segunda-feira, junho 19, 2006

.: vou nascendo do meu vazio .ou. só narro meus nascimentos :.
A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos.. Sua beleza é triste e nostalgica porque, sendo moradores da nossa alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, uma maneira de olhar, ou um jeito da mão) que sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuidos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que no quadro está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não existe coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais. Neruda dizia que ele seria capaz de devorar o universo inteiro. Nas palavras da Adélia Prado, "para o desejo do meu coração o mar é uma gota". E o amor se revela então como a coisa mais triste. Cedo ou tarde, descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma.
E só restará a ela se alimentar da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...
"Os livros na estante já não têm mais tanta importância.
Do muito que eu li, do pouco que sei, Nada me resta.
A não ser ..."

Copa do Leão. O mais querido!