A questão do desejo, que para a histérica está além de suas demandas, pois nada pode lhe ser dado com a finalidade de aplacar sua constante e insaciável rede de queixas. Trazendo consigo como características o ideal de perfeição, o discurso idealista, a marca da insuficiência, a histérica nos mostra que frente à sexualidade não há saber, e que ela vive inevitavelmente num estado latente de insatisfação que não se restringe unicamente ao registro sexual, mas que se estende para totalidade da vida. Quando mais insatisfeita ela é, mais protegida das ameaças de um gozo que para ela pode ser um risco de desintegração e loucura.
Enquanto continuam à procura desse ideal de perfeição, tanto corporal quanto intelectual e emotivo - sua marca patente é a insatisfação, pois a histérica não corre atrás de seu desejo, mas visa um ideal, e por isso está sempre se queixando, tecendo justificativas para continuar naquele lugar de manter o outro idealizado - seu gozo continua como sempre em busca de reconhecimento, e na sua procura excessiva e contraditória, na sua tristeza mal compreendida, ela é criticada por uns e medicada por outros (...).
A histérica precisa ocultar sua falha, para isso ressalta todo o resto, constituindo assim um jogo de ocultamento/superexposição. É nessa superexposição que ela não deixa lugar para que ocorra um encontro com a tão temida e angustiante falta e essa estratégia nos diz de um terror ao desamparo, forma máxima do nada. Faz-se necessária, por uma questão de sobrevivência psíquica, a crença de que alguém pode ter o falo, completude, forma máxima do tudo: essa é a busca da histérica, o tudo por terror ao nada.
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