quarta-feira, outubro 20, 2010

Um natural desabafo


O que me angustia é o conformismo e a falta de capacidade de argumentação que os jovens tem nos dias de hoje.
Em meio a tanta asneira que lemos e ouvimos todos os dias, nas épocas das eleições, nos damos conta que o preconceito anda tão forte quanto a comodidade dos brasileiros em absorver só as informações que lhes convém ou então de aceitar passivamente as mesmas que chegam da maneira mais fácil.

Numa troca de e-mails com a minha avó, outro dia, fiz questão de posicionar o meu descontentamento com jovens brasileiros e em especial um (que me angustia profundamente saber que não existe mais afinidade entre nós).  Me acalmei com a explicação dela sobre minha reação de indignação ser natural pela nossa luta e de ver pessoas cheias de qualidades serem politicamente equivocadas porque não procuraram evoluir.


Não sei se acontece com todo mundo ou se foi meu meio social de quando morava em Belém que me faz ser "obrigada" a ler nas timeline a quantidade de absurdo que leio. Na minha condição de inquieta, é impossível não reagir. Logo eu, que sempre discuti e lutei pelos meus direitos. Confesso que, muitas vezes, até demais.

Eu acho que uma das coisas mais válidas é a discussão sem querer impor e sem ofender. Discutir com pessoas educadas e sábias, ainda que completamente contra ti, é fantástico e um aprendizado tremendo. Onde te faz enxergar melhor o outro lado e pode até te fazer concordar com algumas coisas. Discutir com pessoas inteligentes deveria acontecer sempre.

A minha questão aqui está longe de ser somente política. A minha questão aqui não é pra querer convencer ninguém de ideologia e nem de voto nenhum. Não quero ninguém igual a ninguém! A diferença entre os seres, na minha opinião, é uma das coisas mais belas da vida. 

A minha grande vontade é instigar os jovens a ir atrás de fontes verdadeiras de informação,  argumentar, questionar, refletir antes de escrever qualquer frase cheia de boatos ou então, como tenho visto demasiadamente, cheias de preconceitos. Preconceitos contra tudo! Outro dia li até frases querendo atingir a maneira de piscar de um candidato. Tudo, pra eles, é pra agredir, pra jogar sujo, pra ferir. Usam palavrotas torpes pra designar pessoas como se xingando atingissem mais forte. Mais certeiros! 

Dia desses, fui obrigada a ler isto: "Ganhar é fácil. Receber comida na mesa sem precisar fazer muito por isso. Mas não é assim que se muda os rumos de uma nação...". É sério que os jovens de hoje perderam completamente a noção do que é um ser miserável sem ter o que comer, onde trabalhar, onde estudar e até onde morrer e acham que é fácil receber necessidade básica de um ser humano? 35 milhões de miseráveis agora tem o que comer e essa é a reflexão de um jovem de classe média alta brasileira? Por favor, alguém me diz que eu estou equivocada! Que este comentário foi pertinente sobre a miséria no país.

O que penso que precisamos, todos nós, é tomar muito cuidado pra não tomar posições baseadas em emoções (apenas), inclusive sentimentos de simpatia ou antipatia pessoal, quem sabe social. A fonte de informação precisa ser segura sempre, não somente em período de eleições conturbados por tanta calúnia. Ou, se não for segura, que sejam informações adquiridas de várias fontes diferentes porque sabemos que a mídia brasileira é controlada por empresários pouco interessados na inteligência do povo.

Não é mais fácil controlar a opinião de um povo que é totalmente desacostumado a refletir? Não podemos discutir como quem discute o melhor time de futebol ou escola de samba! Tem que ser sem raiva, mané! É o nosso país e estamos juntos nisso.