Expressões. Sentimentos. Magia. Encantamento. Paixão. humor. Enlevo. Vergonha. Desabafo. Sem Edição. Por impulso? Quase isso. Com vontade. Sem restrição. Rascunhos. Rabiscos. Idéias!
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
domingo, janeiro 30, 2011
Meu Hai Kai.
Eu tive um professor assim, o Rodrigo.
Há alguns dias, retomei o contato com ele graças às redes sociais e um elogio citando um poeta é mais elogio. A poesia vive em minha vida e o lirismo me protege. Protège-moi.
"Pablo Neruda deve ter escrito algum poema para a tua imensurável beleza, Mayra".
Dormi feliz. E hoje, aniversário do Rodrigo, quem ganhou o presente fui eu. Ele me escreveu um Hai kai:
"És a mais formosa, posso e vou te escrever um poema! Deixo-te um haicai de presente:
Hai Kai de Mayra
Fuga entorpecida,
... com beleza incalculável
de pureza e sal
(Rodrigo B.)"
Posso sorrir todo o dia.
Jantando em companhia. Própria.
sexta-feira, janeiro 28, 2011
E num 1º de novembro de 2010.
Mesmice e falta de mudanças foram coisas de que não pude reclamar nesse ano. Cambios. Changements. Saindo lá. Chegando pra cá!
E muda. Muda de cidade, de país. De status. Muda de casa. Muda de emprego. É um casa, separa. Muda de casa pela última vez. Mas muito, o que muda muito, é dentro.
1º de novembro e acabei de pisar na casa nova. Nunca imaginei um ano assim. Aliás, imaginei tudo, menos isso. Sem reclamações, por favor. Ao revés, estou adorando.
É novo, é nova fase. Busca. Entendimento. Conhecimento. Autoconhecimento.
Eu cresci? Com o mesmo jeito de moleca e cara de sapeca, eu cresci.
Cada vez mais me reconheço em mim. Mais Mayra, cada vez mais Mayra. Sinto a energia voltar, sinto o sangue correr. Sinto aquela felicidade clandestina me inundar de novo. Clandestina? Sim! Só eu sei o sentimento que ela me traz. Uma gargalhada rosa interna; muito amor em me ser.
sábado, dezembro 18, 2010
Como viver num mundo de parcerias frouxas e eminentemente revogáveis
A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é amor líquido. A tirania do mercado explica em parte esta característica rarefeita de tudo. Estamos na era do homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz deve também estar preparado para suportar malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.
É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas.
Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso os leva ao tédio e à frustração. Ser bem sucedido é conviver com novidades, variedades, e rotatividade.
Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e por isso mesmo mais barato). Nesta sociedade líquida, você não compra, aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar implica rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.
Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos "relacionamentos puros", onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginem que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é "por causa de" e não "a fim de". Enquanto há razões a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.
Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal "até que a morte nos separe". Bauman chama isso de "relacionamentos de bolso", que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por esta razão, a "sociedade líquida" prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os "especialistas".
Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS - casais semi separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que "quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade".
Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor, tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento impede a entrega total, e porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, ou deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz a respeito que estão "numa viagem nunca termina, o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido".
segunda-feira, novembro 15, 2010
quinta-feira, novembro 11, 2010
Tá falando grego? Parte I
A história de vir logo pra Grécia, antes do verão do ano que vem, junto com as ilhas gregas foi mais pelo preço da passagem da vueling que por outra coisa. Eu estava mais para o lado de Budapeste, Marrakech ou Istambul.
Mas é óbvio que desde o início tudo já me seduziu. Tudo bem! Atenas significa o início de uma civilização, as cidades-estado estudadas no colégio, a mitologia grega, os filósofos adorados, as esculturas exaltando a beleza em todos os pontos, os deuses, o legado, a arte, os mais de 3000 anos A.C quando se tem evidencia dos primeiros assentamentos perto da Acrópolis, entre muitas outras coisas e, claro, o que sempre me vem à cabeça: onde nasceu a democracia quando Sólon promulga sua primeira constituição e estabelece o conselho dos 400.
Como não amar a ideia de chegar aqui? Na hora!
É isso: uma confusão de informação e conhecimento! Atenas é, ao mesmo tempo, uma remetedura ao passado antes de Cristo até os escândalos políticos ou ainda a avassaladora crise depois de Cristo que foi mesmo 2009/2010.
Confissão antes de começar a escrever: Trabalho para os hotéis Starwood e tenho o direito a uma tarifa MAIS QUE ESPECIAL em todos os hotéis da rede, upon availability. O melhor hotel de Atenas faz parte da nossa rede, um hotel 5 estrelas super bem localizado, com os melhores serviços e toda uma chiqueza que não estou acostumada! Tratamento totalmente VIP. OH, God! E eu vim sozinha! hahaha!
Cheguei no hotel e logo sair pra ver a cidade se mexer. Levei um mapa que não me serviu pra muita coisa. Me perdi inúmeras vezes (menos que em Veneza), mas não vi nenhum problema nisso. Já estava escuro, de noite e de vários pontos da cidade se vê a Acrópolis iluminada. Andei por várias ruas e fiquei impressionada com a quantidade de restaurantes. Um do lado do outro, cheios de gente. E não em uma rua só, em várias. Lindo! Mas eu buscava algo menos turístico, queria alguma "taberna" grega bem particular e com atenienses, e não turistas. Encontrei franceses que vem várias vezes por ano há 35 anos e me disseram que encontrei um óptimo lugar, de boa qualidade e não turístico. Do jeito que eu queria! E eu ainda disse: "Je me suis perdue plusieurs fios aujourd'hui… ça a été genial, mais, j'étais déjà fatigue!" e a senhora: "C'est comme ça qu'on découvre la ville". Oui, je sais bien ;) (Eu me perdi diversas vezes hoje! Foi genial, mais eu ja estava cansada" - Mas é dessa maneira que descobrimos a cidade!
E é isso mesmo. Perdendo nos encontramos. E isso eu aprendi em Veneza e nas maravilhas que encontrei em cada esquina no meio das minhas perdidas!
A realidade é que essas minhas primeiras horas na Grécia me fizeram pensar absurdamente em filosofia, historia e mitologia, mas num dos deuses em especial nessa taberna: Dionisio! Traz o vinho!!!
terça-feira, outubro 26, 2010
Resposta a um e-mail sujo
"Gostaria apenas de responder ao sujeito que enviou este e-mail difamatório, preconceituoso e mentiroso em relação à candidata Dilma Roussef.
As pessoas como você, meu caro, obscurantistas e oportunistas, que agem nas sombras por meio da calúnia e da pregação do medo, felizmente não têm vez no Brasil que está se construindo com a força de centenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras. É um Brasil que você e as elites fingem não ver, porque sentem falta do país atrasado, atrelado e subalterno a interesses das grandes potências estrangeiras, no qual mandaram por séculos.
Sentem falta do Brasil de oito, dez anos atrás: faminto, desempregado, de joelhos e alquebrado, sem auto-estima.
Mas o povo brasileiro não quer de volta essa realidade triste. O povo que lutou e hoje se sente representado no poder não quer devolvê-lo às mãos de uns poucos endinheirados – aqueles que passeiam no Ibirapuera invejando o Central Park, que vivem nos condomínios de luxo sonhando com Beverly Hills. Não! O povo pensa, meu chapa. E o povo quer Lula e o povo quer DILMA!
O que pode acontecer se DILMA ganhar?
- Pode acontecer a continuidade do crescimento econômico a taxas chinesas, a geração de mais de 2 milhões de empregos com carteira assinada por ano, o aumento do salário mínimo acima da inflação.
- Pode acontecer de mais alguns milhões de brasileiros se somarem aos 30 milhões que chegaram à classe média. Pode acontecer de conseguirmos erradicar a pobreza, levando as famílias que ainda estão nessa situação ao patamar das mais de 20 milhões que saíram da miséria no governo Lula.
- Pode acontecer de o Brasil continuar sendo aplaudido internacionalmente como o país das oportunidades, da mobilidade social.
- Pode acontecer de o pré-sal ser utilizado para os interesses do Brasil e do nosso povo e não das empresas estrangeiras, que estão "babando" no canto das bocas engorduradas com as "oportunidades" que terão se o privatista e entreguista José Serra ganhar.
- Enfim, pode acontecer de continuarmos construindo um Brasil para todos os brasileiros e brasileiras. Um Brasil cada vez melhor. Um Brasil que orgulhe a cada um e a todos nós. E isso há de acontecer, porque DILMA há de ganhar!
Obrigado. E NUNCA mais dirija esse e-mail sujo para mim.
domingo, outubro 24, 2010
O laço e o abraço
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando….
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nenhum pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso…
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
Que possamos, sempre, cultivarmos laços.
Que todos os nós se transformem em eu, tu, nós.
beijos no coração.
sábado, outubro 23, 2010
quinta-feira, outubro 21, 2010
Reencontro em Veneza
quarta-feira, outubro 20, 2010
Um natural desabafo
quinta-feira, outubro 14, 2010
Rápidos diálogos
Sobrinha: Tia, e pra mim, ainda pior, é ver meus amigos, pessoas que tem todo o acervo pra informação em mãos, preferirem acreditar nas calunias. Se ainda fossem só os outros... Mas não, o veneno está mais impestado do que imaginamos!
Tia: Geralmente são pessoas que ou apenas repetem o que ouvem em cas, sem dar-se ao trabalho de pensar por si, ou então querem manter seus privilégios e preferem fazer de conta que acreditam no "mal" que quer equiparar os direitos.
Triste assisti...r e mais triste é ver a hipocrisia estampada.
Pero... no pasarán!
sábado, outubro 02, 2010
Batimentos.
quarta-feira, setembro 29, 2010
O meu maio de 68 de 2010.
O circulo repetido.
O preocupante destes jovens é todo o acervo, toda a oportunidade de informação que eles podem ter pra ter embasamento em qualquer ataque, em qualquer defesa de opinião. O acervo desperdiçado, abandonado.
Vejo, todos os dias, críticas de jovens que fizeram parte do meu círculo social no Brasil. Jovens que tiveram as mesmas oportunidades que eu. E nao digo oportunidades de ter a mesma escolha que eu, mas as mesmas oportunidades de conseguir defender uma opinião, de lutar pelos seus direitos, de enxergarem além. Eu sinto dor pelo mundo por existirem pessoas que escolhem ser ignorantes e medíocres. Pessoas egoístas que só conseguem olhar pra elas e nao querem ver um mundo melhor de verdade, dizendo defender algo que nem sabem o que é. (aliás, será que defendem mesmo? Será que dizer que é contra ou a favor de algo sem nem saber os reais motivos é defesa?).
Vejo uma cegueira, um ensaio sobre a cegueira de 2010. Vejo uma cegueira azul em jovens hipócritas e que demonstram cada vez mais não ver o valor do ser humano. Jovens que não votam em Dilma de maneira nenhuma e não percebem o crescimento do Brasil.
Um Brasil que cresce lindamente, que quebra muros, caras e obstáculos. Um Brasil que está melhor que a maioria dos países europeus. O que é isso da parte deles? Ignorância, cegueira, preconceito reacionário, burguês de assumir que um operário, que veio debaixo, foi muito mais capaz do que qualquer um deles?
Mas como perceber se eles so olham pra ele e tentam escrever algo sobre politica de 4 em 4 anos? Acho triste ver o preconceito barato dessa gente. E acho triste ver que, ainda tentando se defender, essas pessoas nao conseguem nem pontuar uma frase ou concordar um verbo.
O Lula tem mais de 95% de aceitaçao entre os eleitores brasileiros. Sendo dele ou nao. 95% é tão otimista que chega a ser até assutador. Imaginem só, até quem não vota no Lula, o admira.
Eu sinto uma dor enorme no meu peito. Eu sinto.
A Dilma é o retrato do Lula. É a cara do Lula. E a multidão é massa, massa pode ser burra, mas vota em quem faz o bem. Dilma ganha no primeiro turno. E por que será? Antes era competitivo, já hoje... Agora me digam, depois disso, quem é ignorante? A burguesia ou a classe baixa?
Lula fez voltar a classe média, quase extinta.
E hoje, 29 de setembro, acabo de voltar de uma manifestação sabe onde??? No primeiro mundo, o tao sonhado deda burguesia, da classe média e alta. E sabem o que eles manifestam?
terça-feira, setembro 28, 2010
Greve geral na Espanha
Uma greve geral de trabalhadores, consumidores e estudantes está prevista como uma das maiores ultimamente vistas por aqui. Um direito cidadão, um poder que nem todos sabem que tem.
Os espanhóis estão lutando pelos seus direitos, pelas medidas tomadas pelo trono e ministros para amenizar a crise. E não só medidas modificaram os direitos dos cidadão, mas também, contra um governo que não proporcionou o bem-estar social que outros países da Europa conseguiram. ( Mas nada se compara ao bem-estar social francês, que foi cosneguido com muita luta, pelos comunistas, diga-se de passagem).
E eu, que queria estar manifestando junto com esse povo porque agora moro nesse país e, se fosse pelo meu Brasil, estaria nas ruas esperneando pelos meus direitos.
Mas não posso. Tenho que trabalhar, de bicicleta, 6 da manha porque os transportes não vão existir. Tudo isso porque ainda estou começando no trabalho novo, estou fazendo com que eles confiem em mim e preciso mostrar força de vontade pra trabalhar nesse país que sofre uma grande crise e não tem oferecido emprego nem pros próprios espanhóis, quem dirá pros estrangeiros. E eu, brasileira, tenho um emprego lindo que não quero e nem posso perder agora.
Vou trabalhar sem uniforme porque existem os "piquets" que impedem as pessoas de trabalhar no meio da rua. Ficam a paisano por aí, como se tivessem o direito de impedir a vontade própria de cada um. Vou trabalhar tomando cuidado, todos em alerta porque eles podem atacar o hotel, os piquets, querendo fazer com que seja um dia de manifestação geral e onde nao pode haver trabalho.
O que fazer?
http://www.huelgageneral.net/
segunda-feira, setembro 27, 2010
domingo, setembro 26, 2010
quarta-feira, setembro 22, 2010
Prática
Essa é a frase seobre os textos, os escritos. Escrever. Treinar.
Chegou uma nova fase pra esse blog abandonado.
Chuva pós verão
Antes dele, dias de praia sem sol forte, desejando só mais uns "5 grausinhos" pra esquentar toda aquela frieza que, ainda vindo do inverno, inundava a primavera.
Paris me trouxe muita coisa boa, mas... Me deixou um trauma. Trauma dos invernos de 14 graus negativos, insistentes. Cinza, chuva, frio. Invernos onde entendi o quanto frio dói no osso, na cara. Invernos em que tive medo dos meus cabelos congelarem por ter saído com eles molhados pelas ruas. Invernos preguicentos, melancólicos.
Mudei de cidade, de país, de vida. Barcelona chegou e, com isso, além do cosmopolitismo, das cores; chegou também a praia e o lindo mediterrâneo. Chegou o céu azul-barcelona (cor inventada pra descrever esse céu incriticável que só quem veio aqui, conhece).
Os dias de verão foram intensos, longos e lindos. Mas o trauma do final do verão permaneceu em mim... E os ultimos dias de verão foram aproveitados como se fossem ultimos dias de vida. Bastava um solzinho aparecer que era rua, praia, bicicleta, patins, corrida. Ar livre! Os raios solares ainda fortes me faziam esquecer de mim, esquecer de algumas obrigações pra correr pra aproveitar os ultimos "calores" do ano.
E os dias foram continuamente lindos que um dia de chuva nao era pesar. Virou alivio por poder ficar na cama até mais tarde. Alívio de poder resolver as coisas pendentes sem ficar angustiada pensando: Mas o dia está tão bonito lá fora e eu aqui...
quinta-feira, agosto 19, 2010
Saudosa Belém
sábado, julho 03, 2010
Um outro Marx. Falando de amor. Lindamente.
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Apreciaçao
A apreciaçao precisa ser compartilhada. Talvez como a felicidade que parece ser mais felicidade quando dividida, "cumplicitada".
E' necessario encontrar pessoas com o mesmo intuito, com a mesma visao de mundo. E' importante ter prazer e ver prazer nas coisas. Inclusive neste domingo cinza e chuvoso lindo depois de uma boa dose de arte.
Imaginem: Depois de um museu magnifico, chuva e cinza num petit restaurante em Saint-Germain-de-Près charmoso. Vinho rosé geladinho, gastronomia magnanima e a companhia da amiga, grande amiga, de mesmo nome.
sábado, julho 11, 2009
Sincronicidade e amor
(A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera)
segunda-feira, maio 11, 2009
E passou o inverno... Os primordiais pequenos calores da primavera chegando uivando, cheios de furia ainda fraca, querendo tomar conta dos dias. Esses calores tao antigos quanto um primeiro suspiro. Calores estes que me fazem nao poder deixar de sorrir. Mesmo sem me olhar ao espelho, sei que é um sorriso que tem a imbecilidade dos cupidos, dos anjos.
Muito antes de nascer esta "nova" estação ja havia algo anunciado...
E' impossivel!!! Impossivel que a doçura da primavera, dos ares, das cores nao traga outras! E digo com o coraçao nas maos.
Impossivel... Impossivel que esse novo ar nao traga mais amor ao mundo -- Meu coraçao repete partido todo em secura, pedaçoes de sangue duro e podre. E ele nem consegue reconhecer que isso, essa vontade, ja é um pouco de amor nascendo.
Isso TUDO, esse tudo, parece muito pra um coraçao enfraquecido que andava suportando o menos, o frio, o cinza.
quinta-feira, abril 16, 2009
Texto da dupla Mayuri.
Palpitam em mim todos os cantos, partes, pedaços (e sempre foi assim). A anatomia é maluca. Sinto, e muito, em tudo. Dentro e fora. Nas extremidades, no mais fundo. No mais Escondido e obscuro de mim.
Meus reencontros comigo mesma sao ao mesmo tempo, dolorosos e exuberantes. No inicio, é essa dor comparada a aprender alguma coisa nova, uma sensaçao de incapacidade de cumprir o objetivo. Mas depois de um tempo, sinto muito forte a felicidade clandestina de me reencontrar. Depois de processar e digerir acontecimentos, perdas, sensaçoes e situaçoes, o que me resta e quase o colapso de reflexao pra tentar evoluir.
E somente um euforico reencontro (de dentro) é comparavel à dor da saudade. Saudade é sentida fisicamente, nao é mesmo ? Eu, acho que como todos, sinto no peito (literalmente) quando alguém me faz falta. A verdadeira falta. Sinto todos os dias a dor maior no peito da saudade dos meus.
Pra mim, é muito maior do que uma dor fisica de queda, de quebrar a perna, de torcer o tornozelo jogando bola. E’ maior do que me queimar cozinhando, é maior do que ter que me depilar sozinha. E’ muito maior do que muita dor genuinamente fisica. Sentir saudade de um amor que acabou ou de uma pessoa querida que se foi é demasiado doloroso, mas tristeza mesmo é sentir falta de si mesmo.
Sentir saudade de si mesmo é nao se reconhecer. E’ estar longe de sua propria essencia. Olhar pra dentro e nao reconhecer suas proprias atitudes. E’ nao saber onde anda aquela velha e gostosa sensaçao de bem-estar consigo. De encontrar os pequenos prazeres da vida na sua propria solidao (a solidao boa, e nao a ruim. A solidao intrinseca do ser humano, que é de verdade e muito boa). E’ de ter que fugir pra fingir que se achou. Sentir saudade de si mesmo é mentir pra dentro, que é a pior mentira de todas. E la dentro, continuar se perguntando como voltar a ser feliz.
Por isso que tomar uma xicara de cha de si mesmo todos os dias é lindo e cheio de dor. E’ moderado e necessario…
Ter a percepçao de que te perdeste de ti é sofrido, mas quando te das realmente conta de que te perdeste e te angustias, é também o maior impulso para ter a consciencia de que é preciso reencontrar-se.
No’s somos os nossos maiores parceiros… E é pra toda vida.
E é por isso que vibra dentro de mim a satisfaçao de ver que posso sempre tentar, posso sempre melhorar, posso sempre me ser. Posso, pra sempre, me ter e contar comigo mesma. A cada dia de autoconhecimento, sigo mais confiante, mesmo assustada com obstaculos que vao sempre passar pelo meu caminho.
Um viva a nos mesmos !
sábado, janeiro 10, 2009
As vacas desesperadas.
Muitas delas bem confusas contradizem-se em cada colocação seguida de uma afirmação medíocre. Tentam mostrar a atitude "sou solteira e sou feliz" e, na verdade, se pegam solitárias no meio da multidão porque tudo o que mais queriam era conseguir encontrar alguém bacana pra ficar ao seu lado. Querendo mostrar ao mundo que são felizes e satisfeitas, ocultando sua carência emocional e afetiva, só conseguem nos fazer remarcar que elas estão vivendo um caminho completamente ao avesso disso. Estão sendo felizes e satisfeitas às avessas tentando ocultar a carência e o desespero sem nenhum sucesso. Elas não possuem nenhuma harmonia enquanto mulheres; nem interna e muito menos externa. Entende? Patético!
Parece que vemos hoje em dia uma disseminação de "sex and the city 2008", onde as caboquinhas insistem em querer mostrar ao mundo a independência, modernidade e liberdade que vivem, acabando por serem ridicularizadas pelos outros porque a idéia inicial poderia até ser magnânima, mas as seguidoras não conseguem dar um passo com firmeza pra lutar de acordo com a filosofia que elas fazem tanta questão de gritar ao mundo. Repugnante, no mínimo.
Na verdade, é repulsivo porque achando que estão saindo de Eu-não-to-nem-ai, as bichinhas estão pagando o papel mais ridículo da historia da mulher contemporânea. Sabe o que parece? Parece que elas não têm amigas pra dizer: Ei, para ai! Olha que papelão! Pode ir parando com isso porque tu tas sendo contraditória, desesperada e ridícula.
Ser mulher moderna e livre hoje em dia não significa ser só. Alias, o feminismo nunca foi mostrar ao mundo com quantos caras tu podes ir pra cama ou então como podes lutar contra as tuas inseguranças histéricas. Não! O feminismo e o “segundo sexo” sempre tiveram assuntos muito mais importantes a tratar. Não é sendo puta que vais provar pra alguém que és mulher. Ser mulher é muito maior que isso.
O ser humano possui uma característica que o diferencia dos outros seres que se manifesta pelo saber e pela consciência. E ser humano é saber e assumir que sentimos. Diferenciamos-nos porque sabemos que sentimos. Não adianta negar, a busca do ser humano é o amor e quando nos frustramos diante de uma relação costumamos ter reações estranhas. Fuga! O mais difícil disso tudo é aceitar reações de maternal vinda de mulheres, eu disse: mulheres (porque estamos vendo uma mulher feita ali). Olhamos o arquétipo de uma mulher e um interior pré-adolescente.
Não adianta negar, eu mesma quando eu tinha 15 anos, eu jurava que minha vida profissional ia ser suficiente e satisfatória. Bastaria-me, inclusive. Talvez eu até entenda algumas atitudes porque já fui adolescente. Mas depois de viver vinte e cinco anos, já somos adultos e maduros o suficiente pra poder afirmar, a partir de conhecimento empírico e até cognição metafísica que não existe nada que nos torne mais humanamente felizes do que o amor. Amor em suas mais variadas formas. Isso: Família, amigos, amores, vida, cores, sensações, paisagens, musica, livros, filmes e principalmente, amor-próprio.
A mulher histerica. Ou o ser humano.
Enquanto continuam à procura desse ideal de perfeição, tanto corporal quanto intelectual e emotivo - sua marca patente é a insatisfação, pois a histérica não corre atrás de seu desejo, mas visa um ideal, e por isso está sempre se queixando, tecendo justificativas para continuar naquele lugar de manter o outro idealizado - seu gozo continua como sempre em busca de reconhecimento, e na sua procura excessiva e contraditória, na sua tristeza mal compreendida, ela é criticada por uns e medicada por outros (...).
A histérica precisa ocultar sua falha, para isso ressalta todo o resto, constituindo assim um jogo de ocultamento/superexposição. É nessa superexposição que ela não deixa lugar para que ocorra um encontro com a tão temida e angustiante falta e essa estratégia nos diz de um terror ao desamparo, forma máxima do nada. Faz-se necessária, por uma questão de sobrevivência psíquica, a crença de que alguém pode ter o falo, completude, forma máxima do tudo: essa é a busca da histérica, o tudo por terror ao nada.
segunda-feira, outubro 22, 2007
sexta-feira, outubro 12, 2007
Ne me quitte pas
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à toa
De uma quasar pulsando loa
Interestelar canoa
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos me olham assim
Fino menino me inclino pro lado do sim
Rapte-me, adapte-me, capte-me
It's up to me
Coração
Sem querer ser merecer ser um camaleão
Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas
E se de repente te faltar o ar, o chao, os sentidos?
O que tu vais fazer?Correr e te esconder?
Ou vai me olhar e me dar a mão?
Eu o desejava como se desejavam as coisas perdidas para sempre.
Sensaçao deliciosa e muito estranha. Eu me sentia fascinada, encantada e melancolica ao mesmo tempo.Esses elementos, associados em proporçoes diferentes em cada cançao, sempre me faziam sonhar, viajar e fantasiar algo romantico e triste, patetico e misterioso. E me reportavam tambem para o estrangeiro, para longe, para experiencias desconhecidas ou ainda irrelevadas. Porem originadas, ligadas e destinadas ao amor, à relaçao homem e mulher. Pareciam coisas lembradas ou desejadas com paixao e muita dor. Sempre me excitavam pela intensa sensualidade e, sobretudo, pela beleza, mas uma beleza que so pude pressentir em minha adolescência.
Uma amiga que se expressou tao bem, mas tao bem que conseguiu até colocar umas coisas na minha cabeça.Tava tudo na minha frente, mas eu nao conseguia entender. Eu sabia que havia alguma coisa por ali, outras pessoas me alertavam, mas eu nunca tinha conseguido entender do jeito que ela me explicou.
Ela abriu a minha mente, meus pensamentos que estavam se bitolando ali me fazendo pensar so nos meus complexos e nao na quantidade de coisa boa que podia estar por tras daquilo. Nao era complexo. E' a realidade. E' a vida.
Ninguem sabe o que se passa dentro de mim, nem ele, nem ninguem. E quem vê de fora, ve diferente. Ultimamente, eu posso confessar que nao tenho tido muita coisa a reclamar.
Minha vida ta linda, cheia de cores e sensaçoes.To satisfazendo meu lado profissional estudando o que eu quero, o que eu escolhi e vou poder logo, logo trabalhar com isso no pais que é a primeira destinaçao turistica do mundo!!!
Tenho tudo pra absorver aqui.Tenho estado tao feliz que sinto exalar. Inunda-me tanto sentir essa felicidade que tenho até medo que transborde e se perca.
Tenho me sentido muito mais bonita e o mundo todo também. Consigo enxergar além dessa beleza completamente evidente e acho que é por isso que tudo ta belo. Pessoas, o mundo e eu. A energia embeleza. A felicidade percorre ate as ondas sonoras. Tudo tem gosto de alegria. Mas existem pendencias, logico. Nem eu quero que minha vida seja perfeita. Imagina a monotonia de acordar sabendo que tudo seria perfeito ali?
Mas, no fundo, eu continuo querendo enxergar errado o que ela me disse. As vezes, se eu pensar do jeito que ela quer, pode parecer pretensao demais da minha parte. Dentro de mim é tao diferente.Eu nuna racionalizo sentimento. Eu so sinto. E eu sinto tanto!
Economizas a comida saboreando tudo o que é possivel, usando quase todos os sentidos humanos. Eu faço isso com livro e musica. Sempre tive uma relaçao forte com livros. Talvez pela historia da minha familia, talvez nem por isso. Mas se for pra falar do que os livros representam pra mim, posso passar horas escrevendo e nunca vou ficar satisfeita com o final. Sempre vou achar que nao consigo verbalizar as sensaçoes que me despertam em relaçao à eles. Da mesma maneira quando quero escrever algo pra alguem que eu gosto muito. Sempre vai parecer incompleto por o sentir, muitas vezes, é indizivel.
40 anos da morte do Che

Arte do Bira.
“Outra vez sob meus calcanhares o lombo de Rocinante, retomo o caminho com meu escudo no braço (...) Muitos dirão que sou aventureiro, eu sou de fato, só que de um tipo diferente, daqueles que entregam a pele para demonstrar suas verdades”.
Che Guevara - Trecho da carta endereçada aos seus pais, antes de partir para sua última trincheira na Bolívia
Dias de puro Chico. (Nao Chicao!!! Chico hahahah)
terça-feira, outubro 02, 2007
Give me a reason to love you
Dance me to the end of love
Nao ha nada mais incomodo, desagradavel e perturbador para uma sociedade autoritaria, e sob a ideologia do sacrificio, do que um homem alegre. A alegria eh uma agressao e ofende porque provoca inveja e rompe pactos de mediocridade. O homem saudavel é revolucionario e alegre. A beleza pode ser, ao mesmo tempo, raiz e fruto do prazer. So o prazer nos da (com o contraponto da dor) o sabor da vida.
Nice to meet you, can I use you?
domingo, setembro 23, 2007
sexta-feira, agosto 31, 2007
Achar que tudo pode melhorar e na verdade os outros preferem que tudo fique mesmo como está.
Venha agora, não espere o músculo, a piada, o botão, o calo, a saudade, o arrependimento, o vazio. Eu preciso sentir que você ainda sente, eu preciso que o seu coração dê um choque no meu, eu preciso saber que seu peito ainda aperta um pouco quando eu vou embora e se espalha como borboletas nas veias quando eu chego.
* porque tenho medo de me espalhar pelo mundo e nunca mais ser sua.
quarta-feira, junho 13, 2007
Primavera EM Praga - Parte II
Tudo começou com a Perestroika e a Glasnost do Gorbachov (alguém se lembra?). Logo depois da Primeira Guerra Mundial, as nações tcheca e eslovaca uniram-se em decorrência da fragmentação do Império Austro-Húngaro. Algo semelhante ao que aconteceu com a União Soviética muitos anos depois. Mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, a Tchecoslováquia tornou-se um país comunista ao ter sido libertada do domínio nazista pelas tropas soviéticas. Nos anos 60 foi se tornando, discretamente, um país comunista mais liberal, moderado e de conotações democráticas. Conhecido movimento de conotaçoes suaves, "A Primavera de Praga" foi marcante. No final dos anos 80 , as reformas desencadeadas por Gorbatchev na União Soviética motivaram e favoreceram o movimento denominado "Revolução do Veludo", que sem qualquer violência e sem tiros promoveu profundas mudanças políticas e econômicas no país. Mais ou menos como a distensão ocorrida na Ditadura militar no Brasil na década de 70, com os movimentos “Diretas Já”, “Distensão” e “Anistia”. Em 1990 o país se tornou finalmente democrático ao eleger Václav Havel seu primeiro presidente e conduzindo o país às reformas econômicas e políticas que acabaram por separar, em 1993, a Tchecoslováquia em dois Estados: a República Tcheca e a República da Eslováquia.
Em 96 a cidade ainda tinha um forte “ranço” comunista. Mas dez anos depois vejo que o mundo que descrobriu Praga enviou uma horda de turistas, de mochileiros a abastados, de bermuda colorida e câmera no pescoço a japoneses e sul-americanos. Em comum a todos, o encantamento.
Jornalistas, articulistas e escritores costumam apelidar Praga como “Jóia rara”, um entre os jargões meio bregas que eu até compreendo o entusiasmo de quem os criou (até porque sou mais uma encantada com essa cidade), mas que detesto. Mas, se assim for, se eu tiver que inventar um, acho que Praga é muito mais que uma jóia rara, é uma caixa cheia delas! Os outros apelidos inventados pra promover a cidade são “Pérola do Oriente” (argh!) e “Paris do Leste” (que, sinceramente, a diminui). Para Goethe, era a "jóia de pedra". Eu gosto é do que disse Franz Kafka, o escritor tcheco mais famoso: "Praga não deixa a gente ir embora, esta velha tem garras". E que velha sedutora essa!
"Estar sentado num vagão de trem, esquecer disso e viver como se estivesse em casa. Mas de repente lembrar de onde se está, sentir a força do trem que nos transporta, transformar-se em viajante, tirar da mala um boné, tratar o companheiro de viagem com mais liberdade, deixar-se levar até a nossa meta sem esforço, sentir isso tudo como uma criança, tornar-se o favorito das mulheres, sentir-se incessantemente atraído pela janela, colocar ao menos uma das mãos no peitoril. A mesma situação, mais precisamente delineada: esquecer que se esqueceu, transformar-se num instante em uma criança que viaja sozinha num trem expresso, e em redor de quem o vagão, fremente de impaciência, se materializa em pormenores fascinantes, como se surgisse das mãos de um mágico." ( FRANZ KAFKA Diários de Viagem, 31/07/1917 ).


