sábado, setembro 10, 2011





Pra quem tem coração partido, pra quem tem alegria transbordando, pra quem angustia por não sentir nada, pra quem traiu, pra quem foi traído, pra quem só vê beleza e poesia, pra quem ama desmesuradamente, pra quem pulsa, quem odeia, quem chora, quem gargalha; pra quem anestesia com a dor. Ou com a felicidade. Para aqueles que o coração está quase saindo pela boca, para os ofegantes, revolucionários e censurados. Pra quem nem entende nada. Pro mundo! Pra sempre, pra que acalme, pra que atormente, confunda. Pra estes que veem o mais profundo e livre em si. Pra todas as horas, pra se embriagar de amor e poesia, com a melhor certeza de que não existirá ressaca pós-porre de Chico.

www.chicobuarque.com.br





http://www.youtube.com/watch?v=84mp0RAeN6Q&feature=feedrec


quarta-feira, junho 15, 2011

Então, de todo amor não terminado seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.
(maiakovski)

sábado, junho 11, 2011

Shopenhauer e amor

Mas como um filósofo de vida amorosa tão desastrosa poderia ter algo a nos dizer sobre o amor? Pra começar ele dizia que o amor não é um assunto banal, que não devemos vê-lo como distração de assuntos mais sérios ou adultos (o amor é importante, PORRA hahaha). Não é por acaso que se trata de um sentimento tão avassalador , capaz e tomar conta da nossa vida e de todos os momentos do nosso dia. Shopenhauer diz que não devemos nos culpar tanto pelo estado de desespero e obsessão em que entramos se o amor fracassa. Ficar surpreso com a dor da rejeição é ignorar o quanto de entrega a aceitação exigiria (Essa parte eu escrevi e grifei). "Nada na vida é mais importante que o amor porque o que está em jogo é a sobrevivência da espécie"

quinta-feira, junho 09, 2011

Life is art.

I think everything in life is art.

What you do. How you dress.
The way you love someone. The way you talk.
Your smile and your personality.
What you believe i and all your dreams.
The way you drink. Your tea.
How you decorate your home. Or party.
Your grocery list. The food you make.
How your writting looks. And the way you feel.

Life is art!

domingo, junho 05, 2011

VISCA BARCELONA


E ela chegou assim, de repente, sem avisar. Ou se tentou avisar em algum inverno bem rígido enquanto eu vivia em Paris, não dei ouvidos.
Talvez de longe eu ouvisse a voz dela, no fundo: Se vieres para cá, teu inverno pode se tornar primavera. Não fui, não fui.  Não fui por pura tolice porque sempre tive o péssimo costume de contrariar as pessoas.
Mas também sei ceder e depois de tamanha insistência, fui. E não é que fui chegando, sentindo, vendo e ela tinha razão! Vivi o inverno mais primaveril de minha vida. Barcelona é assim: chega, te seduz como se não quisesse seduzir, te encanta. Te mostra arte, cultura. Moderno, novo. Contemporânea, medieval. Nesse querendo-não-querendo, te mostra no caminho tendências dentre as galerias de arte a meio fio. Mostra moda.
Ela chega e te surpreende com sua arquitetura. Ela, tão cosmopolita, te surpreende com o que te faz sentir. E, no meio de tudo isso, ainda tem a praia e o mar mediterrâneo.
Essa abstração total que chamamos de Barcelona, para mim, é uma figura quase humana e eu estabeleci com ela uma ligação de cumplicidade enorme; Barcelona conheceu meus segredos mais profundos, Barcelona me viu chorar de pura tristeza, me acolheu dentro das noites de solidão única, escutou minhas mais altas gargalhadas em cada uma de suas esquinas, Barcelona me despertou uma felicidade clandestina que eu nunca havia experimentado na vida. Barcelona simplesmente me apresentou à mim mesma.
No embasbacador universo modernista, onde Gaudí está por toda parte com alguns outros artistas catalães como Lluís Domènech i Montaner, quem conhece outras cidades da Europa se comove com Barcelona pela modernidade da “coisa”. Ou modernidade da “cor”. Barcelona te transforma. Barcelona te pulsa. E o pulso…
Encontramos também outros ícones igualmente atraentes e culturalmente fantásticos: Dalí, Miró e Picasso.
Dois mil anos de história. Aberta a inovações. Acolhedora, caliente,plural. Diversa! Em Barcelona os idiomas oficiais são o catalão e o castellano. As duas línguas coexistem num bilinguismo parecido à outras regiões do mundo.

Eu compreendo que nenhuma cidade pode ser comparada à outra, Barcelona encabeça a regra. Capital da Catalunha – uma comunidade autônoma – Barna é a que menos se sente e, logo, se expressa espanhola. Não só pelo idioma, mas por serem altamente “nacionalistas”, separatistas.
E também pela economia e turismo que Barcelona possui. É notória a rivalidade entre Barcelona e Madrid – a capital do país – e assim compreendemos que em tudo e POR TUDO, as diferenças vão muito além de simples rixa. Para mim, em termos de riqueza cultural, a Espanha é um dos países mais interessantes e, Barcelona, na minha opinião, está entre as 5 cidades mais absurdas (no sentindo maravilhoso da palavra) de todo o mundo.
Em Barcelona não se encontram aquelas “espanholices” mais típicas como mulheres vestidas com trajes tradicionais andaluzes e todos os adereços correspondentes (castanholas e leques, etc), nem os chapéus de toureiro e os belíssimos “cavalos andaluzes”, assim como também não encontrarás os touros de Miúra, mas encontram-se  os saborosos azeites extra virgens e a estupenda culinária espanhola, encontram-se as cores espanholas como num filme de Almodóvar.
Na minha opinião, aqui existem dois pontos mais altos. Um seria a riquíssima arquitetura que vai do gótico ao modernismo – tão proximamente quanto duas calçadas da mesma rua – e especialmente este que tem toda a sua personalidade admirada em BCN e ainda mais forte nas mãos de Gaudí e sua arquitetura completamente orgânica que, sinceramente, acho difícil ser encontrada em qualquer outro lugar do planeta. E o segundo é a beleza natural da cidade e o mediterrâneo para completar, fazendo casal com o céu mais azul que já vi em vida e que, eu mesma denominei (nada orginal) azul-barcelonès.
Barcelona te encanta de uma ponta a outra. Barcelona cheia de tapas, sangrias, festas. Pode também ser uma Barcelona pacata, calma e azul.
Barcelona é camaleão. Barcelona é adaptável. Barcelona não pode permitir definição.

quinta-feira, maio 26, 2011

Mistifório: A Carta da Saudade Escolhida

Mistifório: A Carta da Saudade Escolhida: "Meus caros amigos, Passada a dor do reencontro – é, porque reencontrá-los, mas ter que deixá-los tão rapidamente dói de verdade –, estou pr..."

quarta-feira, março 16, 2011

Existe alguma coisa entre nós: uma vontade mútua de não sermos cinzas. Van Gogh nos borrou de verde-água, e agora nos reconhecemos, apesar da multidão.

Rita Apoena e Eu.



"— E você, por que desvia o olhar?


(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)


— Ah. Porque eu sou tímida"

segunda-feira, março 07, 2011

Passou o aniversário. Chegaram as sugestões pros presentes não ganhados




Amor.  Girassóis. Céu azul. Cheiro de chuva. Declarações pela madrugada silenciosa. Sinceridade. Gargalhos de bebê. Um barquinho de papel. Um papagaio entre o céu e as nuvens. O sabor do mar. A música por trás dos ruídos. Bolinhas de sabão. O som das gotas no chão. Um sorriso tímido. Os olhos com cores de esperança. Confiança a olhos vendados. Um coração encostado no outro. Um ou dois "pra sempres". Um livro de poesia. Dormir agarradinho. Viagem de fim de semana. Ler na rede da varanda. Uma sopinha bem quentinha. Um par de meias de bolinhas. Um ou dois cata-ventos. Felicidade clandestina. Uma palavra inventada.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Sinceridades.



- Tu és bonita, mas tua irmã é mais.

- Não obrigada, não é nem pelo fato de estar satisfeita. É que a torta de batata não está com um gosto muito bom.

- Não quero alguém do teu tipo namorando a minha filha.

- Se quiseres ficar, pode ficar, mas saiba que ninguém aqui vai com a tua cara.

- Ahhh, sim! Eu li o teu livro. Mas não gostei muito e nunca me daria ao trabalho de reler.

- Dá pra falares um pouco mais de longe. É que o teu hálito não está nada bom. 

- Tu sabes que não te amo, não te quero, portanto pare de me torrar a paciência e saia do meu pé!

- Tu estás gorda, tu sabes. Admita!

- Eu adoraria que tu não viesses mais aqui. 

- Tu sabes que esta não foi a primeira vez e nem será a última. Teu filho usa esse tipo de coisa desde o colégio.

- Se quiser esquecer o número do meu telefone, eu agradeço.


- Dá pra parar de falar? Só sai bobagem, é impressionante.

- Não quero inventar desculpas, mas é que não estou a fim de você.

-  Seria mais fácil me falar o que queres e não chegar aqui com essas desculpas pra chamar a atenção.


- Será que não consegues entender que este teu discurso está ultrapassado?


- Cala essa boca e me beija!

(…)


terça-feira, fevereiro 15, 2011

Be yourself. Everyone else is already taken.

Atenção: existem duas solidões absolutamente diferentes...

Existe aquela que é intrínseca ao "ser" e que, enquanto não descoberta e aceita, provoca muita confusão e vazio; gera inclusive a outra, a má solidão.
Esta segunda é justamente o medo de estar sozinho, o medo de se encarar, enfrentar, descobrir. É o estar se preenchendo de qualquer coisa só para não sentir-se a si próprio.

A primeira é fortaleza e maturidade; a segunda é abandono.

sábado, fevereiro 12, 2011

L'amour???

O beijo é a assinatura de um homem. (Mae West)
Nada nelhor para a saúde do que um amor correspondido. (Vinicius de Moraes)
Falais baixo se falais de amor. (Shakespeare)
Amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu. (Michelangelo Buonarroti)
Ninguém vale nada enquanto não foi amado. (Tennessee Williams)
Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia. (William Shakespeare)
No fundo de cada alma há tesouros escondidos que somente o amor permite descobrir. (E. Rod)
A expectativa me faz sentir vertingens. (Shakespeare)
Fica-se muito louco quando apaixonado. (Sigmund Freud)
Amor é privilégio dos Maduros. (Drummond de Andrade)
O verdadeiro amor nunca divide:uma lealdade. Dois corações num leito, sem maldade (Shakespeare)
O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para todo o sempre e aumenta cada vez mais. (Balzac)
Pelo olhar entender é o segredo do amor. (Shakespeare)
O amor é a força mais sutil do mundo. (Mahatma Gandhi)
Amar é mudar a alma de casa (Mario Quintana)
Porque onde tu te encontras, o universo todo está. (Shakespeare)
Diante da vastidão do tempo e da imensidão do espaço é uma alegria para mim compartilhar uma época e um planeta com você. (Carl Sagan)
O amor é fumaça formada pelos vapores dos suspiros. (Shakespeare)
É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim. (Zezé di Camargo - hahaha piada, claro :))

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Vejo beleza em tudo o que é lugar



"A novidade é o único critério de toda a obra. Se não se acredita ter visto qualquer coisa nova, ou ter qualquer coisa nova a dizer, porque se escreveria, pintaria, teria uma câmera na mão? O novo é sempre o inesperado, mas também se torna eterno e necessário."
Gilles Deleuze

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

É quase delicado. E também absolutamente sutil.

Numa interpretação de fragmentos de um discurso amoroso:

Eu escrevo pra mim e pro mundo, mas, na verdade, essas palavras têm direção e destino.

Porque no final das contas, todas as conversações, todas as palavras e todos os fragmentos - no discurso amoroso - consistem em dizer alguma coisa para alguém.

Atenas e a solidão escolhida.

Como andar pela primeira vez em ruas de cidades desconhecidas, perder-se é encontrar-se. Ao mesmo tempo que te perdes pelo desconhecido, te encontras na tua melhor essência.

Viajar sozinha é isso pra mim, um vício. Além de partir para o desconhecido, como Sabina tinha tanto amor como eu, é uma busca incessante de ti mesma.

Andar em pleno outono e no meio de uma chuva tórrida por jardins nacionais em Atenas. Um deserto humano e um mundo de natureza. Ao mesmo tempo solidão escolhida, ainda bem, e a melhor companhia de todas. Tu mesma!

O delicioso encontro comigo mesma veio com toda a força num inverno rígido, cinza e chuvoso. E, depois de se trancar na toca de si mesma, veio a primavera que me ensinou a renascer como suas flores. Nunca ninguém disse que seria fácil, mas eu percebi o que valeria a pena.

Mas o necessário cultivo de tomar uma xícara de chá de si mesmo por dia faz bem à saúde e te faz enxergar um pouquinho mais do mundo que carregas dentro de ti.
Não te deixa esquecer, te reconheces em cada partezinha degustada.

Sair da rotina louca, da roda viva e deixar entrar no mais camuflado em ti. Seja em pensamentos ou até vozes, quando, sem querer, exteriorizas alguma ideia. Falas sozinho de tão acompanhado que te sentes contigo.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

De resto, recorro a Gide: "Ser me ocupa bastante."


O amor te faz mais preciso:
vulnerável, porém radioso.

domingo, fevereiro 06, 2011

Que cara é essa, amor?

Cara de quem tenta acertar sempre e mesmo assim erra,
Cara de grega, etrusca, asteca, bizantina,
Cara de quem já viveu tanta coisa e aprendeu quase nada,
Cara de apaixonada, assustada, desafinada, emaranhada, despenteada,
Cara de quem mergulha todo dia no desejo, no sentimento, na felicidade,
Cara de quem encara a rotina e tira prazer dela,
Cara de quem olha pra cima e se desprende ao vento,
fiel à queda, rápida e branda.
Cara de quem está longe, na eternidade da água,
sobrevivendo teu movimento…

Cúmplices.



Cúmplices.


Eu amo essa palavra.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Cortázar

"Es increíble que hace doce años
cumplí cincuenta, nada menos.
¿Cómo podía ser tan viejo
hace doce años?
...

 
Ya pronto serán trece desde el día
en que cumplí cincuenta. No parece
posible. El cielo es más y más azul,
y vos más y más linda.
¿No son acaso pruebas
de que algo anda estropeado en los
relojes?"

domingo, janeiro 30, 2011

Meu Hai Kai.

Sabe aqueles professores que te fazem viajar pelo mundo, encantar-se com cada classe, com cada descoberta? Daqueles que sobem na mesa pra declamar uma poesia e te entorpecem com a melodia da voz? Cada aula era tão prazerosa que todas as as outras do dia se ofuscavam.

Eu tive um professor assim, o Rodrigo.

Há alguns dias, retomei o contato com ele graças às redes sociais e um elogio citando um poeta é mais elogio. A poesia vive em minha vida e o lirismo me protege. Protège-moi.

"Pablo Neruda deve ter escrito algum poema para a tua imensurável beleza, Mayra".

Dormi feliz. E hoje, aniversário do Rodrigo, quem ganhou o presente fui eu. Ele me escreveu um Hai kai:


"És a mais formosa, posso e vou te escrever um poema! Deixo-te um haicai de presente:

Hai Kai de Mayra

Fuga entorpecida,
... com beleza incalculável
de pureza e sal
(Rodrigo B.)"

Posso sorrir todo o dia.

Jantando em companhia. Própria.

Eu viajo só. Completamente natural. E, quando viaja-se só, tudo o que fazes é, o que? Só! Inclusive sair pra jantar sozinha.

Quando fui à Atenas, tive a sorte de ficar no melhor hotel da cidade por trabalhar na mesma cadeia e pagar quase nada por uma suite absurda. E com isso, tive o serviço de mordomo. Logo, ele me indicou um restaurante super funky, trendy, cool da cidade.

Chegando ao local, me vi com duas opções: Me fazer de cool e esquecer toda a vergonha de chegar sozinha, ou então, assumir logo todo o embaraço que chegar sozinha num lugar lotado traz e falar: antes de mais nada, me traz um drink pra apaziguar essa vermelhidão nessas bochechas enormes que tenho? 

Mas preciso informar que o rosado no rosto é fruto de algum tempo sem viajar sozinha ou então de marinheiros de primeira viagem.  Depois da quarta saída pra jantar sozinha tudo vira festa. Já chegas rindo e premeditando situações. Funny, at least.

Antes de sair do hotel, perguntei ao Buttler sobre um tal bairro e ele me disse: You won't like this place. It's heavy, old and a lot of greek dancing. Only Greek music. Eu disse. Mas é a inserção na cultura que quero! No momento não sei se ele teve algum "pré-conceito" contra mim, tipo: essa índia cheia de pena nas orelha não vai curtir o clima local.

Fui direto ao restaurante que ele me indicou, em Gazi. "For sure you'll like it. It's trendy!". Tsc tsc. 

Chegando ao Mamaca's; senta fora; dentro? Onde é melhor? Tás sozinha? Sim, estou. Ahhh! Uma pessoa só?!?

Silencio. 

As pessoas ainda sentem um desconforto muito grande quando eu falo que viajo sozinha. Só elas, porque eu, sinceramente, adoro. Depois da primeira vez, vira vício. Um encontro com si mesmo e com tua própria essência.
Sempre digo a mim mesma que tenho que ter algum aliado quando saio pra jantar só e não me sentir desconfortável com tantos olhares de pena ou até de curiosidade alheia. O jantar pode te inibir. Não a comida em si, mas o ambiente em que estás. Ainda mais se for numa cidade que acabas de chegar e que nem falas o idioma deles. 

Há pessoas que já possuem um aliado intrínseco: a observação. Os observadores não precisam de mais nada. É tão natural observar que o olhar vira a tua melhor companhia. Minha melhor companhia é outra; ou melhor, são outras: o papel e a caneta. Escrever e, assim, descrever, me comove. E me sinto totalmente à vontade com a caneta na mão. 

Eu admito que para os outros deve ser um tanto estranho ver uma mulher chegando a um restaurante com sua caderneta na mão. E bem vestida, arrumada - e digo isso do fundo do coração porque capricho em cada detalhe antes de sair, afinal, estou indo para um encontro com a pessoa mais importante da minha vida: eu!

E alternando, claro, entre a observadora e a iniciante a escritora. Escrevo: Observo. Escrevo mais. Deixo a caneta de lado. Observo as gentes passearem, olharem. Serem. 

E nesse observa-escreve, converso comigo mesma com palavras escritas à meia-luz; aproveito cada segundo do jantar e aprecio as horas que dediquei à mim. 








sexta-feira, janeiro 28, 2011

E num 1º de novembro de 2010.

E quem diria que 2010 ia dar nisso?

Mesmice e falta de mudanças foram coisas de que não pude reclamar nesse ano. Cambios. Changements. Saindo lá. Chegando pra cá!

E muda. Muda de cidade, de país. De status. Muda de casa. Muda de emprego. É um casa, separa. Muda de casa pela última vez. Mas muito, o que muda muito, é dentro.

1º de novembro e acabei de pisar na casa nova. Nunca imaginei um ano assim. Aliás, imaginei tudo, menos isso. Sem reclamações, por favor. Ao revés, estou adorando.

É novo, é nova fase. Busca. Entendimento. Conhecimento. Autoconhecimento.

Eu cresci? Com o mesmo jeito de moleca e cara de sapeca, eu cresci.

Cada vez mais me reconheço em mim. Mais Mayra, cada vez mais Mayra. Sinto a energia voltar, sinto o sangue correr. Sinto aquela felicidade clandestina me inundar de novo. Clandestina? Sim! Só eu sei o sentimento que ela me traz. Uma gargalhada rosa interna; muito amor em me ser.