Eu escrevo pra mim e pro mundo, mas, na verdade, essas palavras têm direção e destino.
Porque no final das contas, todas as conversações, todas as palavras e todos os fragmentos - no discurso amoroso - consistem em dizer alguma coisa para alguém.
Expressões. Sentimentos. Magia. Encantamento. Paixão. humor. Enlevo. Vergonha. Desabafo. Sem Edição. Por impulso? Quase isso. Com vontade. Sem restrição. Rascunhos. Rabiscos. Idéias!
Cheguei no hotel e logo sair pra ver a cidade se mexer. Levei um mapa que não me serviu pra muita coisa. Me perdi inúmeras vezes (menos que em Veneza), mas não vi nenhum problema nisso. Já estava escuro, de noite e de vários pontos da cidade se vê a Acrópolis iluminada. Andei por várias ruas e fiquei impressionada com a quantidade de restaurantes. Um do lado do outro, cheios de gente. E não em uma rua só, em várias. Lindo! Mas eu buscava algo menos turístico, queria alguma "taberna" grega bem particular e com atenienses, e não turistas. Palpitam em mim todos os cantos, partes, pedaços (e sempre foi assim). A anatomia é maluca. Sinto, e muito, em tudo. Dentro e fora. Nas extremidades, no mais fundo. No mais Escondido e obscuro de mim.
Meus reencontros comigo mesma sao ao mesmo tempo, dolorosos e exuberantes. No inicio, é essa dor comparada a aprender alguma coisa nova, uma sensaçao de incapacidade de cumprir o objetivo. Mas depois de um tempo, sinto muito forte a felicidade clandestina de me reencontrar. Depois de processar e digerir acontecimentos, perdas, sensaçoes e situaçoes, o que me resta e quase o colapso de reflexao pra tentar evoluir.
E somente um euforico reencontro (de dentro) é comparavel à dor da saudade. Saudade é sentida fisicamente, nao é mesmo ? Eu, acho que como todos, sinto no peito (literalmente) quando alguém me faz falta. A verdadeira falta. Sinto todos os dias a dor maior no peito da saudade dos meus.
Pra mim, é muito maior do que uma dor fisica de queda, de quebrar a perna, de torcer o tornozelo jogando bola. E’ maior do que me queimar cozinhando, é maior do que ter que me depilar sozinha. E’ muito maior do que muita dor genuinamente fisica. Sentir saudade de um amor que acabou ou de uma pessoa querida que se foi é demasiado doloroso, mas tristeza mesmo é sentir falta de si mesmo.
Sentir saudade de si mesmo é nao se reconhecer. E’ estar longe de sua propria essencia. Olhar pra dentro e nao reconhecer suas proprias atitudes. E’ nao saber onde anda aquela velha e gostosa sensaçao de bem-estar consigo. De encontrar os pequenos prazeres da vida na sua propria solidao (a solidao boa, e nao a ruim. A solidao intrinseca do ser humano, que é de verdade e muito boa). E’ de ter que fugir pra fingir que se achou. Sentir saudade de si mesmo é mentir pra dentro, que é a pior mentira de todas. E la dentro, continuar se perguntando como voltar a ser feliz.
Por isso que tomar uma xicara de cha de si mesmo todos os dias é lindo e cheio de dor. E’ moderado e necessario…
Ter a percepçao de que te perdeste de ti é sofrido, mas quando te das realmente conta de que te perdeste e te angustias, é também o maior impulso para ter a consciencia de que é preciso reencontrar-se.
No’s somos os nossos maiores parceiros… E é pra toda vida.
E é por isso que vibra dentro de mim a satisfaçao de ver que posso sempre tentar, posso sempre melhorar, posso sempre me ser. Posso, pra sempre, me ter e contar comigo mesma. A cada dia de autoconhecimento, sigo mais confiante, mesmo assustada com obstaculos que vao sempre passar pelo meu caminho.
Um viva a nos mesmos !
Eu o desejava como se desejavam as coisas perdidas para sempre.
Sensaçao deliciosa e muito estranha. Eu me sentia fascinada, encantada e melancolica ao mesmo tempo.Esses elementos, associados em proporçoes diferentes em cada cançao, sempre me faziam sonhar, viajar e fantasiar algo romantico e triste, patetico e misterioso. E me reportavam tambem para o estrangeiro, para longe, para experiencias desconhecidas ou ainda irrelevadas. Porem originadas, ligadas e destinadas ao amor, à relaçao homem e mulher. Pareciam coisas lembradas ou desejadas com paixao e muita dor. Sempre me excitavam pela intensa sensualidade e, sobretudo, pela beleza, mas uma beleza que so pude pressentir em minha adolescência.
