segunda-feira, maio 29, 2006

ALICE

Ah! Ela era uma peste. Mas como essa ruivinha aprontava. Era mandada pro psicólogo do colégio todos os dias. Os professores? Ahahaha acho que odiavam mais esta pequena porque ela só tirava as notas máximas. Tinha uma facilidade incomensurável pra aprender. Aliada às travessuras só podia mesmo despertar a ira dos professores.
O Ivair, professor de português, não dirigia mais a palavra a ela no final do ano. E logo o de português. Na entrega da última avaliação os alunos iam buscar suas respectivas provas na mesa do professor. Ela, por sua vez, com um Dezão estampado, tranqüilamente foi pegar o que lhe pertencia. Ivair, deixando transparecer a admiração que tinha por Alice alfinetou: A linha entre o amor e o ódio é tênue. O riso debochado de Alice parecia até arrogância. Mas era orgulho. Talvez por essa confortabilidade tão grande que sentia quando estava dentre os livros, textos e poesias, Alice tinha reações meio ignorantes até quando alguém falava errado.
Ela não conseguia se conter. Desde a empregada falando reSistro até o paquerinha falando "pra MIM pegar."

É.... acho que é até uma arte. A Arte da capacidade dos homens de se tornarem desinteressantes. Incrível como eles são capazes de fazer isso tantas e tantas vezes! E Alice, já um pouco mais velha, assim como várias outras mulheres, deixava passar batido alguns dos deslizes. Outrora, fingia que não via. Mas chegava em um certo porto que já estava irremediável. Com esse avanço inestimável da tecnologia, o contato virtual ficou cada vez maior e Alice só faltava cortar os pulsos quando conversava pelo eme-esse-êne com os tais tchutchucos. Minhanossasenhoooouuuuuuuuuuuuuura!!!! Era cada absurdo que aparecia que ela quase arrancava todos os cabelos! E era cheio de concerteza, quizer, mais eu não vou mas, úmilde, licensa, será SE ela vai?........ Enfim. Isso é pouco perto do que se lê por aí!

Coitada da Alice. Será que é tão difícil achar homens interessantes e legais que escrevam e falem um pouco menos errado? Por que tanta displicência com a Língua portuguesa? Ah! Essa mulher estava só neuras! De tanto conversar com pessoas que escrevem errado, de tanto ler estes absurdos com essa freqüência toda ela começou a ter dúvidas de como algumas palavras eram escritas. Num dia ela escreveu intonação, pode? Heheeh Ela piorou com os ataques dela.

Irritava-se e começava a pegar abuso de todos os carinhas. Ela inclusive evitava conversar com eles pela Internet pra não ver os tais absurdos como a gente junto! É... A lógica é mesmo que ela começasse a selecionar quais os caras que ela ia se envolver, né? Pois é. Ela até tentava, mas não conseguia. Tudo acabava como ela já previa. Saco ao quadrado isso. 80% dos homens já tinham sido descartados... Será que mais? Não. Acho que 80%. Mais que isso pode se tornar exagero. O restante. Esses tais 20% ela avaliou que um era o seu pai. Outro seu irmão. Uns eram gays. Outros comprometidos. Outros eram proibidos. Uns muito amigos. E por fim, alguns poucos ela achava que não conhecia. E lógico... Tinham os que não queria nada com ela, né?

Mas é óbvio que bateu o desespero na moça. Ela tava se questionando. Será que ela tinha que virar gay? Isso é sério. Ela pensou muito nisso. Mas depois viu isso podia se tornar mais difícil ainda. Na cidade que ela morava, quase Dogville, tudo ficaria mais difícil se ela virasse homossexual. Ela estava realmente perdida. Talvez a solução mesmo fosse ir embora de uma vez por todas daquela capital que mais parecia um interior. Ela queria ir. Viajar, viajar, viajar!

Conhecer pessoas novas, culturas, tradições, povos, culinária, paisagens... Fugir (fugir???) pra bem longe daquilo tudo que a sufocava há tempos. O Final dessa história? Bom, eu queria saber também. Eu realmente espero que a Alice encontre um cara muito bacana pra ela. Acho que ela merece. Será que é muito difícil achar alguém que deixe a Alice rindo à toa, flutuando e besta de paixão? Mas ultimamente ela tem descoberto que existem sim pessoas muito mais legais do que ela mesma achava que pudesse existir nessa tal cidade. Talvez o problema seja mesmo é com ela. Doida! =]

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