segunda-feira, dezembro 07, 2009

Apreciaçao

Talvez apreciaçao seja a palavra certa para Paris. Apreciar a arte, a vida, degustar, sentir cheiros, cores e sabores.

A apreciaçao precisa ser compartilhada. Talvez como a felicidade que parece ser mais felicidade quando dividida, "cumplicitada".

E' necessario encontrar pessoas com o mesmo intuito, com a mesma visao de mundo. E' importante ter prazer e ver prazer nas coisas. Inclusive neste domingo cinza e chuvoso lindo depois de uma boa dose de arte.

Imaginem: Depois de um museu magnifico, chuva e cinza num petit restaurante em Saint-Germain-de-Près charmoso. Vinho rosé geladinho, gastronomia magnanima e a companhia da amiga, grande amiga, de mesmo nome.

sábado, julho 11, 2009

Sincronicidade e amor

"É errado, portanto, censurar um romance que é fascinante por suas misteriosas coincidências (...) mas é certo censurar o homem que é cego a essas coincidências em sua vida diária. Pois sendo assim, ele priva sua vida de uma nova dimensão de beleza"

(A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera)

segunda-feira, maio 11, 2009


E passou o inverno... Os primordiais pequenos calores da primavera chegando uivando, cheios de furia ainda fraca, querendo tomar conta dos dias. Esses calores tao antigos quanto um primeiro suspiro. Calores estes que me fazem nao poder deixar de sorrir. Mesmo sem me olhar ao espelho, sei que é um sorriso que tem a imbecilidade dos cupidos, dos anjos.

Muito antes de nascer esta "nova" estação ja havia algo anunciado...

E' impossivel!!! Impossivel que a doçura da primavera, dos ares, das cores nao traga outras! E digo com o coraçao nas maos.
Impossivel... Impossivel que esse novo ar nao traga mais amor ao mundo -- Meu coraçao repete partido todo em secura, pedaçoes de sangue duro e podre. E ele nem consegue reconhecer que isso, essa vontade, ja é um pouco de amor nascendo.

Isso TUDO, esse tudo, parece muito pra um coraçao enfraquecido que andava suportando o menos, o frio, o cinza.

quinta-feira, abril 16, 2009

Texto da dupla Mayuri.

Palpitam em mim todos os cantos, partes, pedaços (e sempre foi assim). A anatomia é maluca. Sinto, e muito, em tudo. Dentro e fora. Nas extremidades, no mais fundo. No mais Escondido e obscuro de mim.

Meus reencontros comigo mesma sao ao mesmo tempo, dolorosos e exuberantes. No inicio, é essa dor comparada a aprender alguma coisa nova, uma sensaçao de incapacidade de cumprir o objetivo. Mas depois de um tempo, sinto muito forte a felicidade clandestina de me reencontrar. Depois de processar e digerir acontecimentos, perdas, sensaçoes e situaçoes, o que me resta e quase o colapso de reflexao pra tentar evoluir.

E somente um euforico reencontro (de dentro) é comparavel à dor da saudade. Saudade é sentida fisicamente, nao é mesmo ? Eu, acho que como todos, sinto no peito (literalmente) quando alguém me faz falta. A verdadeira falta. Sinto todos os dias a dor maior no peito da saudade dos meus.

Pra mim, é muito maior do que uma dor fisica de queda, de quebrar a perna, de torcer o tornozelo jogando bola. E’ maior do que me queimar cozinhando, é maior do que ter que me depilar sozinha. E’ muito maior do que muita dor genuinamente fisica. Sentir saudade de um amor que acabou ou de uma pessoa querida que se foi é demasiado doloroso, mas tristeza mesmo é sentir falta de si mesmo.

Sentir saudade de si mesmo é nao se reconhecer. E’ estar longe de sua propria essencia. Olhar pra dentro e nao reconhecer suas proprias atitudes. E’ nao saber onde anda aquela velha e gostosa sensaçao de bem-estar consigo. De encontrar os pequenos prazeres da vida na sua propria solidao (a solidao boa, e nao a ruim. A solidao intrinseca do ser humano, que é de verdade e muito boa). E’ de ter que fugir pra fingir que se achou. Sentir saudade de si mesmo é mentir pra dentro, que é a pior mentira de todas. E la dentro, continuar se perguntando como voltar a ser feliz.

Por isso que tomar uma xicara de cha de si mesmo todos os dias é lindo e cheio de dor. E’ moderado e necessario…

Ter a percepçao de que te perdeste de ti é sofrido, mas quando te das realmente conta de que te perdeste e te angustias, é também o maior impulso para ter a consciencia de que é preciso reencontrar-se.

No’s somos os nossos maiores parceiros… E é pra toda vida.

E é por isso que vibra dentro de mim a satisfaçao de ver que posso sempre tentar, posso sempre melhorar, posso sempre me ser. Posso, pra sempre, me ter e contar comigo mesma. A cada dia de autoconhecimento, sigo mais confiante, mesmo assustada com obstaculos que vao sempre passar pelo meu caminho.

Um viva a nos mesmos !

sábado, janeiro 10, 2009

As vacas desesperadas.

E chegamos às discussões piegas, aos lugares comuns e aos clichês da sociedade moderna. Mulheres que se dizem independentes e modernas discutem sobre amor, sobre sentir, viver, liberdade, felicidade e vazio. (às vezes elas só falam disso: homens, relações, homens, homens, sexo, homens – Só falam disso! Urgh!).

Muitas delas bem confusas contradizem-se em cada colocação seguida de uma afirmação medíocre. Tentam mostrar a atitude "sou solteira e sou feliz" e, na verdade, se pegam solitárias no meio da multidão porque tudo o que mais queriam era conseguir encontrar alguém bacana pra ficar ao seu lado. Querendo mostrar ao mundo que são felizes e satisfeitas, ocultando sua carência emocional e afetiva, só conseguem nos fazer remarcar que elas estão vivendo um caminho completamente ao avesso disso. Estão sendo felizes e satisfeitas às avessas tentando ocultar a carência e o desespero sem nenhum sucesso. Elas não possuem nenhuma harmonia enquanto mulheres; nem interna e muito menos externa. Entende? Patético!

Parece que vemos hoje em dia uma disseminação de "sex and the city 2008", onde as caboquinhas insistem em querer mostrar ao mundo a independência, modernidade e liberdade que vivem, acabando por serem ridicularizadas pelos outros porque a idéia inicial poderia até ser magnânima, mas as seguidoras não conseguem dar um passo com firmeza pra lutar de acordo com a filosofia que elas fazem tanta questão de gritar ao mundo. Repugnante, no mínimo.

Na verdade, é repulsivo porque achando que estão saindo de Eu-não-to-nem-ai, as bichinhas estão pagando o papel mais ridículo da historia da mulher contemporânea. Sabe o que parece? Parece que elas não têm amigas pra dizer: Ei, para ai! Olha que papelão! Pode ir parando com isso porque tu tas sendo contraditória, desesperada e ridícula.

Ser mulher moderna e livre hoje em dia não significa ser só. Alias, o feminismo nunca foi mostrar ao mundo com quantos caras tu podes ir pra cama ou então como podes lutar contra as tuas inseguranças histéricas. Não! O feminismo e o “segundo sexo” sempre tiveram assuntos muito mais importantes a tratar. Não é sendo puta que vais provar pra alguém que és mulher. Ser mulher é muito maior que isso.

O ser humano possui uma característica que o diferencia dos outros seres que se manifesta pelo saber e pela consciência. E ser humano é saber e assumir que sentimos. Diferenciamos-nos porque sabemos que sentimos. Não adianta negar, a busca do ser humano é o amor e quando nos frustramos diante de uma relação costumamos ter reações estranhas. Fuga! O mais difícil disso tudo é aceitar reações de maternal vinda de mulheres, eu disse: mulheres (porque estamos vendo uma mulher feita ali). Olhamos o arquétipo de uma mulher e um interior pré-adolescente.

Não adianta negar, eu mesma quando eu tinha 15 anos, eu jurava que minha vida profissional ia ser suficiente e satisfatória. Bastaria-me, inclusive. Talvez eu até entenda algumas atitudes porque já fui adolescente. Mas depois de viver vinte e cinco anos, já somos adultos e maduros o suficiente pra poder afirmar, a partir de conhecimento empírico e até cognição metafísica que não existe nada que nos torne mais humanamente felizes do que o amor. Amor em suas mais variadas formas. Isso: Família, amigos, amores, vida, cores, sensações, paisagens, musica, livros, filmes e principalmente, amor-próprio.

A mulher histerica. Ou o ser humano.

A questão do desejo, que para a histérica está além de suas demandas, pois nada pode lhe ser dado com a finalidade de aplacar sua constante e insaciável rede de queixas. Trazendo consigo como características o ideal de perfeição, o discurso idealista, a marca da insuficiência, a histérica nos mostra que frente à sexualidade não há saber, e que ela vive inevitavelmente num estado latente de insatisfação que não se restringe unicamente ao registro sexual, mas que se estende para totalidade da vida. Quando mais insatisfeita ela é, mais protegida das ameaças de um gozo que para ela pode ser um risco de desintegração e loucura.

Enquanto continuam à procura desse ideal de perfeição, tanto corporal quanto intelectual e emotivo - sua marca patente é a insatisfação, pois a histérica não corre atrás de seu desejo, mas visa um ideal, e por isso está sempre se queixando, tecendo justificativas para continuar naquele lugar de manter o outro idealizado - seu gozo continua como sempre em busca de reconhecimento, e na sua procura excessiva e contraditória, na sua tristeza mal compreendida, ela é criticada por uns e medicada por outros (...).

A histérica precisa ocultar sua falha, para isso ressalta todo o resto, constituindo assim um jogo de ocultamento/superexposição. É nessa superexposição que ela não deixa lugar para que ocorra um encontro com a tão temida e angustiante falta e essa estratégia nos diz de um terror ao desamparo, forma máxima do nada. Faz-se necessária, por uma questão de sobrevivência psíquica, a crença de que alguém pode ter o falo, completude, forma máxima do tudo: essa é a busca da histérica, o tudo por terror ao nada.