele furacao de sentimentos que se eu fechar os olhos, caem ate lagrimas de emoçao.
Isso sem falar nas musicas que nao te dao a felicidade clandestina, mas propiciam indagaçoes, inquietaçoes, melancolia profunda, nostalgia suprema ou amor. E', acho que as musicas possuem poderes magicos.
E como Nietzsche mesmo afirma a frase que ainda vou tatuar em mim: "Sem musica, a vida seria um erro".

40 anos da morte do Che


Arte do Bira.


“Outra vez sob meus calcanhares o lombo de Rocinante, retomo o caminho com meu escudo no braço (...) Muitos dirão que sou aventureiro, eu sou de fato, só que de um tipo diferente, daqueles que entregam a pele para demonstrar suas verdades”.


Che Guevara - Trecho da carta endereçada aos seus pais, antes de partir para sua última trincheira na Bolívia





Tombou no seu posto de combate pela libertação econômica, política e social da América Latina. Mas quem foi Che Guevara? Qual sua contribuição à causa socialista?
Nas décadas que se seguiram à sua trágica morte nas selvas bolivianas, Che foi perdendo sua substância e se transformando num ícone; na verdade, um dos maiores ícones da segunda metade do século 20. Seu rosto de guerrilheiro altivo foi estampado em camisetas, cartazes e pichações por todo o mundo. Se existe um lado positivo neste fenômeno, pois mantém viva a imagem de um dos maiores heróis latino-americanos; de outro, ele acaba acobertando as idéias e o projeto político pelo qual Guevara viveu e morreu: a libertação da América Latina do julgo imperialista, a conquista do socialismo e a construção do homem e da mulher novos.
O sistema capitalista tem uma incrível capacidade de incorporar alguns elementos da cultura alternativa, até mesmo revolucionária, e transformá-los em objetos de mercado, formas sem conteúdo, neutras, inofensivas. No entanto, a personalidade forte de Che não pode ser presa, capturada, na camisa de força do ícone, da marca, do mito.
Por isso, para compreender o verdadeiro Che, é preciso ir para além do ícone, além da marca, além do mito. Estes não têm sangue correndo nas veias, não são de carne e osso, não sentem fome ou frio. Eles não têm dúvidas ou medos, são fantasmas que não convivem com as malditas contradições cotidianas.
Ao contrário dos ícones, os homens e mulheres de verdade, inclusive os mais revolucionários deles, padecem de todas essas vicissitudes humanas e Che foi, acima de tudo, um homem. Um homem do seu tempo. Eu nao possuo cacife pra descrever o que ele representa.
Nem ousarei tentar porque sobre ele sim, eu NUNCA vou me sentir satisfeita quando escrever algo.

Dias de puro Chico. (Nao Chicao!!! Chico hahahah)

Eu nunca escondi a minha admiraçao pelo Chico. Alias, eu faço frequentemente declaraçoes publicas explicitas de amor e carinho a ele. Alem de formador de opiniao, o Chico consegue me fascinar cada vez mais. Dizer isso "so" porque ele entende da alma feminina e verbaliza isso melhor que muitas de nos, virou lugar-comum.
Mas ja citei a sensaçao que as musicas me proporcionam em alguns posts anteriores, e assumi que acho Mayramente improvavel que eu nao deixe de enjoar de alguma musica que ouço repetidamente. Por isso economizo-as.
Mas com o Chico nao é assim. As vezes, posso passar um mês sem ouvir. Nao! Nao! Um mês é muito. Duas semanas sem ouvir sequer uma musica. Mas depois volto com força suficiente para conseguir achar dentre as musicas, visoes e interpretaçoes minhas que estavam la escondidas nas entrelinhas e que, até entao, tinham passado despeapercebidas. De repente, criam um sentido absoluto pra tudo!
"E o tempo inteiro eu so zombei do amor..."
O Chico, alem de me fascinar, me consola. Quando meu coraçaozinho ta machucado e descrente, ele chega e me acalenta. Quanto acho que tenho uma pedra no meu peito, ele vem e termina a minha frase com um "mentira".
As vezes, me basta tao completamente que me liberta de mim. Alias, somos todos mivres, nao é? Mas ele me entende quando "queimo" meus navios, unico meio de comunicaçao com o resto do mundo, me isolando e por vezes, sem ter pra onde ir.
Confessa o grande misterio da alma feminina e sua curiosidade com isso. Assume-se expectador, voyeur e vedor da mulher. Mas completo desconhecedor ao contrario do que se fala por ai (o tal lugar-comum) por causa das cançoes.
"Ha mulheres terriveis! Que fazem coisas horrorosas. Mas um amigo que faça algo assim, você rompe com ele pra sempre. Mas se for uma mulher, você releva um pouquinho porque ha ali algum motivo de mulher que talvez você nao entenda e diga: 'Bom, mas isso se deveu mais à um motivo feminino, essa coisa que aconteceu, essa coisa que ela fez, essa coisa que ela falou, teve ter algum motivo feminino por tras'."
Nessas horas lembro tanto do Pedro e dos pais dele. Lembro quando saiamos so nos 4 pra tomar uma (???) cervejinha sabado a tarde e passavamos metade do tempo declamando Chico, onde cada um tinha a sua propria interpretaçao e nos surpeendiamos sempre com a versao "do outro". O lado que cada um conseguia enxergar diante da mesma cançao e o quao eram diferentes as percepçoes. Dessas tardes que viravam noite e seguiam pela madrugada, nos sentiamos realizados (e porres!) no final pelo tanto que conseguiamos absorver boas sensaçoes pelas diferentes opinioes.
Ficando no corpo feito tatuagem e brincando feito bailarina.
Da saudade dos aniversarios na casa deles que sempre terminavam com o Pedro playboy saindo pra cocotar depois da cantoria, e eu ficava la com a Nena (mae) vendo e revendo os dvds do tal homem dos olhos azuis. Assumindo (ela) que so trairia o Pedrinho se fosse com ele e eu confessando que deixaria pra tras minha filosofia de vida e casaria com ele.
Mas que nao fosse pra chorar no tapete atras da porta. Mal-dizer do lar, sujar o nome e adorar pelo avesso!
"E quantos homens me amaram bem mais e melhor que você..."
E ate a conseguir justificar a propria traiçao colocando culpa na mulher e terminar falando "te perdoo por te trair". Fica tao obvio depois! Tao desculpavel e pragmaticamente justificado.
E com ele a gente segue dilancerando peito, arrasando projetos de vida e acaba tendo a amarga impressao de que ja vai-se tarde...

terça-feira, outubro 02, 2007

Give me a reason to love you



"Nada como contar até dez pra deixar a raiva passar. Dar tempo ao tempo pra ver as situações com distanciamento e clareza. Como se fosse do ponto de vista do seu melhor amigo, aquele que dá os melhores conselhos justamente porque a situação não é com ele. Reações enfurecidas e passionais ficam sempre tão sem sentido depois que a raiva passa.Acho que isso é ser mais você. É se permitir uma tranqüilidade que desaprendemos, se é que um dia a tivemos. É não querer ser dono de ninguém, porque, desista, você nunca será mesmo. Uma conhecida minha, psicóloga organizacional, certa vez falou que queremos possuir as coisas, porque as pessoas nós nunca possuímos. Ciúme, posse e dependência são apenas nomes diferentes pra disfarçar uma insegurança que é nossa, e que não tem a ver com o fato do Marcelo não ter ligado ou a Aline não ter aparecido. O indiano Krishnamurti disse que "na verdade ninguém satisfaz ninguém. Nós delimitamos essa possibilidade, por alguma razão pessoal. O amor está além da satisfação. Há amor quando não há exigências, intolerância, cobranças e ciúmes". Então nem adianta trocar o Marcelo pelo João ou Aline pela Roberta, vai mudar muito pouco se o problema estiver em você. E também qual a graça de ter um robô do seu lado? Que presta conta de tudo o que faz, de com quem fala e "não faz nada errado" só porque está sendo monitorado e cobrado? Se não há escolha nem liberdade, não há mérito. Bom mesmo é fazer ou deixar de fazer algo por convicção e não porque você está sendo filmado. Alguém já falou que "ética é quando ninguém está vendo". É isso aí. Ser mais você não tem nada a ver com ser egoísta. Ao contrário, é altruísmo, porque o altruísta quer ser feliz e permite que o outro seja também. Ser mais você é estar de bem com você mesmo e com os outros, sem precisar cobrar desses outros algo que quem tem que se dar é você. É pegar o leme da própria vida, ser seu próprio capitão, assumir a responsabilidade (= habilidade de dar respostas) pela sua felicidade. Não é ser bobo, nem aceitar tudo não… Nada a ver com isso. Até porque quem aceita tudo passivamente está na mesma situação daquele que é autoritário. Os dois relacionam sua felicidade a um outro ou a coisas que estão lá fora: o primeiro aceita ser dominado "pra não perder o que já tem e que é melhor do que nada", e o segundo quer sempre dominar "pra garantir o que já conseguiu e continuar se dando bem". Refiro-me simplesmente a encontrar o seu eixo, a não cobrar demais dos outros nem esperar que um "super-homem venha nos restituir a glória", como já disse o Gil. Ora, os outros já têm que dar conta dos seus próprios problemas e expectativas. E até o bonitão superpoderoso do Super-Homem (ooh lah lah) tem sua criptonita. O cara muda o sentido de rotação do planeta, pára um trem, salva a humanidade, mas até ele tem seu ponto fraco. Pra que a toda hora se armar até os dentes, sempre pronto pra guerra? Além de cansativo, esse é o nosso erro na grande maioria das vezes: levar tudo a ferro e a fogo, indignando-se por pouco, querendo prestar contas de cada palavra dita, de cada gesto esperado - muitas vezes, nem nos prometeram, nós que viajamos - e não cumprido. Mas é justamente aí, ao exigir nossos "direitos" perante o outro, que cometemos um engano. Algumas coisas não podem ser exigidas, porque, vindo dessa forma, perdem grande parte do seu valor. Cobrar amor, reconhecimento, respeito, honestidade? Ninguém tem que lhe dar o que você já tem, e que só basta encontrar dentro de si. Fora que ninguém agüenta a pressão da cobrança por muito tempo. Acho que por isso os começos são tão mágicos, tão encantadores: todo mundo é franco-atirador. Há uma sensação de que não se tem muito a perder, daí pouco se cobra ou se exige. As pessoas, nos começos, são mais leves. Mas depois essas mesmas pessoas começam a achar que são donas - da amiga, do namorado, da esposa, do computador na empresa - e que têm que "cuidar do que é seu". Na verdade, mais que em cuidar, muitas estão preocupadas em "se apossar do que é seu". Aí complica. "

Dance me to the end of love





Como a alegria, a beleza é fruto do prazer. A arte também é considerada uma forma natural de terapia. So existira beleza no exercicio do prazer. Infelizmente ha muita mistificacao nesse campo. Nao foi o sofrimento pela surdez e pelos padecimentos amorosos que propiciaram a genialidade na obra de Beethoven; foi o imenso prazer que sentia em seu amor pela musica e pelo ato criador.
Nao ha nada mais incomodo, desagradavel e perturbador para uma sociedade autoritaria, e sob a ideologia do sacrificio, do que um homem alegre. A alegria eh uma agressao e ofende porque provoca inveja e rompe pactos de mediocridade. O homem saudavel é revolucionario e alegre. A beleza pode ser, ao mesmo tempo, raiz e fruto do prazer. So o prazer nos da (com o contraponto da dor) o sabor da vida.

Nice to meet you, can I use you?







E se de repente te faltar o ar, o chão, os sentidos? O que tu vais fazer?Correr e te esconder? Ou vai me olhar e me dar a mão?

domingo, setembro 23, 2007

Como diz o texto que se atribui ao escritor argentino Jorge Luís Borges, seja leve. Ponto. Se algo insiste em não estar bom pra você, não insista mais. Pegue seu boné e “on the road”. Sempre haverá outras pessoas, outros lugares, outros trabalhos, outras paixões que parecerão pra vida toda, outros projetos… Melhores, piores ou simplesmente diferentes daqueles aos quais você se acostumou. Mas o importante é que a escolha será sempre sua. E, fazer como naqueles jogos de criança em que você dizia “passo!” ou “bandeirinha!” também não ajuda. Porque não fazer escolhas já é uma escolha. Talvez a mais perigosa delas. Deixe a vida correr no seu próprio ritmo e viva. De bem com você. Ponto. Sem precisar inventar que está bem ou querer parecer bem, porque esse bem-estar artificial é ilusório. Não passa de efeito Photoshop. Criar uma falsa impressão de estar por cima sem estar é cosmético, não é medicinal. Fica bonito na hora e só pra quem está vendo de fora, mas não resolve o problema. Melhor tomar uma atitude medicinal, então: seja você com todos os ônus e bônus que isso implica. Se surgir uma viagem pra China, pra Índia, para as Maldivas, vá. Avise aos amigos, mande notícias de um cyber de lá, mas vá. Se for uma viagem pra uma praia que fica logo ali a 60km, vá. E, se for só pra curtir no seu quarto, curta. A quantidade de quilômetros não importa. O que quer que você tenha ou sinta, seja felicidade, equilíbrio interior, tristezas ou angústias, irão com você, independentemente da distância que você “per-corra”. O que importa é passar por cada experiência, permitir-se o que cada momento traz. Enfim, viver em vez de sobreviver. E aproveite. Só isso. Seja feliz com você. E por você. E, paradoxalmente, quando você menos precisar das pessoas é quando mais você as terá por perto. Elas naturalmente vão se encantar e querer cada vez mais sua companhia, pois sua felicidade será algo autêntico. Sim, será verdadeira porque virá de dentro e, por isso mesmo, será genuinamente contagiante.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Cansei de querer pelos outros.
Achar que tudo pode melhorar e na verdade os outros preferem que tudo fique mesmo como está.

Venha agora, não espere o músculo, a piada, o botão, o calo, a saudade, o arrependimento, o vazio. Eu preciso sentir que você ainda sente, eu preciso que o seu coração dê um choque no meu, eu preciso saber que seu peito ainda aperta um pouco quando eu vou embora e se espalha como borboletas nas veias quando eu chego.


* porque tenho medo de me espalhar pelo mundo e nunca mais ser sua.

quarta-feira, junho 13, 2007

Primavera EM Praga - Parte II






Tudo começou com a Perestroika e a Glasnost do Gorbachov (alguém se lembra?). Logo depois da Primeira Guerra Mundial, as nações tcheca e eslovaca uniram-se em decorrência da fragmentação do Império Austro-Húngaro. Algo semelhante ao que aconteceu com a União Soviética muitos anos depois. Mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, a Tchecoslováquia tornou-se um país comunista ao ter sido libertada do domínio nazista pelas tropas soviéticas. Nos anos 60 foi se tornando, discretamente, um país comunista mais liberal, moderado e de conotações democráticas. Conhecido movimento de conotaçoes suaves, "A Primavera de Praga" foi marcante. No final dos anos 80 , as reformas desencadeadas por Gorbatchev na União Soviética motivaram e favoreceram o movimento denominado "Revolução do Veludo", que sem qualquer violência e sem tiros promoveu profundas mudanças políticas e econômicas no país. Mais ou menos como a distensão ocorrida na Ditadura militar no Brasil na década de 70, com os movimentos “Diretas Já”, “Distensão” e “Anistia”. Em 1990 o país se tornou finalmente democrático ao eleger Václav Havel seu primeiro presidente e conduzindo o país às reformas econômicas e políticas que acabaram por separar, em 1993, a Tchecoslováquia em dois Estados: a República Tcheca e a República da Eslováquia.










Praga pode até parecer, à primeira vista, mais uma linda capital européia entre tantas outras.



Definitivamente, não é. Praga é muito mais. Não se trata de uma cidade apenas atraente, é uma belíssima cidade, entre as três mais bonitas cidades européias. Antes era quase inexistente o turismo, era muito difícil entrar no país, quase impossível. E essa é a razão porque o mundo descobriu Praga e todos resolveram vir conhecê-la de uma vez.
Em 96 a cidade ainda tinha um forte “ranço” comunista. Mas dez anos depois vejo que o mundo que descrobriu Praga enviou uma horda de turistas, de mochileiros a abastados, de bermuda colorida e câmera no pescoço a japoneses e sul-americanos. Em comum a todos, o encantamento.



A República Tcheca é um país bem pequeno, dividido em duas regiões: a Boêmia e Morávia. Além da capital é um país com pequenas e lindas cidades e inúmeros castelos medievais daqueles mais autênticos.










Jornalistas, articulistas e escritores costumam apelidar Praga como “Jóia rara”, um entre os jargões meio bregas que eu até compreendo o entusiasmo de quem os criou (até porque sou mais uma encantada com essa cidade), mas que detesto. Mas, se assim for, se eu tiver que inventar um, acho que Praga é muito mais que uma jóia rara, é uma caixa cheia delas! Os outros apelidos inventados pra promover a cidade são “Pérola do Oriente” (argh!) e “Paris do Leste” (que, sinceramente, a diminui). Para Goethe, era a "jóia de pedra". Eu gosto é do que disse Franz Kafka, o escritor tcheco mais famoso: "Praga não deixa a gente ir embora, esta velha tem garras". E que velha sedutora essa!


Enquanto escrevo essas mal traçadas linhas me recordei de um texto logo de quem?, Franz Kafka!, a respeito justamente de viajar. Fui nos meus alfarrábios eletrônicos (Meus Documentos no notebook) e “pesquei” algo que eu tinha guardado:
"Estar sentado num vagão de trem, esquecer disso e viver como se estivesse em casa. Mas de repente lembrar de onde se está, sentir a força do trem que nos transporta, transformar-se em viajante, tirar da mala um boné, tratar o companheiro de viagem com mais liberdade, deixar-se levar até a nossa meta sem esforço, sentir isso tudo como uma criança, tornar-se o favorito das mulheres, sentir-se incessantemente atraído pela janela, colocar ao menos uma das mãos no peitoril. A mesma situação, mais precisamente delineada: esquecer que se esqueceu, transformar-se num instante em uma criança que viaja sozinha num trem expresso, e em redor de quem o vagão, fremente de impaciência, se materializa em pormenores fascinantes, como se surgisse das mãos de um mágico." ( FRANZ KAFKA Diários de Viagem, 31/07/1917 ).
































quarta-feira, junho 06, 2007

Primavera EM Praga - Parte I


Vá a Praga, ao menos uma vez na vida. Você merece!


Eu acho que ninguém deveria deixar de ir a Praga ao menos uma vez na vida. O único problema é que se vc fizer isso antes de conhecer outras capitais européias poderá achá-las, essas sim, apenas mais umas entre tantas outras bonitas.

Quem conhece Praga certamente não se surpreenderá tanto com outra capital européia. Ah, é claro que Paris é "hour-concours", mas, mesmo assim...


Alguém já escreveu que Praga é uma "Disneylândia pra adultos". Eu não concordo com a afirmação (já pra definir Las Vegas, acho perfeito!), a não ser pelo o encantamento que proporciona, não pelo quesito "diversão".

Praga é verdadeiramente encantada, exótica, mística, misteriosa, meio lúgubre. Com igrejas fabulosas , torres góticas monumentais, templos barrocos belíssimos, pontes românticas, cúpulas douradas ou esverdeadas, torres medievais, quase tudo bem perto de um rio bonito, o Moldávia (ou Vlatav, na língua esquisita deles).
Cidade dos mais variados estilos arquitetônicos – do românico ao gótico , do renascentista ao barroco , do classicista ao Art-deco , do rococó ao renacimento , do moderno ao Art-nouveau . Ao mesmo tempo, verde. Colinas, praças, jardins, ruas largas, edifícios hiper-modernosos, caramanchões, torreões, pérgolas, pavilhões, estátuas de todos os tipos, palácios, palacetes, casarões, teatros, salas de concertos, museus, galerias.... enfim, uma cidade extremamente equipada pro interesse turístico e cultural, bastante fotogênica. Aliás, um paraíso para os fotógrafos amadores e profissionais.
Se Praga for a tal " Disneylândia pra adultos", é especial para arquitetos e fotógrafos. Acho mesmo que todos os arquitetos do mundo passaram por aqui, ou exibindo suas obras ou admirando as dos outros. É de fato impressionante a qualidade e bom-gosto da arte aplicada na arquitetura e na ornamentação.
Sem exagero, essa " velha sedutora" está ainda mais enxuta, mais atraente do que há dez anos, impecável. De botox a lifting, de silicone e malhação, ela fez de tudo pra não deixar tão evidentes as marcas do tempo. Em termos de manutenção, conservação e renovação, seguramente Praga se equipara a Paris e fica há anos-luz de Roma e Veneza.
Quase todos os seus monumentos e construções estão restaurados, bem cuidados, renovados, desde a pintura aos rococós e firulas. Tenho a impressão de que está ainda mais luxuosamente adornada por decoração arquitetônica desde as mas discretas àquelas mais evidentemente atraentes.
Das monumentais igrejas góticas e barrocas até as volutas, os rendilhados, rococós e penduricalhos art-nouveau, tudo encanta, tanto pela qualidade quanto pela beleza e elegância. São incontáveis firulas decorativas e ornamentais dignas de deixar um arquiteto ou esperto em ornamentação, de queixo caído. Lindo, tudo lindo...
O tcheco é uma lingua muito esquisita. Mais do que isso, é incompreensível. Extremamente rica em consoantes e pobre em vogais.
Dizem que é uma das linguas mais difíceis de se aprender, do Velho Mundo. Acho que nao perde pro Hungaro, que dizem ser a unica lingua que o diabo respeita.
Dá pra pensar em compreender algo escrito e falado assim?:
Veselým tanečkem a pásmem říkanek oslavily děti se svými učitelkami otevření nové mateřské školy v Bělohorské ulici v šesté městské části
A republica Tcheca é dividida em duas regioes: Moravia e Boêmia. Praga é a capital da Boêmia. da pra imaginas as cervejas que saem de la, né? E barata. Uma delcilia. Foi na Republica Tcheca que surgiu o Absinto. Nao quero nem me lembrar do meu estado sabado!
Apaixonante. Volto, com certeza!!!
(continua)